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“O Cavaleiro Negro da Bruma”
No portal www.mensageiro.com.br


Conheci Drustan o Scaldi quando ainda não conhecia seu “heterônimo templário”, ou seus atributos literários. Ele estudava no Colégio Souza Aguiar um colégio público estadual no Rio de Janeiro na época, uma referência de Ensino Público, ele era do círculo de outros jovens amigos meus.
Os jovens representam a sucessão, a renovação, sempre acreditei no poder da juventude.
Pode parecer um tanto fora de moda falar de pessoas que têm uma bagagem cultural ampla e pouco provável para a idade, “Drustan o Scaldi” é uma dessas pessoas especiais.
Para os céticos materialistas fica difícil entender como é possível um conhecimento e uma sabedoria que o tempo vivido não seria suficiente para absorver. Para os que sabem que a vida não se resume a uma encarnação finita, mas é eterna, fica claro.
Para os que são capazes de romper a barreira do esquecimento a cada nova encarnação fica mais inteligível ainda. Saber de um segmento de existência passada e dos ritos e costumes de uma época já vivida e agora relembrada, como quando acordamos de um sonho e lembramos exatamente de cada momento. Os franceses chamam de dejavu”. Foi assim com Drustan o Scaldi.
Alan Kardec é o nome de um sacerdote druida que Hyppolyte Leon Denizar Rivail adotou na sua mais recente encarnação como nome para assinar suas obras sobre a doutrina espírita.
 Drustan é também um nome Celta, significa Tristão, esse nome pertenceu a um Cavaleiro de armadura negra ”Scaldi” que teria vivido em uma época quando que o que hoje chamamos  mito era apura realidade.
Na época em que a “magika” e a bruma eram o pano de fundo de uma cultura que saia do Paganismo puro para o Cristianismo, e quando havia ainda forte sincretismo. Pouquíssimas pessoas sabiam ler e ou escrever, a forma de manter viva a história e a tradição, e os feitos de suas personagens era a “balada” cantoria que, os bardos, “menestréis” entoavam para retratar os heróis da História, na época da “tradição oral”. Era uma época em que as estações do ano, os movimentos lunares e solares eram muito significativos para a manutenção da vida, e quando essas mudanças eram pontuadas com festas.
Os escritos de Drustan revelam-se com singular linguagem, como uma pintura fotográfica, que desmistifica as crendices inventadas maldosamente por clérigos cristãos sobre bruxos, relacionando-os a sacrifícios, humanos e magia negra.
Drustan vai entrando pela História e pelas histórias de deuses e mistérios, muitos ocultados na forma de contos e lendas e que na realidade, assim foram disfarçados para fugir à sanha de assassinos que não podiam compreender o que ignoravam quer por falta mesmo de cultura quer por preconceito religioso quer por ganância visando os bens dos acusados ou por simples sadismo.
Em alguns textos Drustan faz uma ponte entre passado e presente comentando origens de músicas e filmes que foram inspirados na “Magika”, e glamourizados pelos músicos e cineastas de hoje.
A perseguição chamada de “caça ás bruxas” sempre existiu. Qualquer um que se dispusesse a produzir remédios e com eles obter curas ou, por meio de orações obterem graças era considerado bruxo. Ontem como hoje os donos de Deus se julgam acima e além de todos, “mudam de nome” e “se dão títulos”, mas se comportam da mesma maneira “expulsando espíritos” estimulando a histeria coletiva para dela se locupletarem.
A História aponta os desvarios de que foram capazes os membros da “Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana”, com o a castração de meninos adolescentes para que cantassem com vozes de falsete no coro das catedrais os “Castrati”. Mostra também a pederastia decorrente.  O abuso sistemático desses indefesos adolescentes por clérigos homossexuais, é a triste realidade histórica que ninguém pode negar.
As denúncias de pedofilia hoje, mostram que esses abusos continuaram e aumentaram ao longo do tempo, na impunidade e no medo da “Santa Inquisição”, só que hoje os abusados e seus familiares tiveram a coragem de denunciar os abusos à justiça.
Ainda hoje interpretações equivocadas de fundamentalistas leva adolescentes ao suicídio a ao assassinato coletivo sob pretexto de jihad, palavra árabe que significa esforço (disseminação e manutenção da religião islâmica) equivocadamente interpretada como guerra santa.
Ainda hoje nos países mais adiantados do mundo radiestesistas, como Georges Charbel Farah no Brasil médiuns como Francisco Candido Xavier no Brasil e Edgar Cayce nos Estados Unidos Alan Kardek no velho mundo são contestados.
Drustan, Sacerdote Wiccano é historiador autodidata, músico e produtor teatral. Drustan além de escritor é um “menestrel” como os do passado com os pés nesta vida que com sua versatilidade e sua palavra fácil, recheada de reminiscências as usa para passar histórias dentro da História de uma cultura que floresce a se fortalece em ciclos constantes.
Editar o livro de Drustan o Scaldi foi um gosto, lê-lo outro ainda maior.
Recomendo esta obra aos que tiverem a mente aberta e inteligência investigativa e o interesse histórico, sem os antolhos das religiões.  Esses saberão ver nas entrelinhas também.
Flavio Pinto Ramos
Professor Universitário, Jornalista, Mestre Maçom

Notas do Editor:
O livro “O Cavaleiro Negro da Bruma” está sendo disponibilizado na Internet. para comentários das comunidades esotéricas. O autor pretende responder a cada dúvida surgida e incorpora-las ao livro sempre que pertinentes.
Todos os direitos sobre o livro pertencem ao autor.
O autor generosamente autoriza a publicação no Portal www.mensageiro.com.br .

 

“O Cavaleiro Negro da Bruma”
Por: Drustan, o Skaldi.
16.07.2011

Prefácio

Para você amigo leitor ou leitora que, estou seguro, vai passar destas primeiras páginas digo inicialmente que este livro tem quatro intenções.
A primeira é honrar aos deuses ancestrais e todos aqueles que preservaram o Ofício em suas várias formas até hoje.
A segunda é despertar o aspecto histórico das pesquisas evolutivas cotidianamente feitas pelos neófitos, o que geralmente é relegado ao último plano ou mesmo esquecido.
A terceira visa relembrar os aspectos morais e éticos que devem ser observados por quem inicia seus estudos no Ofício e gostaria de progredir até o Sacerdócio.
A quarta é demonstrar que os “Ritos Celtas”, já de longuíssima data são próximos de nós brasileiros.
Sendo assim, não espere encontrar a seguir, uma longa lista de Mágikas com ingredientes exóticos e dicas de variantes, como dito anteriormente, vamos neste livro cuidar do Sacerdote nascente que habita dentro de vos, trazer à tona meditações sobre suas funções além da celebração do mistério. Anos atrás assisti pela TV, a entrevista de uma membro da própria Cúria do Vaticano, onde o padre estadunidense, galhofava e dizia que a igreja devia rever várias coisas que mantinha como dogma, mas o que mais marcou foi ouvi-lo dizer que a igreja está perdendo fiéis por causa de seus padres que além de imorais não conversavam com os seus fiéis, ou seja; além de não poderem servir de exemplo à comunidade circunvizinha, os padres esquecem que além da missa, sua principal função é oferecer amparo espiritual a quem os procurar; isto foi meu grande motivador para escrever este livro , não quero que meus congêneres façam o mesmo, denegrindo mesmo que desintencionadamente a imagem do Ofício, que já é tão deteriorada por crendices e falácias criadas pelos mesmos padres que mencionei.
O que está por vir, na verdade é a compilação dos textos semanalmente divulgados na coluna Wicca no portal digital www.mensageiro.com.br, assim sendo, os leitores cativos poderão agora guardar consigo o material já lido, e quem não acompanha a coluna poderá conhecer o trabalho daqueles que lá escrevem no intuito da circulação altruística do Conhecimento. Muitos dos leitores me perguntaram em ocasiões variadas a razão do nome Drustan o Scaldi e garanto que farão o mesmo quanto ao livro, o motivo para ambos é o mesmo:
Desde a infância fui fã ardoroso dos “Ciclos Arthurianos” inicialmente divulgados no livro The Mabinogion, o primeiro contato foi através da animação nipônica Rei Arthur que era veiculada pela televisão todas as tardes. Dentre as personagens, a que mais me encantava era o “Príncipe Tristão”, esposo de Isolda, a Loura. Tristão, como eu veria em outras muitas retratações, aparecia trajando negro, o que era a marca de sua armadura, era um homem jovem, de pele empalidecida e cabelos negros, o corpo era esguio e os movimentos eram lentos esboçando a tristeza e calidez que lhe eram comuns. Apesar de não ser uma pessoa de grande influência nas assembleias da Távola, no campo de batalha era extremamente temido, não urrava como os outros, era arqueiro e esgrimista temido e diziam ter até um certo gosto pelo homicídio em batalha, quando viam o cavalo negro encimado pela enorme armadura da mesma cor, o inimigo tremia visivelmente pois sabia que não iria ter direito à fuga ou misericórdia, características de um homem convicto de suas decisões. Depois da vitória era comum ouvir-se a harpa tristonha tocada com habilidade de grande bardo.
O tempo passou, envelheci deixando estas imagens à margem da memória, mas um dia recebi o chamado “do alto” e descobri o porquê comecei a estudar com seriedade e ardor, a hora de ser consagrado como sacerdote havia chegado, mas como os caminhantes desta senda sabem, havia uma questão importante a cuidar antes da sagração, a   imposição do nome, “meu nome sacerdotal como renascido”, o nome pelo qual todos os outros irmãos e irmãs doravante me reconheceriam. Sabendo da gravidade disso, nada de bom me ocorria, o nome deve simbolizar seu dono, ao ouvi-lo as pessoas logo devem ter impressão acertada de seu usuário, mas nada me vinha, pois palavra nenhuma me identificava nem para mim mesmo.
Na noite de véspera da cerimônia acendi o Altar e pedi para que os deuses me mandassem um sinal em qualquer formato e disse: Deem-me o nome! Então o silêncio vibrou uma voz vinda da boca de ninguém e a voz masculina e triste disse em sussurro apenas uma palavra: “Drustan” TRISTÃO.
Era claro como água! Como o príncipe, eu havia passado por vários percalços como morte de pessoas queridas e até mesmo a fome; era perseguido entre os meus, pois desde cedo tinha valores que não competiam aos da minha classe social e idade. Sou músico, nas artes marciais até hoje tento melhorar minha esgrima e a cor padrão da “armadura” na arte que pratico é o negro; sempre fui preocupado com questões éticas, morais e psicológicas do ser humano, primando por aquelas que o homem trata de esconder e negar e por fim; dentro do Ofício, eu escolhera o arquétipo do Guerreiro. Eu cresci e me transformara numa versão anônima e abrasileirada do príncipe, eu era uma versão do próprio “Cavaleiro Negro da Bruma” de Avalon.
Obviamente que tomar o nome do próprio era presunção demais, então usei a versão antiga da grafia, Drustan, o Skaldi foi a alcunha mais natural para ressaltar duas coisas, o fato de eu ter pele escura ao contrário do meu inspirador, mas como ele, eu lido com o escuro, aquilo que vive na sorrelfa da noite, o misterioso, a vergonha, a raiva, ódio, cobiça, vingança e toda a sorte de coisas que diminuem o ser humano e o afastam de seu aprimoramento espiritual, luto de peito aberto e arma em punho contra os gigantes que devemos vencer na senda espiritual, assim como o príncipe TRISTÂO, sou um guerreiro do Skadinalja, afinal, é das trevas que se faz a luz. “ex fumo dare lucem”.
E agora, irmão e amigo leitor, da primeira até a última página, passo a partilhar desta luz com você.

 

Das Águas

Já que são tempos de calor abissal, falemos da água só para refrescar. Como já provado, este é o elemento “mister” de toda a vida engendrada neste orbe, não à toa, nossa Grande Mãe Danna se chama Água do Céu.  Posto que é a representação física do éter, a água é de suma influência e importância na vida humana.  Este elemento controla o coração, intestino delgado, o sangue e tecido conjuntivo, afora ser também o controlador do ouvido, logo a audição.
A água é a regente do universo emocional.  Dela vêm coisas como, afeto, carinho, abnegação, o gostar, o amar... as emoções mais caras ao ser humano.  Quando está em baixa causa o desgaste emocional que origina a depressão e a apatia.  Curiosamente, alguns psicanalistas prescrevem para doentes, água mineral; óbvio!  A grande quantidade de sais minerais e elementos radioativos balanceados, corrobora na convalescença, mas sabemos no ofício das benesses daquelas águas que brotam puras do seio da Terra.
Já reparou que ao chegar a casa, após o trabalho, as nossas prioridades são a sede e o banho; isto demonstra que a água também está ligada ao “frescor” do repouso, se não folgamos, a tensão se adona de nós e o sistema emocional tomba gradativamente até colapsar e nos paralisar.
Os Ninjas ensinam que o guerreiro também pode ser da água.  Quando perante um inimigo mais poderoso, a água escorre se moldando, contornando, cercando o obstáculo, dali ataca as fendas do oponente causando a ruína final.  Mas a mente e o coração do guerreiro devem estar sempre tranquilos como as águas de um lago sem ventos.
Agora, que tal um experimento?  Pegue um pêndulo radiestésico e vá para a margem de um ribeirão limpo.  Meça os níveis de seu corpo e aponte as deficiências.  Feito isso, entre n’água por 30 minutos.  Segunda medição: todos os níveis aumentaram e as deficiências foram lavadas, volte à correnteza por mais 30 minutos. Ao sair, a terceira medida vai acusar que os números são inferiores aos da primeira contagem e seus miasmas pioraram, já que você enfraqueceu.
Tenha em conta o seguinte: a água lava, conserva e revitaliza; mas exposição excessiva causa enfraquecimento e decrepitude.  Mas em momento de fraqueza basta tocar um veio de água e pedir que ela o limpe e reconstrua. Em poucos momentos a melhora será visível.  Este conhecimento é capital e por vezes poderá lhe garantir boa vida, ou talvez até a vida em si.
Indo agora para pontos mais diretos, falta ainda abordar mágickas com água.  Estas têm duas finalidades distintas, a “limpeza” e o teor emocional.
O primeiro tipo serve para limpezas espirituais de ambientes e pessoas.  Um bom exemplo são as águas do trovão que são preparadas numa noite de eclipse lunar, bastando encher uma bacia com água viva e manobrar para que a lua eclipsada se reflita na água baixando ali todas as suas forças, disruptoras. Então, engarrafe o produto da cerimônia e use em locais ou pessoas com “problemas”.  Mas antes que perguntem o motivo desse nome, eu explico. Quando atingido por essa água, qualquer sombra morta mal intencionada sente-se como atingida por um raio; é o melhor que há.
No segundo caso, estão algumas das mágickas mais cobiçadas por serem aquelas que falam direto ao coração humano.  É nisso que reside o risco, pois isso pode acarretar na sujeição de alguém do sexo oposto, mas que sentido há nisso? Não soa como um caso de cerceamento à liberdade de uma pessoa?
Sim, admito que há casos e casos.  Os efeitos de uma magnetização para unir dois indivíduos são sempre imprevisíveis e geralmente resultam em muitas lágrimas no final.  Mas existem medidas que podem salvar uma relação que teve... “interferência de terceiros”, digamos assim. Não nada mais humilhante e vergonhoso para um casal, que terminar uma relação de forma sórdida.  Mas para tudo há remédio. Água!
Por Drustan, o Scaldi
Referências:
BAGGOT, Andy. Rituais celtas, USA, St. Paul. E.U.A. 2000.

 

 

Vida na escuridão

Vamos compartilhar um segredo? Lembra-se das vezes em que, por castigo, seus pais o trancavam num quarto escuro? Será que você ainda lembra de como o medo o cercava e crescia dentro da escuridão? Eu lembro; todos nós da Wicca ainda lembramos e talvez, por isso, muitos sequer se informam sobre o aspecto oculto do Ofício: a Quarta Deusa e os Reinos Escuros.
Este aspecto, que é tabu na Arte Antiga, nasceu das horas sem Sol, quando os ancestrais temiam circular livres à noite, pois, lá fora, estavam o rei Azevinho, Arawn, Zulo, as sombras mortas e tantos outros.  Se fosse no período de lua nova, Skatach Kaileak (a quarta deusa) estaria manquitolando lá fora sobre seus joelhos invertidos e arrastando toda a sua hediondez; era o domínio das criaturas skadhis sobre a Terra.

Skaldi vem do escandinavo e significa escuro. Esta palavra engloba tudo o que é segredo, sombrio, medo, morte e, às vezes, destruição.  É na dimensão da Lua Negra que reside tudo o que há de mais bizarro na essência humana; é nessa gaveta que guardamos, intocáveis, até mesmo nossas verdades mais profundas, logo, mais vergonhosas.  Isto tudo quando agrupado gera uma vibração misteriosa que, distorcida pelo medo, cria seres poderosos (monstros do Id) que sabem mais do homem do que ele próprio, já que por seu turno todos os skadhis são feitos dos nossos segredos e podem nos observar livremente o tempo todo. Moram nas grutas escuras, porões, sótãos, pântanos, vãos de escada e habitações humanas abandonadas, sem falar nos cemitérios, mausoléus e catacumbas.  Em suma, apague a luz e vire as costas; eles chegam para dominar tudo, podem estar até na sombra de um objeto mal iluminado.
Há ainda uma dimensão skadhi por natureza, o submundo, onde reina Arawn, (o Osíris dos celtas), e em seu centro está Dagda, mestre do Grande Caldeirão, que é o útero de toda Magicka(1).  É para o submundo que vão os mortos, mas é de lá que sai tudo o que um dia vai existir na terra, pois, por mais incrível que pareça, é na escuridão que nasce a luz.  Se perguntássemos a um celta: “Guerreiro, de onde veio teu povo?” Ele logo redargüiria: “Das trevas do submundo.
Logo, se conclui que os skadhis têm sua parcela na elevação do mundo. A russa Baba Yaga saída da distante escuridão siberiana para espalhar poder com seu caldeirão que girava e voava.
Skatach Kaileak era a regente da prova da espada, teste final na formação dos guerreiros lendários mais poderosos da velha Irlanda. Com ela foram ter Cu Cullain (cão de caça), Beowulf (lobo de bell), e o próprio Tristão da Távola Redonda, de quem tomei emprestado meu nome.
A bretã Morrigan era deusa da feminilidade e ajudava nas batalhas mais sangrentas contra combatentes e genocidas.
Mestre Azevinho reina durante o período baixo da Roda do Ano, da qual tratarei mais tarde, quando a semente morre para dar vida à muda.
Loky, sem querer, matou Baldur dos Vikings, mas revela ainda hoje na sua runa, onde estão o traidor e o mentiroso. São eles e seus servos grandes professores da alma humana, mas cuidado, pois se abordados com más intenções, vão lhe mostrar o que sabem de melhor, a justiça feita na força da escuridão. A.L. Hitler quis usá-los por má compreensão; e como todos sabem, o rei nazista suicidou nas sombras do bunker sob o Reichstag (2) durante a Noite de Wallpurgis dos alemães, na minha opinião, o Samhain mais sinistro em toda Terra.
Guardiões dos supremos segredos, paracletos divinos das sombras, justiceiros drásticos, mantenedores da vida na hora de risco e escolta na morte e vida, os temidos entes skadhis, que ainda hoje estão por aí, às vezes com nomes trocados, por intenção, desfilam diante de nós - Cavaleiro Nasgul, de Mordor, Sauron (personagens e lugar do livro e filme “Senhor dos Anéis”, o líder dos gigantes do filme A Reconquista (explica a Eda de Odin), estão todos aqui, para cobrar dívidas, testar o forte e soerguer o justo.
Imploremos aos agentes da Lua Negra para que nos ocultem dos males humanos sob as dobras de seus mantos escuros e possamos contar com eles na evolução de nossas almas rotas.  Que ajam opostamente aos demônios que nos afligem nas noites de hoje.
Beowulf, seu exemplo está entre nós. Wicabaut Crane, seu exemplo está entre nós. Tristão, seu exemplo está entre nós.

Por fim, à guisa de exaltação da Lenda, quero recordar que arqueólogos ingleses encontraram no segundo semestre de 2004 o túmulo do príncipe Drustan da Irlanda. O cavaleiro está nas costas da Cornualha (Cornell), humildemente sepultado sob uma lápide, onde se lê, Drustannus.


Notas do autor:

(1).  A palavra céltica Magicka vem do mesmo radical persa de maggi

É como a palavra inglesa witchccraft vem de wiccacraft.
Mágica refere-se a prestidigitação, ilusionismo, efeitos. 
Embora muitos atos de magia possam ser fraudados através da mágica (trucagem, ilusionismo,
efeitos visuais). O autor se refere ao ato mágico puro, decorrente da vontade e do conhecimento.

(2) Câmara Baixa da Alemanha, eleita por voto universal que concedeu plenos poderes a Adolf Hitler, cujo codinome era Wolf.

Drustan, o Skaldi

 

Casa do divino guerreiro

Tanto no passado quanto hoje, as pessoas demonstravam habilidades nas quais tinham um dote em especial.

Com base nisso, ainda tentamos definir nossas profissões e, assim, cumprir bem nosso papel social, apesar de, na atualidade, os grilhões do dinheiro por vezes, nos forçarem a um desvio doloroso, gerando uma multidão de pessoas frustradas.
Existem os que têm talento para construir casas, outros são exímios salvadores de vidas, existem os arquitetos de templos, há ainda os que são hábeis em plantar e colher, alguns escolhidos foram feitos para rezar e, por fim, há os eleitos para o tempo de lutar.
É sobre esses últimos que hoje quero falar. Vamos frasear sobre quem, desde tempos idos, é chamado de guerreiro.
Até na arte antiga nós nos dividimos em funções específicas, tomamos por base os ofícios ancestrais e lançamos mão daquilo que a psicanálise chamou de arquétipos. São muitos, oráculo, xamã, pastor, artesão, caçador... mas o que me falou n’alma foi o guerreiro.
Conhecemos esse tipo de pessoa como sendo arrogante, destrutiva e belicosa, mas a verdade é bem outra. Quando os tempos são de paz, o convívio é fácil, o sorriso fluente e estamos em harmonia com tudo e todos. Mas se o mundo nos vier jogar a luva e intimar à contenda? Quem estará apto a manter a vida de nossa gente?  É neste momento que o verdadeiro guerreiro se mostra assegurando a colheita de quem planta, o teto da casa e a paz da prece.
Em sânscrito, a palavra usada para guerreiro, se traduzida ao pé da letra, significa pessoa valente ou bravo; assim é o verdadeiro guerreiro, valente ante os abismos da vida e forte na condução dos inocentes na hora difícil.
Em seu livro Shabala, o monge budista Chögyam Trungpa, ensina que o guerreiro precisa de um coração triste que possibilite empatia e solidariedade para com os sofredores desamparados.  O samurai Miyamoto Musashi escreveu no Livro dos Cinco Anéis que Aquele que conhece o Caminho do Guerreiro pode vê-lo em tudo”.  “Logo, na abertura do primeiro capítulo do Hagakutre do também samurai Yamamoto Tsunetomo, vê-se que o guerreiro é alguém objetivo e destemido, no tocante à morte.
A filosofia dos ninjas, ainda hoje ensinada pelo excelso Soque Masaaki Hatsumi, ensina que guerreiros têm vida simples, mas é guerreiro o que sobressai no momento extremo e sobrevive com dignidade.  Ainda, Ker Cucullain (bruxo guerreiro wicano) escreveu sobre o fato de que o guerreiro está sempre imerso no presente, para com atos precisos definir o futuro. Isto está no livro Caminho do Guerreiro Wicca, que tenho por livro de cabeceira.
Estes e outros predicados são o princípio formador do coração afiado de um guerreiro. As lendas antigas e pessoas ainda vivas nos dão lindos exemplos. Por que o medo?
No meio de tantas Gehenas e Armagedons, fala-se muito de tempos insalubres que muitos profetas previram, mas eles também vaticinaram a “Ressurreição” do espírito guerreiro que regressará das profundezas do passado para nos assegurar a saúde da alma e, por que não, do corpo?
E na data em que o mal for derradeiramente banido deste mundo, serão as divinas pessoas guerreiras que, na hora do poente, estarão no cume do monte mais alto, a tocar a marcha batida (1) com a bandeira do Reino de Tara (2) tremulando sobre as cabeças.
Os generais destruidores estão lá fora, manejando os exércitos da fome, violência, doença, aculturação, mentira, ódio e descrença. É isso que vamos combater.
E, quando lograrmos vitória, na mão da espada estará a rosa, no braço do escudo haverá um abraço e a boca que brada cantará boas-vindas a toda gente.
Lutemos, pois, o bom combate munidos de liberdade, igualdade e fraternidade, sem esquecer da fé. Que o grande deus dos guerreiros nos cinja com sapiência, força e brandura, pois isto é tudo que nos restará na hora da morte.
Para dar termo ao discurso, quero louvar meus irmãos nas artes marciais; obrigado meus irmãos da Bujinkan (3) (Fundação do Divino Guerreiro) por percorrer comigo o verdadeiro Caminho Guerreiro da Persistência.
Shidoshi-Ho Miguel Greg, a ti me curvo por graças na ressurreição do meu espírito.
Shiran Daniel Hernandez, obrigado por ser nosso farol no Mar revolto da vida.
Soke Hatsume, ensina-nos a tua glória!
Soke Toshitsugu Takamatsu, eterno entre nós!
Ninja Banzai!   (Glória ao Ninja)

N.A.:
(1) Marcha batida – Toque de corneta, na cavalaria significa vitória.
(2) Tara – vale sagrado onde mora o panteão celta.
(3) Bujinkan – Escola de artes marcais responsável pela preservação da filosofia e artes ninja. Seu baluarte mundial é Hatsume Sensei.

Por Drustan, o Skaldi

N.R.

Geena e Armagedon são palavras que aparecem na Bíblia.
Geena é um local extra-muros, do hebreu Ge-hinnon, vale de Hinnon, ao sul de Jerusalém, onde eram sacrificadas crianças em honra ao ídolo Moloc. Era considerado um lugar maldito.
Na época de Jesus, servia de depósito de lixo, com o fogo permanentemente aceso, por questões de higiene. Foi nesse local que Judas Iscariotes se enforcou, após ter traído Jesus.

Armagedon – local em Megido, onde haverá o combate final entre o bem e o mal e a derrota final do mal. (Apocalipse 16,16)

 

Ela pegará de volta


Quem diz que em verdade somente os crimes do homem contra o homem serão cobrados? Saibam, pois, que os crimes do homem contra a Mãe também terão suas cobranças. Somos todos organismos inteligentes que respiram o mesmo ar, comemos do mesmo peixe, misturamos o mesmo trigo de um só pão, banhamo-nos num rio que deságua num grande mar, somos filhos de uma criação.

Mas, os tempos são outros, os milênios passaram trazendo as muitas faces da ciência esclarecedora, há uma miríade de combustíveis tão variados como os veículos por eles alimentados, substâncias químicas incisivas com um sem fim de usos.  Enfim, a ciência evoluiu com a necessidade, mas não deixou um ensinamento precioso: o homem veio da terra, dela sobrevive e a ela regressará.
Reconhecidamente avançamos, mas é um avanço falso por termos esquecido do fato de que o homem é produto do meio.  Nossos filhos já não reconhecem o cheiro da chuva que anuncia o vento, não tem o conhecimento ancestral das folhas e frutos.  Nossas esposas desconhecem a cor do peixe recém-pescado no mar.  A conseqüência desses atos é que destruímos paulatinamente o útero que nos dá a vida.

É dito pelos índios que não podemos dividir a terra, pois ela não é nossa; nós é que somos dela.  Também por índios é dito que o branco não sabe que a terra cobra, porque a terra traz a comida que cura a doença da fome.

Não esqueçamos que a mãe que cuida também é a mãe que castiga.
Por Drustan, o Skaldi

 

A Busca

Uma vez, na velha Irlanda, uma mulher teve um filho.  Isto acontece todos os dias em muitas ilhas e muitos países. Mas, aquele dia, foi diferente, porque a mulher se chamava Modron (Grande Mãe).

O filho, como em qualquer lugar, nascera de nove meses, mas, ao invés de chorar no parto, sorriu e nos saudou com olhares vivos e reluzentes de alegria e sapiência, o que logo nos cativou.  O pequeno se tornou o carinho da vila e, como acontece todos os dias, em muitas ilhas e muitos países, passamos a cuidar da linda Modron e do seu cativante Mabon (Grande Filho).
Mas, na alvorada do terceiro dia...espanto!  Mabon sumiu.  Como infante tão pequeno de três dias, teria rastejado para fora de casa, para fora da vila?  Todos nos endireitamos para a busca.  Anoitece, amanhece e no meio da tarde do segundo dia, alguém grita: “Modron também sumiu!” O desespero era, agora, nosso senhor.
Raiava a terceira manhã, íamos inconscientes, reunir-nos na colina mais alta do condado. Seria determinado termo à busca, mas, no repente, lá de cima, uma voz gritou: “Corram, Venham! Achei!
À sombra d´um pé de visgo, repousava a linda e feliz Modron. De novo, com o ventre inchado de nove meses.  Dali, por sob as vestes, vinha uma luz delicada, límpida e morna acompanhada das risadas que tão bem já conhecíamos.  Ele nos pregara um mono. Mabon estava de novo no ventre de Modron.
Esta é uma das lendas que ilustram o Sabat Inbolg (No Ventre), que, no firmamento sul, ocorre em três de agosto.  Mas, hoje, gostaria de usá-la para explicar outra coisa.
Danna, a Mabon desta lenda, nos manda para este plano para uma missão primária recheada de objetivos secundários, ou seja, a evolução em vida e os muitos percalços que aqui temos que perpassar até a transcendência final.
Neste meio tempo, também vivemos apenas em três dias: o primeiro, do nascimento até a adolescência; o segundo, da juventude à maturidade e, por fim, o terceiro dia, a velhice com crepúsculo na morte.  A esquizofrênica sociedade mortal não dá acordo disto, mas conosco é diferente; sabedouros dos fantasmas agressivos deste mundo de ilusões materiais, nosso espírito clama o ventre materno, e, como saída, encontra os costumes do Culto da Terra. Mabon, na verdade, somos nós, criancinhas assustadas que tornam ao solo magicko da Wicca, já que dali viemos. É ali que nos sentimos seguros, pisando mais uma vez as campinas amistosas do mundo espiritual.
Esta “inocência pueril” nos permite o descortinar da vida, empatia entre os que nos são caros e, principalmente, a verdade de nossos corações, crianças são, por vezes, cruelmente autênticas, aprendem a mentir quando ameaçadas pela tirania adulta. E nós somos crianças, as crianças eleitas da Mãe Danna e Pai Cernunnos.
Podemos reencontrar o ventre de duas formas – em vida, através do ofício, ou ao fim do terceiro dia, quando com a vida quitaremos a hipoteca do corpo, indo de volta à terra. Ali, ao tempo em que definhamos realimentando a natureza, nos recompomos para reencarnar ou encontrar os deuses pessoalmente lá no útero do cosmos. E, a não ser que você tenha se embriagado da vida cega dos profanos, a morte não será feia e demoníaca.
Supere o medo de morrer! A Mãe Sagrada o fez brilhante.  Temer o fim só lhe inculcará os medos de fracassos em vida, sejam eles quais forem.  Morre-se de vergonha, tédio, ódio, tristeza... medo.  Seja valente e renasça todos os dias, pois, só assim, será o divino campeão, a criança imortal que ressurgiu ao morrer no mundo mortal.
Seja forte, pois os deuses nos fizeram reis e rainhas que governarão com a força da magicka para reinar com “igualdade, liberdade e fraternidade”.

Por Drustan, o Skaldi

 

Lórica
A prece dos celtas que brota d´alma

Madrugada de sábado, quando preparei-me para escrever, liguei o rádio.  No primeiro contato entre a caneta e o papel, a emissora abre a execução da peça “Floresta do Amazonas” de Heitor Villa-Lobos. Coincidência? Eu creio que não, jamais é coincidência.
Como dito anteriormente, a palavra é algo principal no seio do Ofício. A palavra consciente sai do éter da boca e mergulha imediatamente no éter do mundo. É neste momento que esta palavra flui no universo espiritual, subindo qual fumaça de incenso até lá onde estão os deuses
.

A palavra mais apropriada para isto é a da prece.  É por meio dela que selamos contato com as inteligências superiores que criaram a regem este mundo.  Mas, além de nossas preces escritas habituais, que podem ser encontradas em vários dos livros que nos são próprios, temos o tipo de prece que para mim é a mais bela, a Lórica. A Lorica é o antigo modo de orar de improviso usado pelos celtas.

Como entre nós voga o pensamento que prega o nosso contato com o divino a todo momento e em cada ação ou pensamento, é lógico que se vá deixar as forças do coração e do fígado rebentarem, manifestas por meio da vocalização, mas já que o coração não obedece regra, é normal que vem o fato da Lorica ser imbuída de um repente cheio de emoção e, sinceramente, é o que os deuses mais gostam de ouvidar.
Não raciocine, nesta hora a mente lhe promoverá um bloqueio que nos deixa a princípio desnorteados, depois mudos e por fim frustrados. Apenas comece dizendo “Ó sapientíssimos deuses que tudo criaram, tudo vêem e tudo sabem...” Daí para frente e com seu espírito, solte as amarras e deixa o barco singrar o rio pela condução da correnteza.

Costumo abrir as mãos e deixá-las estendidas relaxadamente no ar, o que já provoca algum trânsito de energia, e, quando começo a ser ouvido, sei que sou sempre ouvido, posso sentir o toque suave de mãos invisíveis.  É como se vários outros espíritos viessem comigo rezar.  Então, a corrente está completa.

Também dou atenção à direção. O altar de meu domicílio é posto de tal forma, que me faz estar sempre endireitado para o Portão da Torre do Leste, já que é por esta porta que raiam o sol e a lua, é óbvio que nesta torre nasça toda a luz. Mas quando quero prestar diálogo com os espíritos naturais ou me encher com as forças da Terra, viro-me para o Portão da Torre do Norte, pois é ali o nascedouro das forças do chão da montanha.

Numa noite em que organizava um seminário sobre Runas com outros bruxos, pedi que os irmãos, antes do início dos trabalhos de elaboração, se virassem para o Norte, e que cada um por vez fizesse uma parte da Lorica coletiva; foi belíssimo. 

Todos, ao fim da prece, relataram sentir uma delicada onda de calor, fluindo em sua direção.  Aquilo fez-nos transpirar, mas estávamos surpreendentemente centrados e convergidos; o grupo mostrava grande disposição física e moral elevadíssimo.
A Lorica também produz efeitos dos mais diversos, apenas depende do que é falado, mas sempre algo se manifesta em nosso plano.  Isto pode ser constatado numa cena do filme “Rei Arthur, onde Lorde Percival faz uma troça com um padre, parodiando o modo católico de rezar de forma a parecerem humilhados e impotentes.  Ajoelhar, suplicar, postar mãos em poses deprimentes... Isto é errado entre nós, pois, nosso panteão nos ensina um tipo de orgulho límpido e inocente, só encontrado entre os que vivem de forma digna.

Por fim, lembrei-me de algo imperioso. Nada de mudez, fale em voz audível, sempre. Pois recordo, eles precisam ouvir. Eles gostam de ouvir, eles nunca deixam de ouvir.

Por Drustan, o Skaldi

 

Medos e demônios

Se há um assunto controvertido, tanto fora quanto dentro do Ofício, são os efeitos e causas do medo; este monstro invisível pode ser senhor ou cliente dos homens.  Senhor, pois, pode tranqüilamente escravizar, submeter e paralisar; já quando em situação de cliente, o medo em suas várias graduações vira o cordão que anima aquela marionete atada à nossa mão.

Destemor não há, em ninguém: isto só funciona para três “personagens”.  Aquelas da ficção, os tolos bípedes e os leopardos quadrúpedes.
Os demônios míticos greco-romanos, Deimos e Fobus (Pavor e Horror), têm amplo reinado, mesmo no mundo moderno, são ainda tão presentes que o nome latino de horror, fobus, deu origem à palavra fobia.  Por conta do medo, já presenciei cenas tétricas.  Já vi homens ficarem hirtos, indefesos, se ajoelharem ocultando a cabeça entre as mãos e que, soluçando estericamente, clamavam a presença da mãe; sempre a mãe.
Podemos, sem pensar nomear mortais que seriam excelentes filid, mas não o são por medo, receiam dormir vigiados por algo cornudo e mal-cheiroso, que lhes viriam puxar os pés durante o recesso do sono.  Deplorável. Como pode alguém em sã consciência temer as pedras na senda da evolução?  Fiquemos em paz, o destino final é sempre A Mãe Eterna.

E já que falamos de demônios, volvamo-nos, pois, até eles.  No tomo Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum), os professores da inquisição(1) reproduziram o trecho bíblico no qual se diz que “Demônios são seres formidáveis, pois são criados para terem medo de nada” Mentira, desconhecimento, engodo; mesmo o que já morreu teme.  Não temos “demônios” na cultura wiccana, sequer temos inferno.  Mas, como seres inferiores existem em todo lugar... saibam que eles também conhecem o medo; óbvio, preferem manejá-lo, mas quando um bom file se aproxima de “armas” em punho, não há fomoir (2) que mantenha a impáfia.  Uma vez presenciamos a carreira de toda uma colônia de obsessores que fugiam das conjurações de um filii.
Já que não estamos livres do temor, faz-se mister aprender o autocontrole e o conhecimento interior.
É imprescindível que saibamos das nossas possibilidades, é por vezes fatal abusar dos limites; mas é quando o medo tolhe o cumprimento do dever?  Aí é o turno do autoconhecimento.  É o momento de simplesmente deixar o medo passar. Não podemos nos agarrar a este personagem intrujão. Mantenhamos a mente aferrada contra aquilo que se materializa à nossa frente, pois não há mal intransponível, daí para frente é só começar.
Isto não é somente para cerimônias, mas para qualquer coisa em vida ou, até na morte.  Ser guerreiro é ser valente, braço forte e mente abeta são predicados necessários para a sobrevivência do corpo e do espírito, ai daqueles que pensam que os problemas terminam com o último fôlego. Existe por aí toda uma claque de espíritos inferiores que malcinam contra tudo que é nobre e belo, mas é só lembrar que nada resiste a um coração forte e a uma espada consagrada na boca(3), até a pior larva astral(4) tomba, até Zulo(5) foge.

Por Drustan, o Skaldi

NA.:
(1) Os monges dominicanos Heinrich Kramer (Alemanha) e James Sprenger (Inglaterra).
(2) O lado mal-intencionado dos elementais, semelhante aos titãs greco-romanos. Eram forças naturais poderosíssimas em estado de fúria. Estavam presentes nas catástrofes naturais, pois eram seus agentes e promotores.  Também existem fomoirs humanos que são puramente negativos e danosos.
(3) Em alguns rituais de magia hermética para exorcismo, faz-se o demônio ajoelhar e abocanhar a ponta de uma espada consagrada para subjugá-lo.
(4) Conjunção crescente de energia negativa; é independente e racional.  Procura obsedar coisas vivas para alimentar-se de energia e crescer. Tem comportamento similar à larva de mosca. Daí seu nome.  Pode, também, ser um espírito humano desencarnado, o que dá origem a uma subespécie de vampiro, gerando o conhecido fenômeno de “vampirismo astral”.  Na Wicca, são conhecidas como “As Sombras Mortas” ou, simplesmente, “sombras”.
(5) Espécie de licantropo irlandês, munido de instinto assassino. É longilíneo, sem pelos, vértebras salientes, olhos totalmente negros, assim como a pele e tinha por armas os caninos e garras avantajados. O zulo podia ser a maldição divina contra maus sacerdotes de qualquer espécie, adúlteras, assassinos ou larvas astrais.  Habitavam florestas e pântanos aparecendo em noites de lua cheia.

Fontes bibliográficas
Satanismo e Demonologia. Wier Jean Stanisnas. Ed. Ciências Ocultas.
Dogmas de Alta e Baixa Magai. Eliphas Levi. Ed. Ciências Ocultas

 

 

Roda Viva

Existem certas épocas da vida em que nos vemos em momentos periclitantes.  Simplesmente, tudo parece ruir e aquilo que tocamos se torna pó.  Daí somos forçados a investir força na criatividade, para desembaraçarmo-nos de situações que trazem perigos variados e de grande monta.
Isto é a roda viva, o granizo em teto de vidro.  Eternamente a vida dá voltas e nos prova de tempos em tempos.  Há nisso dois aspectos, o karma e o fim de período.
O karma consiste numa série de ações que, como na física, terão reação de igual força, só que em período posterior, geralmente indefinido.
Já o fim de período pode ser o fator mais traumatizante em uma série de mudanças, já que não há como mensurar o tempo de permanência das coisas e pessoas em nossas vidas.  Esse granizo traiçoeiro por vezes age de chofre promovendo o sofrimento e a perplexidade.  Mas para isso há segura explicação.
O Alfabeto Rúnico
No ancestral alfabeto wiking, as Runas, há um glifo de nome Hagalaz que é também chamado de Granizo.  Daí vem o norte desta explanação.  Lógico. Existem coisas e pessoas que nos são em extremo caras, por isso não as queremos apartadas de nós, mas, mesmo o vinho fino avinagra e dá prejuízo ao taberneiro.  Na vida é igual: quando um ciclo tem seu termo, é assaz arriscado carregar bagagem velha para o novo patamar, que deve estar limpo e arejado de pesos. É como a borboleta a querer morar no casulo de seus dias de lagarta, ou colecionar na mochila uma pedra de cada estrada pela qual se passa. Casulos não comportam asas, e o peso acumulado partirá as alças da mochila.  É nocivo carregar idéias da infância para a maturidade. O mundo dos miliesins(1) fará questão de nos tragar.
Não nos ensinam na escola que temos de mudar de residência, que somos demitidos do trabalho, mudar de escola ou que o brinquedo preferido quebra.  Pior, ainda, ocupada com suas fantasias esquizofrênicas de vida normal, a sociedade não nos explica que as pessoas também passam.
Nossos pais morrem, parentes e amigos se afastam e a maior das dores, os amores, acabam. É ... acabam.  Não está escrito em livro algum que ninguém continua a nos desejar por perto depois que o gelo do tempo corrói a paixão, e aí começa a hostilidade e as muitas formas de desrespeito.  Pobres de nós que somos crianças cegas!
Mas os deuses, magnânimos em sapiência, sabem dessa tendência conservacionista dos homens.  Assim sendo, para cortar tais correntes, usam os machados da vida e deixam o peso quedar livre no abismo do esquecimento.
Repare bem, muitas vezes quando nos livramos de algo antigo sempre sentimos um alívio. É como abrir os braços no topo de uma montanha.  Talvez, às vezes, nas profundezas da mente, você agradeça por alguém não lhe telefonar mais, pois vocês na tinham nada mais em comum.
Se insistirmos em atar certas coisas a nós, elas se amalgamam em nossa pele. Lógico que para remover isto é preciso bisturi afiado.  Depois de algum tempo livres, sentimos o caminhar leve e agradecemos, afinal, “há males que vêm pra bem”, mesmo que a princípio existam lágrimas e dor, o novo dia vai raiar.  Mantenha a chama da fé. Na dúvida, entregue aos deuses e sinta a mente ficando leve, veja seu espírito ficando liberto.  Como foi dito pela personagem Gandalf, em Senhor dos Anéis I “Às vezes nem o mais sábio pode ver tudo, pois em certos momentos lhe falta a amplitude na visão”.  Então saiba, que não haja peso, para não haver dor.  Esperamos que estas sejam as palavras certas pra o seu momento.
“Se lembra
quando a gente
chegou um dia
a acreditar
que tudo era pra sempre?
Sem saber
Que o pra sempre,
Sempre acaba”
Música: Por Enquanto
Álbum: Dois
Banda: Legião Urbana
Por Drustan, o Scaldi

N.A.
 (1) miliesins vem do gaélico. Significa “filhos do mil”, referente à população humana mortal.

Fontes:
BLUM, Ralph. Um livro de runas. Bertran Brasil. Brasil, 1992.
VIVEKANANDA, Swami. Karma Yoga. Pensamento. São Paulo, 1972.

 

A Busca

Talvez estejamos todos um pouco perdidos. Constantemente, há uma sensação de vazio, um desnorteamento. Então se pergunta, o que fazemos aqui, por quê? Sinceramente, isto nos acomete quando somos derrotados ou perdemos algo. É horrível sentir peito e mãos vazios, ainda mais quando se busca algo que nos faz muita falta. Persiste então a pergunta, e se eu jamais encontrar?

Quanta angústia! É como caminhar em solo seco, com as armas guardadas no alforje e puxando o cavalo pelas rédeas.  Nesta hora, até o peso da armadura incomoda. Onde ir? Onde está? Como é?  Seja qual for a sua busca, há um alento.
Converse com outras pessoas, ao longo do tempo será fácil constatar; há muitos outros indo e vindo pelo mesmo deserto, acoçados pela mesma sede, buscando a mesma coisa.  Só que a dúvida pesa tanto, dói tanto que não nos entrevemos, mas estamos todos aqui, indo e vindo na mesma jornada.  Irmãos, a vida é um ato de fé, os tesouros buscados estão em algum lugar dessas terras estéreis.  Mas ao encontrá-lo e abrir a arca, veremos que o buscado é parte da vida.  Assim sendo, sempre nos pertenceu, e enquanto o buscávamos sofrendo, o tesouro sofria por esperar.
A tal angústia é um chamado mútuo e mudo, mas que só o coração pode ouvir.  Reze aos deuses sagrados, eles sabem o que é e onde está, e mostrando fé, lhe darão em segredo o rumo certo, encurtando a caminhada e o buscar.
Se quiser, relaxe, pare um momento e abra os olhos.  E você verá a mim e os outros; todos nós e os deuses, talvez nós tenhamos o que você quer e vice-versa, talvez possamos caminhar juntos o mesmo rumo.

“O que há de vir tem muita força.”
“O que se vive de verdade nunca termina.”
“Teu medo é a justa medida de tua coragem.”
Série de TV: “Hoje é dia de Maria”
Por Drustan, o Scaldi

Fontes:
1) BHAGAVAD GITA
2) O Livro do Tao

 

Dobrando os Sons

Em qualquer atividade mundana, vemos sempre códigos escritos ou sinalizados, que ajudam as pessoas a melhor se orientarem durante os seus afazeres. Temos manuais, placas de sinalizações, cores e mais um sem fim de outros meios indicativos, que, através de leitura ou sinalização nos mostram o que fazer e quais são as condições de desempenho naquele momento.
Dirigindo um carro, um motorista vê uma placa com uma seta apontando para a direita, mas o sinal tem uma linha vermelha trespassando a seta. O motorista já sabe que é proibido virar à direita.  Passeando pela calçada, há um cartaz que anuncia a peça de teatro que nos interessa: ali está escrito local, horário e valor do ingresso; já sabemos o que fazer para prestigiar o espetáculo.
Tudo na vida é assim, com indicações escritas ou criptografadas, que nos dão a dica do melhor modo de obter sucesso em uma determinada ação. Na Wicca, nas magickas em geral, também há o conceito sobre sinais. Sinais estes que são o indicativo de nossa vontade frente a uma energia que será trabalhada, ou alguma forma espiritual de inteligência que será conclamada a nos assistir em uma empresa.  No nosso caso, isto se faz ainda mais necessário, pois são poucas as pessoas que conseguem manter um diálogo com uma entidade, já que não podem vê-la ou escutá-la; daí a necessidade de um código convencionado, entre homens e espíritos.
Disso advém toda sorte de escritas magickas; ritualísticas, oraculares, etc...
Os antigos costumavam dizer que escrever era um dom divino, pois quem escreve pode dobrar o som, e isto é lógico e muito inteligente, porque ao escrever, dobramos o som primordial da palavra – que é sagrada, na curva da letra. Quanta arte há nessas coisas!  Até por isso, quando o mundo começou a escrever, toda forma de escrita era sagrada, todo o som dobrado em papel ou barro, dava luz ao espírito de quem o avistasse, e mais ainda se compreendesse o que ali estava grafado, mesmo que fosse uma letra só.
A este seleto grupo de alfabetos ancestrais pertencem o Ogam dos celtas, a Runa dos vikings, o Hieróglifo dos egípcios, o Kanji dos chineses e japoneses, o Sânscrito dos indianos e uns outros poucos alfabetos ancestrais. Mas por obra do destino, a necessidade de comunicação falou mais alto, e a palavra escrita teve de se disseminar entre os povos, e precisávamos de um alfabeto comum que pudesse ser compreendido por qualquer um, apesar das diferenças lingüísticas, as particularidades deveriam ser sobrepujadas em prol da comunidade.  Desta feita, nasceu o alfabeto itálico que se tornou padrão no mundo inteiro, mas nem por isso, a palavra escrita perdeu seu lugar, existe ainda em qualquer lugar do globo, a arte da caligrafia.
Para não abandonar de todo o conteúdo mágicko da letra, os primeiros calígrafos compuseram as iluminuras, que são aqueles tipos emoldurados e pintados artisticamente no início de textos antigos.
A figura central era sempre a letra, mas em volta de si, ela trazia figuras que centravam seus antigos signos magickos, mas mesmo a iluminura sofreu adulterações, e ao chegar nas mãos dos monges copistas que se embarafustavam pelos mosteiros medievais, as iluminuras forma reduzidas a meros enfeites de folho.
Para não sofrerem a mesma sina, vários alfabetos “sumiram” no tempo.  Os que permaneceram foram amplamente modificados. Podemos tomar por exemplo as runas, que vagaram por toda a Europa.  Originalmente, este alfabeto tinha vinte e quatro glifos, mas vários povos se permitiram modificá-lo.  Na Grã Bretanha chegou a alcançar o incrível número de trinta e seis caracteres.  Na contramão, os alfabetos “sumidos” se preservaram, mas além de serem difíceis de achar, proporcionam esforços estóicos a quem tenta manejá-los, sendo assim uma tarefa meritória de um bom historiador ou de sacerdote ávido.
Por essas e outras, o tempo e a necessidade criaram símbolos específicos para serem utilizados com amplitude nas magickas existentes setas, curvas, raios e por vezes desenhos com formas bem definidas, quer por polígonos geométricos ou desenhos de objetos, animais e até pessoas; exatamente como se fazia na pré-histórica escrita rupestre, que é a mãe de todos os alfabetos místicos.  Para um leigo, uma linha reta horizontal é só isso; mas para nós pose ser a identificação de um plano cósmico, ou o glifo magicko para estabilização de forças.  Lembra daquela seta apontada para a direita que o motorista viu? Tire a tarja vermelha e pergunte a um filid o que é aquilo... a surpresa será vivificante.
Cada linha, cada curva, cada ponto tem seu valor. Misturá-los é compor um símbolo, e por vezes um feitiço completo. Mas isso, só conhecerá quem tem índole, só chegará aos eleitos dos deuses, visto que é conhecimento outorgado por Eles.
Estuda e medita sobre estas coisas. Alcançando a compreensão e uma visão acurada, você será capaz de ver que os deuses nos escreveram em cartas que estão no arco de pedra, na aresta do cristal e no pontilhado das estrelas; toda a forma natural é fonte de escrita magicka, e traz em seus glifos a quinta essência de seus elementos.
Observa a natureza para ler o conhecimento, e as palavras de amor que nossa Mãe nos deixou. Enxerga na letra o conhecimento da natureza que nosso Pai criou.

Drustan, o Scaldi
Fontes:
Saraceni, Rubens. Iniciação à Escrita Mágica Divina. Madras, Brasil, SP, 2000
Blun, Ralph. Um livro de Runas. Betrand Brasil, E.U.A., 1982.

 

Geis

O titulo é uma palavra em gaélico e significa costume ou proibição. Trata-se de um conjunto de leis peculiares e extremamente flexíveis, mas na prática são de difícil cumprimento, o que exige bastante dedicação.
Os geissa (plural do título, geis) são, em verdade, um código ético, que obedece a parâmetros de acordo com sua nação, região, status social, profissão, sexo... Enfim, basicamente cada indivíduo seguia um conjunto de regras que culminavam com algumas cláusulas feitas para si, desenvolvidas por si.  Por isso mesmo, além de muito útil, essa constituição individual era difícil de obedecer, já que essas leis visavam sua melhora de acordo com sua condição particular. Quebrar essas regras significaria agir contra si mesmo, a sociedade e os deuses. Por isso mesmo, nós, o povo do ofício, não precisamos de cousas como tábuas da lei, doutrinas, mandamentos e afins. Sabemos intrinsecamente nosso lugar nesta terra e nossos deveres para com o alheio.
Um bom exemplo para começar, é um geis que ficou famoso entre as populações greco-romanas, o Juramento de Hipócrates ainda hoje é utilizado por médicos do mundo inteiro. Os vários tipos de juramentos à bandeira trazem em si os valores que um indivíduo deve sempre ter em mente com relação à sua pátria.  Mas a essa altura, você já deve estar conjecturando sobre a conexão entre os geissa e o ofício: é bem simples. Como citado, nós não temos uma “legislação” oficial na arte, exceto por dois artigos, A Rede e o Tríplice Retorno.
A Rede: tudo no universo está conectado a tudo. Tenha sempre ciência das conseqüências de seus atos e saiba que todo o ser vivo e todo objeto inanimado pertence ao macrocosmo universal.
O tríplice Retorno: tudo o que fizer lhe retornará com força três vezes amplificada.
Estes são os dois únicos Geissa que todo filii deve obrigatoriamente seguir.
Na Wicca moderna foi convencionado que, nas páginas iniciais do livro das sombras de todo oficiante, obrigatoriamente deverão ser escritas as “diretrizes”, que são o conjunto de regras éticas que aquele indivíduo irá tomar por pauta. Agora, além de saber com exatidão o que é isto, você também sabe que o verbete tradicional para diretrizes é a palavra geissa, lembrando que tradições são coisas intangíveis, que por serem convencionadas pelos deuses, servem como correção e precisão ao seu propósito, a nós basta segui-las conhecendo seus fundamentos e razões.
Para ilustrar, exponho e explico alguns geissa tradicionais de algumas populações da antiguidade.
Na Irlanda. “Um rei jamais devia pronunciar-se antes de seu druida quando em reuniões diplomáticas”, pois isso evitava que um soberano irritadiço pronunciasse algum impropério que desse vaga a uma guerra.
Também na Ilha Verde, os guerreiros diziam que “um guerreiro ferido não deve deitar-se com mulher alguma até que esteja totalmente recuperado”. É lógico, pois além do repouso absoluto, sabemos que o sexo é uma troca de energias, e nada é pior a um doente do que receber energia provavelmente impura e doar o pouco que lhe resta, delongando a convalescença e em caso de doença, aumentando o risco de contaminação.
Todos os soberanos celtas sabiam que “os guerreiros estrangeiros que vêm em seu socorro, em caso de vitória, jamais devem ser pagos em dinheiro, recebendo assim armaduras, armas, gado, terras e talvez uma pequena porção de ouro”, para evitar que agissem como mercenários. Honrar os amigos com presentes é sempre melhor do que fomentar um espírito interesseiro.
Os magos e bruxos da era medieval juravam que seu coven “Não revelar teu nome e teu rosto, a não ser àqueles do Ofício!” Alguém aí sabe o que é sofrer preconceito ou represália por ser diferente?  Este velho geis está no meu Livro das Sombras, um outro que eu gosto muito, e foi composto por mim, e diz que “sua casa, local de trabalho e demais ambientes de convivência, devem sempre estar metodicamente limpos e arrumados”.  É sempre bom chegar em casa e ver tudo em seu lugar e livre de vermes e bactérias.  Sem mencionar os espíritos de baixa ordem sempre habitam lugares desorganizados e sujos, e eu não vejo motivo para conviver com tal camarilha sobrenatural.
Agora que você tem consciência sobre o que é, e como é um geis, procure os seus na Tradição e também os de autoria própria, mas, ao fazê-lo, saiba que amenidades são estradas que levam a lugar algum, frugalidades não regam semente.
Por Drustan, o Scaldi
30/08/05
Bibliografia
MERSEY, Daniel.Guerreiros lendários. Ediouro. U.K.Londres, 2000.
LAUNAY, Olivier. A civilização dos celtas. Editions Ferni, Suíça, Genevre, 1975.
CUKULAIN, Kerr. O guerreiro wicca. Madras, EUA. St. Paul, 2000.

 

O Bravo

O dia está claro e morno, não há bruma que atrapalhe a vista e o topo do aclive é dominado pela sua tropa; os vikings que desembarcaram há pouco na praia estão em menor número – já que eles eram 80 e você veio com 120 – e por isso estão sendo rechaçados com facilidade e sem necessidade de grandes manobras.  Tudo está tão fácil que você já sente vontade de dar meia volta com o cavalo e regressar ao seu tabernáculo, passando o comando aos oficiais subalternos, você toca o cavalo e inicia a saída, já que não há muito o que fazer. Mas...!
O estafeta lhe toca o ombro e avisa que há um novo desembarque, você olha a praia e na areia avista uma vintena de homens que saem da água berrando guturalmente, não usam armaduras ou escudo, vestem apenas peles de urso e nada mais, trazem belas espadas, machados longos ou de duplo fio, lanças, manguais e maças.  Você fica para ver. O que vinte podem fazer contra cem?   O que a sua semi-nudez vai fazer contra as armaduras e o treinamento? Nada!
Eles se unem ao tumulto e começam a operação. No princípio alguns dos seus são violentamente mortos. Um, dois, três; disso não vai passar; onze, doze, treze; seus soldados devem estar ficando moles; dezoito, vinte e um, vinte e quatro; a piada perdeu a graça.  Num espaço de pouco mais de meia hora, os vinte aniquilaram sua tropa, reagruparam os invasores aptos e todos os vikings que restaram estão de pé, olhando para você e já esboçando a intenção de ataque; entre você e eles não tem mais ninguém, a não ser a grama no chão e o vento no ar.  É correr ou morrer! “E agora, José, para onde?”
A narrativa acima reproduz a ação de um tipo de guerreiro viking, chamado Berseq, eram assim chamados, pois após o início das atividades, o difícil era contê-los, daí o nome que significa desenfreado.  Ao se sagrarem, esses homens juravam a Woden (Odin) que jamais negariam combate, não importando a ocasião, nem o inimigo.  Demonstrando maior bravura, combatiam nus, apenas maquiados para guerra e trajando uma pele de urso para adquirirem uma força animal; não usavam escudos, já que sua fúria os impelia apenas ao ataque.  Tudo para ostentar orgulho e coragem na morte em refrega.
É um exemplo esdrúxulo, eu sei, mas está aqui só para ressaltar uma coragem inabalável, que, sinceramente, nos falta a maior parte do tempo.
Já comentamos nesse espaço, em outra ocasião, sobre o medo das surpresas que nos chegam em vários momentos, mas agora abordamos um tipo de medo mais corrente e que por isso passa despercebido: o medo da vida, e o medo da morte.
No fundo, os dois são a mesma coisa, é como percorrer uma estrada desconhecida sem mapa de mão, e o pior é que aquele que lhe impôs a caminhada não avisou onde tal senda termina.  Como todo o ser humano busca a estabilidade, isto se torna uma situação insuportável só de imaginar.  Talvez por isso mesmo o vulgo prefere a rotina e até mesmo algumas formas de engodo.
E mais que natural um extinto de auto-preservação,  mas vemo-lo exacerbar-se em muitas pessoas, que com a desculpa de viver intensamente, cometem atos de irresponsabilidade e não assumem, jamais,  o seu papel social, o que torna mais pesado o fardo daqueles que “trabalham” próximo de alguém assim.  Se uma formiga não faz a sua parte, obviamente, os outros operários da comunidade, terão maior dificuldade em cumprir uma tarefa.
Correntemente, observamos miliesins que apenas desejam um trabalho estável, um casamento, filhos, um carro na garagem e algumas traquitanas amontoadas dentro de um imóvel próprio.  Num segundo caso, assistimos aqueles que gostam de se manter no centro das atenções, usando de toda sorte de subterfúgios, que o mantenham na boca de cena.
Há aquela terceira espécie mais comum que bongam por todas as danceterias da cidade, perseguindo música alta, álcool e adulação barata, dançando amontoados, no compasso de música percutida (mesmo que eletrônica), ignorando o que há em volta; pulando e cantando coisas incompreensíveis sob uma luz bruxuleante.  Juro que a mim mais parece algum tipo de ritual aborígene disfarçado sob os recursos da eletrônica.
Todo o escapismo é válido na tentativa de não observar a passagem da vida e a aproximação da morte, omitem-se para forçar outro a burilar a pedra.  Mas que mal á em constituir família, tornar-se conhecido ou ir a um clube noturno? Nenhum, desde que isso não seja seu ópio.  Não tendo recursos para compreender a profundidade da vida, muitos revestem sua inapetência como acham mais fácil.
Mas isso tem um custo que é maior que aquele demonstrado pelos olhos da matéria. Basicamente, a vida é um aprendizado e um teste “in loco”, na prática.
Basta ir aos bancos escolares para presenciar o preço pago pelo estudante negligente; seu futuro, sua visão, seu crescimento e tudo mais.
Como file, me sinto obrigado neste tópico, me é deveras doloroso assistir impotente, as pessoas renunciando sua evolução por falta de garra e coragem, por mais que se diga o contrário, aquele que não labora involui, e isto o distancia da espécie humana, e nada pior do que uma fera solta no galinheiro.  É por isso que vários filid costumam brincar dizendo que pessoas normais são assustadoras, só quem tem o olho da água ou já foi vítima das aparências sabe o que um rosto dócil oculta, o maior sinal da tempestade é a inércia da natureza.
Só há uma forma para se livrar de uma vida maldita e vazia: o conhecimento.  Quem sabe decifrar os segredos pode entender a profundidade dos fatos, existem muitos aspectos para serem estudados e numa bela pintura, é reconfortante saber a causa de algumas coisas, existem duas formas de explicar a chuva; a ciência da matéria e a ciência do éter.  Ambas têm seu valor, mas o sábio conjuga ambas, para ser rei, deve-se conhecer a terra e as usanças do povo, só o conhecimento pode coroar um mendigo, fazê-lo crescer e brilhar.
Para se libertar a mente precisa saber voar, precisamos aprender sempre; com dedicação e disciplina, seguir sempre entendendo lá o que for.  O hedonismo é o grande instrumento de poder da ignorância, e o espírito que se deixa conduzir por ele, se dirige a um grande lamaçal podre.  A escuridão mora dentro de nós, e temos de nos abrir as luzes dos poderes divinos, compartilhar com eles a sua consciência, comungar da onisciência.
Isso é o que faz transformar homens em deuses.
“Não viva por prazer
Faça de sua vida um tesouro.”
Música “The Sign of he Southern Cross
Banda Black Sabbath
Álbum: Mob Rues
Por Drustan, o Scaldi

Referências:
Levi, Elifas. Dogma e Ritual da Alta Magia. Pensamento;
Karde, Allan. O livro dos espíritos. Federação Espírita Brasileira. França, 1857.

 

Avesso do Avesso

Dias atrás, alguém me abordou, vinha ele muito descontente.  Afirmava que nada ia bem e punha a culpa nas energias planetárias.  Completou as queixas com uma tese na qual ele acreditava que nosso país está em uma zona negativa, e por isso, ele teria de fazer seus chakras girarem ao contrário, e assim obteria a sintonia e sucesso almejados.  Fiquei Chocado.
Em parte, a teoria do descontente está correta.  Sim, o Brasil está mergulhado num campo negativo-passivo do globo terrestre. O fato é que, como num círculo “mágicko”, o planeta também tem seus pólos, e por isso influencia tudo e todos que aqui estão.  Mas também isso não e a razão absoluta deste período aziago que passamos hoje.
Como mostrado no diagrama, a orbe tem todo um trânsito de forças, há uma corrente positivo-ativa, portanto criadora-aglutinadora, que emana do Norte e do Leste.  Existe uma corrente negativo-passiva, que vem do Sul e do Oeste. São forças passivas, latentes, que não têm atividade própria e por isso precisam ser postas em movimento, se mantidas inertes, com o tempo começam a diluir o que tocam até provocarem a estagnação.  São essas últimas que influenciam mais fortemente o país; e provo.
Aqueles que têm costume com Cabala, possivelmente já leram o trânsito das luzes no livro de Enoch, de forma cifrada.  O pai de Matusalém descreve as circum-navegações solares e lunares, sua importância e efeitos.  Nota-se que o capítulo 70 (que trata este tópico), afirma que as forças criativas saem do Leste e as dissolutivas do Oeste, e surtem efeito na Terra por meio dos ventos oriundos dos portões e janelas das luzes.
Caso usemos a geometria pitagórica, passaríamos dois triângulos com base na Linha do Equador e com as pontas nos pólos magnéticos (como no diagrama) e veríamos o sentido das forças correspondentes ao Norte e ao Sul.
A roda do ano wiccana também aparece no diagrama, se compararmos suas estações com o trânsito de forças nos pontos cardeais, constataremos que o Brasil está no quadrante correspondente ao inverno.
Por essas comparações, verificamos uma única coisa; a Grande Nação Eterna, a Pátria do Cruzeiro do Sul, é um gigantesco caldeirão magicko, cheio de poder latente mas que precisa ser mexido adequadamente para movimentar e disseminar suas forças.
Mas e a segunda parte da teoria do nosso amigo desesperado?  Vamos a ela.
Como é notório, os sete chakras do corpo humano giram em sentido horário, apresentam sua face positiva na frente, e excretam sua negatividade pelas costas.  Se alguém conseguisse inverter o giro dos chakras, inverteria todo seu sentido de vibração.  O negativo das costas viria para frente, logo qualquer um vivo ou morto que o visse, o tomaria por ameaça eminente digna de aniquilação.
Sua aura de expiração passaria a inspirar e se compactar; é o que acontece com pessoas em estado terminal ou obsedadas, em suma, seria uma caminhada lenta e dolorosa para a morte.  Mos o pior deixei por último.
O corpo humano está em meio à matéria e vibra com matéria para que possamos interagir fisicamente neste plano.  Inverter vibração de matéria fabrica... sim! Anti-matéria, quem fizer isto se tornará um buraco negro falante.
Há no alfabeto wiking das runas um glifo chamado Laguz, é a runa das águas.  Meditando em Laguz, aprendemos que o rio da vida não pode ser represado ou transposto, pois a água sempre irromperá o dique e voltará ao seu curso original para chegar ao seu destino final.  Nossos sagrados pais não nos fizeram para que vivêssemos na mendicância universo afora, por mais que seja difícil e doloroso sempre há uma forma de vitória.
Mas temos de trabalhar com as ferramentas que nos são dadas, batalhar com o que estiver à mão.  Filid do mundo, a união é a chave para nos tornarmos imbatíveis, ao sabemos ainda, quantas guerras teremos vencer por um pouco de paz.  Sonhemos juntos para dobrar em um dia a realidade.
É como diz a música, neste dia “o mundo verá uma flor brotar d’um impossível chão.
Por Drustan, o Scaldi

Fontes:
AUTOR IGONORADO.  O livro de Enoch (Evangelho Apócrifo). Ed. Hemus.
LAULOR, ROBERT. Geometria Sagrada. Nova York. EUA. l982.
SARAGENI, RUBENS. Iniciação à escrita mágicka sagrada. Brasil, S.Paulo. Ed. Madras, 2002.
Prabnuda, A.C. B. SWAMI. Fácil viagem a outros planetas. São Paulo Brasil, Ed. The B. Book Trust, 1987.
BLUM, RALPH. O livro das runas. EUA. Ed. Bertrand Brasil, l987.

 

 Lugares

Várias pessoas que recentemente começaram a ler esta coluna, fizeram uma observação. Tara é mencionada em várias ocasiões mas não é localizada e nem descrita, então em favor desta gente amiga hoje abordaremos Tara, aquela que de certo modo é a capital dos ritos antigos.
Como explicado anteriormente, a Irlanda passou por cinco “invasões” colonizadoras: a primeira foi coordenada por Partholon, na segunda onda veio Nemed, por terceiro vieram os Fir Bolg.  A quarta onda é a mais importante para nós. Numa névoa mágicka chegam na ilha os Tuatha de Dannan. É sobre esta gente que fala grande parte das lendas do Ofício irlandês, governaram a ilha por muito tempo e ali viveram suas aventuras, que hoje são as sagas que tanto nos encantam e ensinam.
Mas veio o tempo dos Milliesins (os mortais), e pressionados os Dannan reuniram-se no vale de Tara e subiram suas montanhas, mas quando a colônia dos homens se expandiu por toda a ilha, tornando a situação insuportável, os Dannan se mesclaram com o solo montanhoso e foram dormir o sono dos esquecidos.  Era o Crepúsculo dos Deuses ou Imrahma.  Mas mesmo imersos na mãe, eles continuam a emanar suas forças para guiar seus escolhidos entre os homens, aqueles que seriam seus bruxos e seus druidas, nossos ancestrais e inclusive nós os sacerdotes da moderna Wicca.
Com isso, Tara tornou-se o primeiro e principal “sîd”, ou seja, lugar de repouso de um deus, que portanto é sagrado devido às emanações do seu ocupante.  Sabendo disso, ao dividirem a ilha em quatro reinos, os mortais instituíram Tara como reino do meio, ou Meadh.  Este era um reino hipotético, que só existia por Tara ser o grande “sîd”.
Em honra a isso, em época ainda não determinada, construiu-se o Salão dos Banquetes, que tinha por fim a assembléia dos quatro reinos.  Era uma paliçada alta e circular, dentro havia u’a construção de madeira e pedra no mesmo formato, na orla obedecendo suas posições cardinais estavam os salões dos reinos de Vi Niall ou Leinster ao Leste, Ulster ao Norte, Connacht a Oeste e Munster ao Sul. Já no meio ficava o salão do Meath, onde as decisões eram expostas e tratadas entre os reis, sendo que o rei “do meio” era na verdade um mediador e não um soberano.
Tara e seu salão existiram, suas ruínas estão onde hoje é a cidade irlandesa de Meadh, e ainda são objeto de pesquisa de arqueólogos e historiadores.  Dizem as lendas que na última festa do salão, o então rei do Ulster não foi nem mandou comitiva, como se vê no atual mapa da ilha está delineado há muito tempo.
Existem outros sîds de menor porte, como a colina de Allen, residência de Nuadhu – Mão-de-Prata e depois do Rei Finn, White Hill em Londres, e onde está a cabeça de Bran.  São várias as fontes e lagos tidos como sîd.  Mas nenhum deles é como Tara. Lá é o centro, conceito sempre tão importante simbolizado na espiral, ali estão epicentro das emanações que nos inspiram.  Por isso é um ponto de vital importância na egrégora wiccana, afinal é a casa dos deuses.
Por Drustan, o Scaldi
Fontes:
Knight, Sirona. Explorando o druidismo celta. Franklin Lakes, Usa. Ed, Madras, 2000.
Rutherford. Os druidas. Ed. Mercuryo. 1978

N.A.: O salão de Tara ainda hoje é local de premiação que recebe filid do mundo inteiro.

 

A Noite da Criação

É o final de uma tarde cinzenta.  Lá fora a vida corre muda e sorrateira pela janela, não há qualquer perturbação mas mesmo assim estou feliz, está chegando a noite do lughnasadh e acabo de fazer minha lórica em honra ao grande campeão de Tara. Como é bom conhecer os deuses e o tempo da roda!
Em graças a este momento compartilho agora a lenda da Noite da Criação, que, das histórias de liturgia wiccana até uma das menos contadas, mas nem por isso pouco importante.
Conta-se que antes do tempo existir, Danna, a Grande Mãe de todas as Coisas, estava só no universo, era toda poder e auto-suficiência, mas até por isso mesmo viu que precisava partilhar esse poder naquela imensidão. Mas com quem, se Ela era a primeira de todos?!
Pensou, e viu que o certo seria criar um agente que dela diferisse mas ainda assim lhe seria equivalente e complementar, movimentaria assim seu poder de geração.  Ela engravidou de seus pensamentos e deu a luz a um novo deus, o Primeiro. A este filho chamou Cernnunos, que nasceu com chifres que representavam sua coroa de poder divino.
Ela impressionou-se com sua beleza e d’Ele se enamorou. O seu sentimento é mútuo e forte e, unindo as mãos se desposaram, e na núpcia, a Dama novamente engravidou e dá a luz à Terra, que tinha em si mesma o poder gestativo da mãe, por isso é parte d’Ela e como Ela.
Contam os primeiros espíritos elementais que, comovidos de carinho, os deuses se debruçaram sobre sua filha que flutuava em seu berço cósmico; Danna, como a Lua e Cernnunos como o Sol, por isso foi dia e noite ao mesmo tempo, o Sol no Oriente e aLua em ângulo equivalente no Ocidente. Desde então o Pai cuida da filha de dia e a mãe faz igual durante a noite.
Corroborando com isto há fatos. Em alguns pontos da Europa, quando chega a noite do Sabá Samhain, o Sol não se põe de todo e brilha à noite deixando a Terra em penumbra.  Na matéria “O que dizem os Astros”, do Mestre Assuramaya, aprendemos que a Lua Negra se dá “quando a Lua e o Sol estão no mesmo grau da longitude zodiacal. Ambos os fenômenos marcam inícios o primeiro do ano wiccano e o segundo do mês lunar.  Vejam que mensalmente o céu reproduz parte do cenário da lenda.
O relato está completo e foi contado como manda a Terra.  Espero que mais esta fração da liturgia venha a lhes somar n’alma e os aproxime mais dos deuses desta orbi.  Tenham sempre em mente que a Terra não nos pertence, já que somos filhos seus, cuidem-a como mãe que é, pois, quem a destruir com ela fenecerá, mas já que ela é o reflexo imediato de Danna, se refará como que faz em seu útero. Já nós. . .
Por Drustan, o Scaldi

 

Macabra Opereta

Era uma dessas “manhãs londrinas” e eu voltava para casa após os gastos domingueiros. Vinha disperso pela rua quando ouvi um som monocórdio e bastante grave. Mesmo assim, não dei atenção e continuei a marcha. Porém, à medida que caminhava o ruído tomava potência e ficava mais medonho. O som era de um coral que figuraria em qualquer filme de horror; a cada passo piorava, eu já estava de fato assustado quando vi o que era.
Numa igreja, um prédio mal tratado, de fachada encardida, reunia-se, contrita, uma gente tão ofuscada quanto o prédio. O interior estava mergulhado em penumbra e a porta liberava uma desagradável fumaça de olíbano.  
O gentio estava de pé, olhando fixamente para uma parte ainda mais escura onde as únicas luzes eram de lâmpadas que faziam o turno de velas. E o som? Simplesmente a turba entoava sinistramente o “PadreNosso (é assim que eles chamam a prece), numa versão obliterada, em português.  Jamais havia notado que, de longe, o som da missa lembra mais o tal inferno que eles tanto temem.
O proselitismo e o patrulhamento
Recentemente eu passeava em frente ao meu trabalho, durante a hora do almoço, fui abordado por um estrangeiro, trajando terno.  Logo notei que era mórmon. Confirmada a minha suspeita, me vi cercado por um grupo deles, formado por americanos e brasileiros. Lá pelas tantas do debate, um norte-americano me perguntava qual era a minha religião. O espanto foi geral quando me identifiquei como bruxo. Daí, passei a falar inglês e excluí os compatriotas do combate já que além dos norte-americanos eu era o único que manejava o idioma.
Paradigmas, Adonita e Noaquita.
Mais adiante o líder do grupo (desejando me envergonhar publicamente) resolveu que sem um messias, não haveria compreensão real do mistério e isso tornava sua religião indispensável. Aparei e balestrei, redargüi, afirmando que os paradigmas adonita e noaquita (1) são deterministas. Todos paralisaram; afinal, só eu ali sabia dessas teorias, que expliquei entre risos. Ainda disse maldosamente no final: “Estudem mais, crianças, é desagradável um bruxo perceber que sabe mais da sua religião do que vocês que são missionários.”
Casos como estes, infelizmente, são mazelas provocadas por gente que teima em regrar a fé do alheio e “queimar” a espiritualização do vizinho, mas qualquer um lembra do adágio, “Macaco, olha o teu rabo!”.  Enquanto eles insistem nisso, deixam inúmeras falhas pelo caminho.  Vamos ver algumas e rir um pouquinho?
Falhas das religiões
De início, vamos pela Bíblia.  Os ditos “Evangelhos Sinóticos” são quatro: Mateus, Marcos, Lucas e João; o resto é apócrifo.  A mater ekklésia não oficializa outros por serem de fontes duvidosas, contraditórios e não contemporâneos ao Nazareno. Neste meio, estariam, o evangelho de Judas e o de Madalena, mas a lista deveria ser engrossada por Marcos. Este jamais tomou um gole d´água em companhia do Nazareno, pois os dois não se conheceram.
Fontes secundárias
O que Marcos escreveu é de fontes terceiras. No livro de João, o Apocalipse é mostrado ao apóstolo e este recebe ordens para escrever sete cartas a sete igrejas da Ásia (Apocalipse, capítulos de 1 a 3). Noutro ponto, Jesus teria dito a Pedro “Sobre ti farei minha igreja”. Certo, mas igreja vem do grego “ekklésia”, que no coiné original significava assembléia política. O uso do grego vulgar dos evangelhos sinóticos, exceto o de Mateus, o publicano (coletor de impostos), só pode ser explicado porque os discípulos receberam a missão de evangelizar os gentios. Os discípulos entre eles falavam o idioma dos judeus, o hebraico, não o grego.

O nascimento da Igreja Católica Apostólica Romana
Na verdade, a igreja católica é uma instituição que nasce durante a decadência do Império Romano Ocidental. Com a queda deste, firma-se, principalmente, quando alguns reis começam a se converter, mas mesmo assim, é mais fácil dizer que a “igreja” tem dois mil anos, o que é falso.
O tempo passa e a igreja começa a enfrentar percalços na era medieval. Alguns reis começam a contestar as investiduras, o problema é que a igreja acumulara terras demais, e naquele tempo, como hoje, terra era poder. Alguns senhores feudais eram menos influentes que aqueles membros do prelado. Padres começavam a dar ordens políticas. A igreja em alguns lugares tinha até exército constituído!
Tem gente querendo trazer isso de volta, e cada macaco devia ficar em seu galho.
A Igreja Anglicana separa-se do Vaticano
Henrique VIII, da Inglaterra, rompe com o Papa e separa a Igreja Anglicana, da romana porque a igreja estava emitindo ordens, inclusive interferindo nas decisões jurídicas dos tribunais comuns britânicos.  Mas isso é só parte do problema.
Os Dízimos e as Simonias
Desde o século XIII a Igreja também cobrava, em dinheiro, primeiro o dízimo, hoje renascido também em outras mãos, o que é ilegal, segundo a Bíblia, pois nos livros está escrito que somente o sacerdote da tribo de Levi pode receber pelo ofício religioso. Portanto, se o padre ou o pastor não forem descendentes de judeus levitas, já estão em “pecado” grave.  Nós, os adeptos wiccanos, não acreditamos na idéia de pecado.
Em segundo, havia o óbolo de Pedro, um imposto pago pelos católicos só por serem católicos. Cresceram as indulgências e simonias, ambas ridículas.
Com base numa falácia, a lei da indulgência dizia que o Nazareno e seus discípulos, tantos bens fizeram na Terra, que foram ao paraíso com um polpudo excedente de graças, então a sobra foi distribuída entre o papa e os padres para que os fiéis com dinheiro e favores, tomassem uma fração dessas graças, para absolvê-los de seus pecados.  Assim estariam livres de julgamentos e penas eclesiásticas.  Quem paga mais?
A simonia constituía-se na compra e venda de objetos sagrados.  O filósofo alemão Erasmo de Rotterdam (1469-1536) dizia que “havia tantos fragmentos da cruz de Cristo à venda, que se fossem todos colados, com eles daria para se construir uma nau”.  Havia ainda cinco tíbias do asno que levou Jesus para Jerusalém, doze cabeças de João Batista.  Lutero dizia que o bispo da Mogúncia alegava ter “uma libra inteira do vento que soprou para Elias, da gruta do monte Horeb e mais duas penas e um ovo do espírito santo” que, por sinal, era vendido nas ruas da Europa como uma pomba branca dentro de uma gaiola.
Muitos estavam descontentes com isso, incluindo Martinho Lutero, que em 31 de outubro de 1517 pendurou na porta da sua igreja na Alemanha, suas teses a respeito da simonia.
O motivo verdadeiro
Mas poucos sabem que a semente da ira deste padre era outra:
Lutero cursara teologia na Universidade de Erfurt, mas naquele tempo, a tese para a formatura só era aceita pelo sacro colégio se escrita em Latim, e Martinho não era bom em Latim. Assim, este jamais veio obter licenciatura plena, obtendo somente o bacharelado em Teologia.
Também, por influência do clero, a Real Academia de Londres aceitava unicamente teses em Latim, discriminando todas as demais línguas vivas faladas.
Daí, uma de suas queixas.  “A missa não deve ser celebrada em Latim, mas no idioma local.” Pronto, estava oficializada a reforma protestante, que contava com o apoio de nobres e burgueses que queriam enriquecer longe da igreja.
Para combater a Reforma, Paulo III evoca o Concílio de Trento. Este é mantido no papado de Júlio III e se encerra no governo de Pio IV.  A reunião vai de 1545 até 1563.  Nele, funda-se a Ordem dos Jesuítas, reconfirma-se o dogma católico negado aos luteranos, reafirma-se a autoridade católica, o papa é “decretado” o único intermediário de Deus na Terra (ele pode falar com Deus e nós não?!).  E tem mais, o fiel não tem mais livre direito de interpretação da bíblia.  Mas o pior é que neste concílio, é emitida a ordem de continuidade dos trabalhos inquisitoriais e a orientação é para que o Malleus Maleficarum seja tomado como o manual de caça às bruxas
O protestantismo vem de uma premissa falsa, o catolicismo.  Como pode uma premissa falsa dar origem a uma verdadeira?
Pois bem, como se nota, os protestantes também não são os cristãos originais, no sentido da interpretação fiel dos textos bíblicos, como gostam de apregoar.

A “Santa” Inquisição
Existe, atualmente no Brasil, aparecendo na televisão, um padre espanhol (padre Quevedo) que anda a dizer por aí que demônios, exus e espíritos maldosos em geral não existem, (2) e ainda convida os tais espíritos a confrontá-lo. Pois bem, segundo Malleus Maleficarum, o padre é um herege, posto que “deve ser julgado e condenado à forca ou à fogueira todo aquele que alega que demônios não existem.” Isto é um pensamento claramente herético, pois a Bíblia menciona e confirma sua existência.  O padre também incide em crime de nicolaísmo, isto é, quando um padre não ostenta sua condição clerical em público e/ou se comporta mundanamente. Se formos observar a primeira cláusula, o padre é culpado, pois jamais usa “batina ou clerigman” em público, preferindo o terno. Não findando, o tal sacerdote tenta refazer a imagem da “ekklésia”, dizendo que não há mais exorcismos e estes estão proibidos pela bula papal de João Paulo II, mas como vimos em matéria já exibida no www.mensageiro.com.br, o próprio João Paulo II instituiu um curso de exorcismo que tem manual e certificado emitidos pelo Vaticano, e mesmo os laicos podem freqüentar esse curso!
O Papa Bento XVI foi membro da Juventude Nazista bela escolha”.
O livro onde estão estas e outras leis inquisitórias é o Malleus Maleficarum, que foi escrito em 1484 pelo padre alemão Heinrich Kramer e pelo também padre inglês James Sprenger.  O compêndio não só instrui ao dogmatismo, como também lista as torturas adequadas ao interrogatório; o inquisidor é incentivado a garrotear, virar mãos em tornos até 180º afogar, perfurar com a donzela de ferro (3)...  Em alguns lugares foram adotadas variações: os alemães empalavam, já os ingleses gostavam de estuprar mulheres introduzindo-lhes ferros em brasa no ânus e na vagina para satisfazer seus apetites carnais reprimidos.  Na região de Colônia, Alemanha, uma vila teve sua população feminina dizimada. Só restaram três mulheres, uma menina menor de 5 anos, uma idosa e a mulher do Burgomestre (alcaide ou prefeito).
Mensagem aos wiccanos e aos de outras crenças.
Como dito no filme Amistad (que tem uma cena maravilhosa entre os negros e os puritanos na prisão), “deixa nos livre”. Não quero ser morto por ser diferente, sou um clérigo que exerce costumes ancestrais. Eu e todas as pessoas que seguem este modo de vida, esta filosofia; cremos ser filhos diretos da Terra e não um tumor a ser estripado.  Nunca vi santo algum dizer aqueles que não lêem seus livros, devem morrer.  Só quero espaço para ser quem meu espírito me pede para ser.
Por Drustan, o Sacaldi

Notas da Redação:
Em cumprimento à Constituição, a liberdade de religião está garantida no Brasil, onde não há religião oficial.
As opiniões emitidas por colaboradores deste portal podem não ser as do veículo e seus editores.
Do ponto de vista jornalístico, o www.mensageiro.com.br respeita a opinião dos autores das matérias, desde que sejam assinadas.
A intolerância religiosa não é admitida nas matérias publicadas, entretanto a verdade dos fatos não será, de forma alguma, omitida para favorecer esta ou aquela religião e ou seita.
O escritor Drustan é praticante wiccano, (druidismo) que ressurge, hoje, com grande força em todo o mundo, principalmente na Inglaterra. A palavra Wiccacraft do alemão deu origem a wichcraft do inglês  bruxaria.
(1) publicadas neste portal em RELIGIÕES - (2) o parapsicólogo espanhol, padre Quevedo.
(3) Donzela de ferro - um sarcófago em forma de mulher colocado verticalmente com sua parte interna coberta com pregos. Os condenados eram fechados nesse sarcófago onde morriam por transfixão

Referências Bibliográficas.
Enciclopédia Novo Conhecer, da Editora Abril Cultural
Spencer, J. e Kremer H. Malleus Maleficarum. Vaticano, 1484

 

Comunicação e Letras

Volvemos mais uma vez às escritas magickas, com já vimos em outros textos. Existe um tipo específico de escrita para quem pratica o Ofício, mas agora os convido a examinar um outro aspecto dos silfos, sua história, seus tipos e tradições. Isto me veio à mente enquanto um colega de trabalho “pintava” meu nome em alfabeto kanji (Japão). Explico em breve a razão do pintava entre aspas.
A escrita magicka surge na mesma fonte e simultaneamente à pintura e à escrita vulgar. Esta “Radix” é a pintura rupestre pré-histórica.  Com a articulação das primeiras palavras surgiu um idioma comum provavelmente de caráter onomatopéico.  Mas como a geografia bem demonstra, há coisas lá que não existem cá. Devemos lembrar que os primeiros humanos eram nômades por não saberem cultivar a terra.  Com isso a geografia novamente influi, causando regionalismos, sotaques nesta língua comum.  Esta é a origem dos muitos idiomas existentes no mundo afora.
Mas já que a língua mudou, também havia necessidade de um código escrito mais sofisticado e prático do que as pinturas feitas desde 6.000 a.C.  Nasce a idéia do alfabeto, mas é mister uma coleção de glifos adequada a cada grupo de idioma. Por isso o Japão tem seu kanji, oEgito o hieróglifo, o Território Viking tem a runa e os celtas têm o ogam...
Mas o porquê de visitarmos esta questão?   Explico: enquanto meu colega pintava meu nome, lembrei que alguns filid (principalmente os mais jovens) desenvolveram a estranha tendência de determinar “UM” alfabeto para todo o Ofício. Após um erro grotesco da equipe que rodou o filme “Bruxa de Blair”, simplesmente resolveu-se afirmar numa cena que alguns ideogramas na parede de uma casa arruinada pertenceriam a um pretenso alfabeto das bruxas.  Isto bastou para que os desavisados tomassem por verdade.
Os glifos ali representados são do futhark alfabeto rúnico viking e hoje em dia já é possível encontrar-se livros onde numa seção lemos em letras garrafais os dizeres “Alfabeto da Bruxa!”.  A isto seguindo uma explanação duvidosa sobre um alfabeto incompleto.
Estejam alertas! Não existe um alfabeto específico que represente toda a Wicca, não mesmo!  O que existe são vários alfabetos, cada um adequado à sua linha de tradição; não se pode forçar um espírito a ler algo sobre o que ele não viveu.  Normalmente os novatos usam o panteão romano por ser o que está mais à mão e não exigir trabalho de pesquisa e depois fazem marcas em futhark, sem dúvida, Afrodite, e companhia devem ficar bem irritadas, ao comparecerem num local onde o idioma marcado não e o seu.  Há um detalhe ainda pior; os deuses são de um lugar, o alfabeto é de uma segunda origem, mas a linha usada nos glifos é de um terceiro ponto.  Que algaravia!
O resultado disso é um conflito de egrégoras que termina em anulação ou até mesmo choque, isto é, descarregado diretamente no usuário e em suas ações.
Cada tradição deve estar com seus elementos em homogenia, se vãos escrever algo aos romanos que se faça com os ideogramas do latim, aos vikings as runas, aos cletas o ogam e daí por diante.  Sei que é difícil conseguir o alfabeto e principalmente o idioma de alguns culturas, mas quando chegar, com certeza este é o seu tempo para começar a usa-los.
Por Drustan, o Scaldi
Fontes:
KNIGHT, Sidrona. Druidismo Celta. Franklin Lakes, EUA.201. Ed. Madras
SANTOS, Maria Januária Vilela. História Geral. S.P. Brasil, 1992. Ed. Ática
M.F. Ricardo e outros. B.H. Brasil, 1988. Ed. Lê.
HOWARD, Michal.  A Magia das Runas. 1980, Ed. Hemus.

 

Em tempo

Observei, há dias, um fato curioso. Chegou às minhas mãos a correspondência de um grupo de bruxos, na qual havia o anúncio de um evento, o Sabá do Beltane, mas, a data me assustou, pois o evento se daria no Brasil, em “maio”, durante a primeira semana deste mês.
Fiquei ressabiado,e como não bastasse, o tal Sabá era dado como “celebração lunar”, sendo que nesse mesmo dia haveria um “Esbat do Amor” (???!!!). Mas, no quarto parágrafo do anúncio, vinha a explicação de que o Beltane brasileiro acontece em 31 de outubro, mas o grupo seguia o calendário astronômico do Norte que situa o Beltane em 1º de maio (a data real é 30 de abril, tanto que no Norte, o Beltane também é chamado Sabá da Véspera de Maio ou Noite da Véspera de Maio).
O primeiro ponto de admoestação é o calendário. Os druidas antigos guiavam-se pelo calendário lunar e por isso as celebrações eram astronomicamente fixadas, até porque visavam assim fazer uma celebração de acordo com o giro das quatro estações do ano.  Sabemos todos que o céu do Norte difere do céu do Sul, onde moramos. Logo, as estações diferem em data arrastando também as datas dos festivais. Exemplo: O Samhain, que é uma festa invernal no Norte se dá em 31 de outubro (daí o dia das bruxas), com o fim do outono, mas, nessa data, o Brasil está na primavera já se encaminhando para o verão, portanto comemorando o Beltane.  Desobedecer as estações seria como um católico querer comemorar o Natal em Dia de Finados, sendo que assim o confuso celebrante não se sincroniza com o tempo de sua terra, algo que é oposto aos ensinamentos da Wicca que diz que a terra e o homem são a mesma coisa, logo o tempo do homem é o tempo da terra.
O segundo ponto é tocante à afirmação do Beltane ser uma “celebração lunar”. Ora! Beltane é uma palavra da língua gaélica e significa ao pé da letra “Fogo de Bel”; sendo que Bel é o Deus Sol; a solar personificação da divindade masculina, o fertilizador da Terra-Mãe, Pai Viril. Este evento é para ele, o Sol, mesmo sendo celebrada de noite, pois o “Fogo de Bel” deve brilhar intensamente na escuridão feminina, para trazer a semente da vida. Daí os mastros enfeitados, a caçada do amor e os “Casamentos no Mato Verde”.  Tudo para sinalizar que o homem fecundou a mulher, o Sol encheu a Terra com seu amor e disso tudo virá a vida como a conhecemos nos reinos vegetal e animal, sendo que, no seu apogeu, Bel “doa” a vida e começa a decair para dar lugar ao ano minguante do Mestre Azevinho.
Finalmente, o terceiro ponto diz respeito ao tal “Esbat do Amor” (que não existe), e também a parte do anúncio que diz que o grupo faz Esbats toda quarta-feira de lua cheia. Bom, na verdade os Esbás são comemorações ao solstício e do equinócio. Ambos só acontecem duas vezes por ano. Logo, o calendário wiccano só tem quatro Esbás e não treze (o ano wiccano tem 13 meses).
O Esbat que segue o Beltane, na verdade é o Meio do Verão e só se dá no Brasil em 22 de dezembro, no ápice do verão do Sul. Daí o nome da festa, que comemora o Solstício de Verão. No Beltane, Bel doou a vida pelo seu fogo, celebrou o amor do Sol pela Terra.  No Midsumer, este deus alcança seu fulgor, portanto começou também a morrer com a chegada da Noite que vem tardia nesta data. Sin é o lampejo maior de alegria da vida, mas aí dá-se a triste constatação que inicia um lamento “por hora” inaudível.
Ouvi uma vez da boca de um índio que “A Terra traz remédio; remédio para curar a doença da fome”. Eu, como meio índio e bruxo digo que esta é uma palavra sagrada e complemento sinalizando que aqueles que estiverem no tempo da Terra florescerão com ela para todas as eternidades.
Vicca para sempre!
Por Drustan, o Scaldi

Fonte:
Oito Sabás para Bruxas. SP, BR, 1999
Por Janet e Stewart Farraz
Ed. Anúbis

N.A.: para melhor orientação, sugerimos o livro aqui utilizado como fonte ou, para maior precisão, basta adquirir o Calendário Lunar, editado pelo Observatório Nacional.

 

Lua Morta

Hoje os convido a dirimir dúvidas sobre um outro ponto esquecido da antiga cultura celta que sofreu modificações com a adoção do calendário vigente, o mês de finados que encerra o ano ativo da Wicca.
Como já sabemos, na antiguidade várias culturas giravam seu ano através do calendário lunar que tinha treze meses e não apenas doze como este que usamos quotidianamente, e tem orientação solar. Com isso, os antigos sabiam perfeitamente sobre as épocas do ano e a que cada uma era adequada; havia o Lua do Milho, Lua do Lobo, Lua da Colheita e mais algumas outras, mas a que nos cabe aqui hoje é a Lua Azul.
Nesta época que vai até trinta de outubro, em várias partes do mundo antigo se davam os festejos de finados. De vinte e oito de outubro até dois de novembro, os egípcios comemoravam a Ísia, que era o festival de Ísis e honrava a busca e o encontro dessa deusa com relação ao corpo espedaçado de seu finado esposo Osíris; os mexicanos comemoravam Angelitos em honra às crianças mortas. O dia trinta e um de outubro era no Egito a festa de Sekhmet (a vingadora com cabeça de leão) e Bast (a justiceira com cabeça de gato referida no livro Sonâmbulo de Stephen King), os hinduístas celebravam a Batalha de Desehra (Rama e Kali vencem o demônio Ravana) e os celtas tinham a Noite de Samhain. Dia primeiro de outubro era a festa celta da deusa Cailleach (a Escura Rainha dos Mortos), Noite das Banshees (os espíritos berradores arautos da morte), finados no México e festa de Hella (Rainha do Inferno de Gelo) na Escandinávia.      
Realmente existe um fenômeno astronômico que faz com que em dadas ocasiões a Lua assuma u’a matiz de um azul suavíssimo devido à circulação de partículas livres que ao se chocarem com a luz, dão ao corpo celeste o colorido temporariamente alterado, mas isso é raro e tem época certa para se dar. Observando este fato, os antigos deram ao mês de finados o nome de Lua Azul.
A extensão deste mês variava entre culturas, podia ser de apenas poucos dias, ou então um período completo de vinte e nove dias; este era o caso entre os celtas. Por chegar em pleno período invernal europeu, este ciclo dormente tinha associação natural com os mortos, já que a Terra estava coberta de neve e nada podia se plantar e nem alimentar o gado que estava acumulado em casa junto aos homens.
Reza a lenda que nesta época os portões do Submundo começavam lentamente a se abrir com o decorrer das noites. Isso possibilitava as sombras de efetuarem pequenos bordejos à sorrelfa para visitar lugares anteriormente por eles habitados, ou até mesmo checar o andamento de questões que ficaram pendentes devido à viagem para a Torre de Vidro da Ilha deDon (a morte); com isso, os mortos iam premeditando suas ações para uma certa data. 
Enquanto isso, aqui no mundo, os vivos tratavam de agradar quem fez a última viagem. Para tanto, passava-se a deixar uma cadeira vazia na mesa das refeições, e frente esse acento fazia-se um prato completo acompanhado de bebida e este ficava à disposição da sombra que se dispusesse à refeição, ou então da ansiada visita de um ancestral da casa.
Então chegava a “certa data”; Thetra, deus da Morte; rei Azevinho, Senhor do Ano Minguante e Arawn, rei do Submundo, escancaravam o portão deste lugar e deixavam os mortos à solta durante toda a noite de trinta e um de outubro. Era a Noite do Entre Mundos, por não haver fronteiras entre lá e cá. Esta era uma noite que não constava no calendário por ser absolutamente mágicka. Os mortos podiam fazer o que desejassem; então cobravam suas pendências com os viventes.  Quem tinha dívidas tratava de esconder-se, daí as máscaras do Dia das Bruxas e o hábito de pedir doces de porta em porta, originalmente se pediam “bolos para os mortos” (os gauleses faziam um bolo em forma de Lua Crescente que ficaram conhecidos como Dentes de lua, e hoje chamamos de Croissants), e assim apaziguar as sombras.
Agora, já conhecemos bem os costumes do mês da Lua Azul. Só resta dizer que aqui em Breazail, este período se inicia em primeiro de abril para terminar no dia vinte e nove do mesmo mês; e a nossa Noite de Samhain se dá na noite seguinte. Feliz ano novo e cuidado com suas pendengas com os mortos!
Por: Drustan, o Scaldi.
Fonte
Conway,  D. J. O Livro Mágico da Lua. Ed. Gaia. S.P. Br. 2001.
        
        

Sob a Lua do Castelo

O litoral do Centro do Rio de Janeiro é dividido em duas partes, a Praça Mauá, que é a zona portuária e o Castelo, que é o centro nervoso da economia carioca. O Castelo é assim chamado, pois naquela parte do Centro havia originalmente um morro de nome Morro do Castelo, com o início da ocupação do Rio. Aquela área era ocupada por piratas franceses que contrabandeavam especiarias e pau-de-judeu (pau-brasil) para a Europa.
O governo português os reprimiu com força e os estrangeiros foram se abrigar no morro, após uma batalha contra as tropas locais, os franceses foram expulsos e o morro foi dinamitado para a formação de um aterro; no local já estava a capela de Nossa Senhora do Ó, que foi encoberta pela construção da igreja de Nossa Senhora da Sé. Recentemente, durante as restaurações, foram descobertos os restos da construção primitiva e alguns sepultamentos. E depois veio o Paço (palácio) Imperial.
Chega o século XX e se levantam os edifícios da Bolsa de Valores, o Fórum, edifício garagem Menezes Cortes, Centro Comercial Castelo, Avenida Central, City Bank, Vale do Rio Doce, De Paolli e tantos outros edifícios comerciais que testemunharam meu crescimento.
O primeiro imóvel onde morei, tinha um basculante no banheiro que dava vista para todos estes edifícios que figuram como os primeiros arranha-céus do país. À noite eu galgava as louças do banheiro e ia assistir a Lua nascer atrás os prédios do Castelo.  Ela vinha grande e prateada para anunciar os domínios da noite.  Com o tempo, em pouca altitude, a Lua estava amarelada e tomava a cor original enquanto subia; vim então a saber que isto era graças à poluição que já vinha bem nutrida sobre minha cidade.
Quando eu “aprontava”, meus pais me colocavam trancafiado no quarto escuro.  Com medo, eu ia para a janela observar a vida nas janelas vizinhas, mas com o tempo, achei mais interessante olhar a Lua e fizemos uma amizade que vai me acompanhar por toda a minha existência enquanto espírito ativo; decorei seu ciclo e formas. Nessa época, li num livro infantil que as mulheres do passado costumavam abrir-se com a Lua em conversas confidenciais e fazer-lhe pedidos.  Passei a imitá-las, e sabe; volta e meia eu era atendido - e eu não sabia, mas já estava intuitivamente iniciando minha carreira no Ofício, mesmo criança!
Observei que o clarão da Lua descia num azul suave e iridescente, mas quando tocava qualquer pessoa ou coisa, a superfície atingida ganhava uma tonalidade cinza e dava uma sensação de um toque frio na pele; vim então, a saber que, na era medieval, devido a isto  os cristão acreditavam que a Lua drenava um pouco da vida de tudo que tocava e então foi proclamada como o Astro da Morte; mas também soube que o maçom, maestro e compositor alemão Ludwig Von Beethoven notou a mesma coisa que eu, e fez uma sonata para piano chamada  “Ao Clarão da Lua”,(Sonata ao luar ) na música ouvimos Beethoven escutando os  apelos amorosos da Lua entremeados com seu toque enregelado.
Na escola, a professora ensinou que este corpo celestial era o calendário humano da pré-história e é capaz de controlar as marés da água e até mesmo o corpo humano (incluindo a menstruação da mulher), por outro lado, foi uma tia materna, enfermeira de UTI-neonatal, que me explicou que a maior média de nascimentos no mês é durante a Lua Cheia, e a segunda maior média vinha na Lua Nova; hoje quem estuda a Wicca sabe que este foi o fator primeiro para determinar a Lua como o astro da feminilidade.
Passei a adolescência perambulando por bibliotecas e entre um trabalho escolar e uma leitura de história da religião. Via pessoas que em tempos idos só faltavam morrer quando viam um eclipse lunar, já que a velha Europa católica acreditava que o fenômeno era o anúncio do fim dos tempos, já que este corpo celeste por vezes assumia um tom vermelho como no livro bíblico das Revelações; mas já homem feito as buscas me levaram até outras facetas do Velho Costume.
Aprendi que Gabba é a deusa celta lunar, e que a Lua representa a passagem das “idades” das deusas começando como a Donzela, indo para a Dama e terminando como a Anciã, por isso toda a deusa é tida como trina em si própria; o brasão wiccano das Três Luas mostra bem isso. Paralelamente, na China, há um mito de uma mulher chamada Chang´o; que para fugir da violência do marido se evade para a Lua indo morar com uma lebre gigante, daí ela se torna à deusa antiga da China que protege as mulheres oprimidas, e que devemos sempre seguir o ciclo lunar para determinar a função e efeito de uma mágicka.
Lógico que há ainda aqueles aspectos menos conhecidos das tradições lunares como, por exemplo; o eclipse lunar representa as forças da desruptura, portanto se uma garrafa de água for tocada por sua luz durante um ritual, passará a se chamar de Água do Trovão e será capaz de banir para longe um espírito ou energia indesejável. Lua chega a influenciar na feitura das espadas mágickas e também aparece em um sabre árabe de nome iatagã que devido à cor e formato, lembra muito uma Lua Crescente.
Lua Azul nos remete ao mês wiccano de finados, ao fenômeno astronômico (mencionados em outra matéria), aquele que acontece somente a cada trinta e um meses, sete vezes em dezenove anos e trinta vezes a cada dez décadas deixando a Lua realmente azul. Isto propiciaria uma melhor comunicação com o Sidhe dos Poukelouá; o mundo mágicko das fadas onde está o Castelo Branco de Madame Aishin, rainha de todas as fadas.
Esta honorável senhora é também naturalizada brasileira, pois quando a princesa Thuata de Danan foi raptada pelo fomoir da água, seu irmão foi salvá-la, mas no caminho encontrou Madame Aishin que prometeu ser sua campeã se lhe desse algo em troca, o príncipe aceitou, a rainha desceu ao fundo do mar, lutou, venceu, trouxe a princesa e então requeriu seu favor que era casar com o fidalgo. Lógico que este se viu obrigado a aceitar; o casal então veio morar em Breazail por trezentos anos, até que ele ainda sobre o feitiço da eterna juventude do Rei Tir Nan Og; imperador de Breazail se viu forçado a regressar para a Irlanda e governar seu povo até a morte. Esta lenda deu origem ao mito irlandês da Gaiola das Almas, onde quem morre em mar aberto fica preso em uma gaiola por cem anos até aceitar tomar um chá com o demônio e então se libertar. Tolkien também se inspirou em Aishin para compor a personagem Galadriel e a história de Airin e Aragorn na série literária Senhor dos Anéis.
Para terminar, uma última Lua Azul, que é a do calendário. Se o primeiro de janeiro for de Lua Cheia, devido ao período de apenas vinte e oito dias do mês de fevereiro; março acaba ficando com um quarto cheio no início e outro no final, essa duplicidade de Luas Cheias também é chamada de Lua azul. Ocorre apenas quatro vezes á cada dez décadas, e a próxima será somente em 2018.

Por:Drustan o scaldi                                                         

Fontes:
Conway, D. J. O Livro Mágico da Lua, Ed. Gaia S. P. Br 1997. Almanaque Wicca 2005, Abrawicca, S. P. Br 2005. Baggott, Andy, Rituais Celtas, Ed. Madras S. P. Br 2002.

 

Megalos

Em várias histórias, independente da mitologia ou panteão, nós podemos observar que existem as constantes aparições de gigantes que têem por função estorvar e testar os humanos de tempos idos. Assim foi com Odin, Drystan, Beowulf, Hércules e até mesmo o pequeno Davi; todos esses bravos tiveram de enfrentar criaturas de envergadura muito superior á sua própria, e só então conseguiram alcançar um objetivo que direta ou indiretamente favorecia suas respectivas sociedades.
Se pararmos e observarmos cuidadosamente, veremos que as sociedades desses heróis tinham todas, fatores em comum; o grau de evolução não estava ainda bem pronunciado, não havia quem sobressaísse do vulgo para produzir lá o que fosse com destaque, e o mesmo vulgo geralmente estava oprimido por fatores ou pessoas alienígenas ao seu convívio. Isso quando colocado em foco de forma conjunta demonstra uma mitológica carência de tecnologia no tocante a uma força natural, literalmente representa o não entendimento dos fenômenos naturais; daí quando manifestos, os fenômenos assumirem a forma de humanóides com proporções agigantadas.
Por nada saber do seu entorno, o homem teme algo que além de mais sábio, é mais antigo e, portanto bem maior que ele. A “Eda de Odin” conta isso muito bem; pois no princípio dos tempos, os homens do Norte de nada sabiam e nada conheciam, viviam ainda escravizados, forçados a trabalhar para os gigantes que moravam nas montanhas, das quais os humanos só podiam se aproximar para servir seus feitores. O único alimento e vestuário dos homens era aquele que sobrava dos gigantes; o mundo nas planícies também era frio, pois os gigantes não davam fogo aos homens. Até que um dia, um jovem de temperamento rebelde começa a conclamar uma rebelião entre os homens submissos, os donos da montanha ficam sabendo do caso e escravizam o rapaz, que, contudo não aceita se dobrar e continua com seus planos; agora infiltrado no mundo intraterreno dos feitores, o jovem consegue roubar o fogo e o entrega aos seus pares.  Em reprimenda, o rapaz é transpassado com sua própria lança de caça e pendurado de ponta cabeça nos galhos de Iggdrasil, a árvore do mundo, pois ali seria o marco inicial do desenvolvimento do mundo para os escandinavos. Os gigantes deixam o moço para morrer, mas ele continua vivo em seu castigo sádico por nove dias completos; até que na nona noite, ele vê glifos flutuando na água da fonte que havia sob a árvore, e com um terrível grito os ergue da água, assim criando as Runas e absorvendo todo o conhecimento do mundo.
O rapaz transmite paulatinamente ao povo tudo o que conheceu, assim dando uma real possibilidade de sucesso contra os antigos feitores, que sucumbem. Isto eleva o jovem ao status de divindade; o tal jovem era Wodenmas, ou Woden, ou ainda Odin.
Nos Ciclos Arthurianos dos celtas, fora Me Lord Drystan, que além de gigantes também enfrentou dragões (que nesse caso significavam a mesma coisa), um outro cavaleiro fez frente a essas criaturas. Sir Gawain, de certa feita estava com Lancelot cumprindo missão diplomática em solo estrangeiro, durante o banquete de recepção, ouviu-se enorme burburinho no lado de fora do salão e a porta se escancarou com ruído e deu alas a um gigante que entrava desafiadoramente. O brutamontes olhou para todos e desafiou os presentes para o Jogo das Cabeças; no qual dois oponentes ficam de frente para o outro e com suam armas golpeiam um por vez o pescoço do outro em três tentativas alternadas, sem direito ao movimento de esquiva, naturalmente o degolado perdia. Sendo que como premio, ao vencedor seria dado um talabarte verde encantado que conferia ao usuário, formidável força e denotada superioridade na luta.
Os comensais se entreolham e ninguém, nem mesmo Lancelot dá mostras de destemor, mas eis que Lord Gawain dá um passo à frente para honrar Arthur e os da Távola. O ser formidável se ajoelha dando a Gawain o primeiro golpe, que é preciso, mas quando todos comemoravam sobre o corpo do paquiderme, este se levanta, põe a cabeça sob o braço e diz:
- Muito bom, cavaleiro, vencestes o primeiro lance, voltarei amanhã para continuar o certame.
Virou-se e foi embora andando degolado. Na noite seguinte a criatura volta com o corpo em perfeito estado, ajoelha novamente e fala:
- Já que Sir Gawain ganhou a primeira rodada, pode iniciar a segunda.
O cavaleiro desfere outro golpe perfeito e a cena se repete; mas agora o gigante quer que o representante da Távola vá até seu castelo para decidir a contenda na noite seguinte; de fato isto ocorre, mas ao chegar o gigante convida Gawain para jantar em companhia dele e de sua esposa já que a viagem devia ter despertado-lhe a fome. O guerreiro aceita e senta do lado da mulher, que exibia uma longa cabeleira loira e cacheada, sem falar nos olhos de um verde vivo e magnético. Findo o repasto, o homem se levanta declarando pressa para a disputa, ao que o zarrão diz:
- Calma lá, senhor, comemos muito, já é tarde e estamos todos cansados, vamos dormir e amanhã ao primeiro cantar do galo, nos encontraremos nesse mesmo recinto para a decisão.
Durante a noite, a bela invade o quarto do nobre e diz:
- És belo, sê meu amante esta noite, quando terminarmos o encontro, irei ao leito de meu esposo monstruoso, o matarei durante o sono e trarei o prêmio para ti, daí sem esforço terás a mim e ao fetch (Gaélico-Coisa encantada).
- Não, bela senhoura, sou cavaleiro jurado de Cameludunun (Camelot), destarte faço tudo por meio honroso.
- Dá me então ao menos um beijo seu, e eu cumpro a promessa de meu escambo - fala a jovem.
- Novamente não, agora vai e volta para quem de direito é teu senhor.
Na manhã seguinte Gawain já está no salão quando o gigante chega com a esposa, e o segundo vai logo falando:
- Regozijai-vos fiel Gawain! Venho em paz, não sou o monstro que vez, eis minha verdadeira forma!
O brutamontes diminui dando lugar a um druida que, mesmo jovem, já era famoso por seus dons.
- Aceitastes duelar com ser bem maior e mais forte que vós. Instrui minha esposa para á noite tentar-vos com seus favores, e resististes a essa dama que tem beleza decantada pelos bardos; aqui estás, de consciência limpa para enfrentar o monstro, em nome disso te confiro o prêmio sem o golpe terceiro.
Vai para casa! Vai para os teus, e dá a nova alvissareira! Desde então o cavaleiro passou a ser aclamado como Sir Gawain do Talabarte Verde ou simplesmente como o Cavaleiro Verde.
Lógico que nem todo gigante testa a índole dos humanos, alguns também fazem questão de se apresentarem para dar aprendizado por via positiva, este é o caso do deus celta Dagda. Ele é o Senhor do grande Caldeirão, de onde sai toda a força mágicka da Wicca e também nossos conhecimentos, este deus em Gaélico é chamado de Dagda in Rhuad Rufesa, que significa literalmente, Dagda, o Sábio Gigante Vermelho, seu filho indireto Lugh o Bem Dotado, é assim aclamado não só por ser versado em muitas artes, mas também por ter uma estatura acima da média humana.
Lugh tinha ainda um filho que às vezes aparece como seu meio irmão; Aengus (Filho do Grande Deus) o Guerreiro, este sim, de fato era um gigante no sentido mais amplo da palavra.
Por:Drustan O scaldi

Fontes:
Blum, Ralph, O Livro de Runas, Ed: Bertrand Brasil, Br, RJ, 1992.
Rutherford, Ward, Os Druidas, Ed: Mercuryo, Br, SP, 1991.

 

Árvores e Raízes

Uma parte bastante interessante do conhecimento antigo, que migrou naturalmente para a Wicca moderna foi o referente às plantas; árvores, raízes, folhas, frutos e suas utilidades. Apesar de ser um dos conhecimentos que hoje está se perdendo, graças ao confinamento urbano, não deve jamais ser esquecido por se tratar de uma das partes principais do conhecimento tradicional do Ofício.
A maioria das pessoas pensa que as árvores e plantas em geral têm somente as funções ecológicas e medicinais. Mas não se restringe a isso, as plantas têm para os Filid importância capital. Por crescerem da Terra e se desenvolverem em sua maioria rumo ao Céu, as plantas foram vistas como um elo de ligação inicial com o divino, pois assim como o homem, brotam da Terra e crescem buscando as alturas. Não seria isso uma clara referência à intenção da busca por algo maior?
Por essas coisas, o mundo vegetal, para os bruxos, ganhou todo um colorido, assumindo mesmo um aspecto divino. Como já foi explicado em matéria anterior, fez-se todo um alfabeto em torno de algumas árvores que assumiram maior importância. Esse alfabeto, o Ogam, tinha, primeiramente, a função da escrita restrita aos sacerdotes, pois os conhecimentos do Ofício não poderiam ser abandonados à mão de qualquer um. Em segundo plano, o Ogam tinha a função de notação para a medicina que era feita com base nas propriedades das plantas sagradas. A última, mas não menos importante função deste alfabeto era oracular, num manejo muito similar às Runas.
Cada vegetal tinha sua função, seu significado; a isso era associado também um mês, um animal, uma cor e um valor numerológico; não era algo muito fácil de manejar visto que o File tinha de saber cada um desses tópicos de cada planta, de cor.  Vamos á alguns exemplos.
Ng era a letra referente ao Ngetal, o Bambu, seu mês se estendia ao período que vai de 28 de outubro até 24 de novembro, seu animal é o ganso (ngeigh) e seu valor numerológico é 5. Por ser largamente utilizado para fazer “canetas”, o bambu era a planta dos sábios, daqueles que preservavam o conhecimento por meio da escrita, portanto representava o próprio Ogam e seus usuários. Essa planta ainda tinha outras funções. Era comum ver flautas desse material, em rituais. Isso permitia aos bardos “sintonizar” melhor os Sidhe e os espíritos que ali viviam. O bambu da espécie canna, tinha seu uso nas flechas de batalha, por ser oco. Seu interior servia de cápsula de venefício para projéteis especiais. Um costumeiro usuário desse projétil era o deus Lugh, o bem dotado. Essa planta simbolizava a metade minguante da Roda do Ano e também o Sidhe das Fadas, pois por crescer perto da água, seu reflexo representava esse Sidhe, enquanto o corpo fisco do vegetal reproduzia simbolicamente o nosso mundo.  Então o bambuzal era visto como lugar de conexão e mesmo colônia de Fadas.
O carvalho (Duir) é um dos preferidos e aparece freqüentemente nas lendas. Seu espírito guardião é extremamente respeitado e muito bem quisto, principalmente entre os druidas, já que o Velho Senhor do Carvalho, ou Rei do Carvalho é seu regente. Duir é a letra D, seu animal é a cambaxirra, sua cor é o preto e, numerologicamente, é o sete e seu período vai de 10 de junho a 7 de julho. Por ter uma madeira dura e pesada, boa para barcos, o carvalho fala de firmeza de disposição e índole, dizem que sua raiz é tão vasta quanto a copa, por isso ele cai no ditado alquímico de “o que está no alto é como o que está em baixo”, duir em Gaélico Irlandês significa porta, então o carvalho é também portal para o outro mundo e em tradução livre Druida significa “o que sabe do carvalho”.
Para aqueles que têm costume de estudar a geometria pitagórica, pode se dizer que os deuses foram particularmente sábios ao criarem o reino vegetal. Notamos que várias plantas têm formato geométrico bem definido e correlato à sua função. Um bom exemplo disso é a maçã, vermelha e com forma de coração, se cortada longitudinalmente, revela que suas sementes estão dispostas em forma de pentagrama; portanto por excelência é a planta dedicada ás mágickas sobre sentimentos. Examinando bem a forma do milho, descobrimos por que o seu “cabelo” é bem aproveitado em forma de chá para problemas urinários, e a lista é enorme para que se possa aqui enumerar.
De qualquer forma, esse é um ponto da tradição que jamais pode ser esquecido ou posto em desuso devido ao seu valor. Consultem-se com os mais velhos para preservar e transmitir esse conhecimento, pois aquele que conhece a Terra jamais fenecerá, pois tudo está à mão para aquele que sabe ler o que há escrito no chão com as raízes, plantas rasteiras e árvores; está tudo próximo de nós, basta preservar o meio, e quem fizer isso passará pelo declínio das eras, incólume.
Por: Drustan o scaldi

Fontes:
Rituais Celtas; Baggot, Andy, ed: Mádras; Brasil, S.P. 2002.
Geometria Sagrada; Lawlor, Robert; ed: Edições Del Prado, Espanha, Madrid, 1996.  

Fadas
Por Drustan,  o scaldi

“Uma viagem pelo mundo real das fadas”

Eis aí um dos mais belos exemplos de elementais na cultura do Ofício, as fadas que encantam as crianças com suas peripécias e bênçãos ao longo dos lúdicos contos antigos, sempre com uma aura de exuberância, beleza e meiguice.

A palavra fada em nossa língua vem do Latim fatum que significa destino, tanto que é comum ver se fadas nos contos que abençoam o indivíduo de forma a alterar seu destino.

Um pouco de História

Como o mundo tomou consciência das fadas?
Dir-se ia que o primeiro conhecimento sobre fadas que o mundo ocidental teve foi na época das cruzadas, pois tomando contato com o médio oriental, o invasor cruzado conheceu seus mitos e absorveu alguns; tanto que a palavra inglesa para fada é faire, que vem do Árabe peri, e provavelmente é a origem da vertente dos Ciclos Arthurianos onde Morgana é uma fada, pois esta personagem encontra similaridades com o mito da Merjan Peri, largamente conhecido no Oriente Médio.

Em verdade as fadas estão presentes na cultura ocidental há muito, por exemplo, a famosa Madame Aisheen da cultura Celta; que acabou figurando em um caso contra o famoso catequista irlandês, São Patrício (lá a palavra Sidhe significa fada mas as vezes também é utilizada como lugar mágicko).
Nas culturas pré-cristãs da Europa, figuram vários casos em que pessoas esbarram em figuras diáfanas em sítios naturais, que por sua vez causam alguma espécie de interferência drástica na vida dos humanos. Na própria cultura greco-romana temos as ninfas que podiam causar um caos sentimental no homem que as visse, tamanha a sua beleza jovial (daí o termo ninfeta); além da avassaladora beleza as fadas lançam mão costumeiramente de mágickas inimitáveis, de efeito radical e irreversível.   Mas nem só de boas fadas vivem os mitos, vemos os Orcs da Irlanda, os Trolls escandinavos, de novo da Ilha Verde vêem as Banshees que gritam horripilantemente para anunciar a morte e etc.                                                  

Como “vivem” as fadas  e sua hierarquia
Como todo o tipo de ser espiritual, as fadas podem escolher locais onde firmar colônias, se algum humano for até esses locais com intuito de ali habitar sem permissão das mesmas, verá sua casa ser movida, derrubada e ser assediada por problemas indissolúveis.
Em alguns casos, fadas podem promover autênticos vampirismos para se vingar de alguém.
Segundo as lendas, as fadas têm uma sociedade muito parecida com a dos humanos, esta subdividida em castas; a primeira seria a casta das Selvagens que constitui a plebe e vive solta pelos ambientes naturais, a segunda é a Unsilie que é comparável a fidalguia, e por fim as Silie que formam a alta nobreza. De acordo com sua classe, seus poderes, importância e conhecimentos aumentam. Em grande parte dos casos esses seres têm comportamento fugidio, e usam sua grande velocidade de deslocamento para manter-se fora do alcance do olho humano, várias pessoas que tiveram algum contato mesmo que breve, afirmam que geralmente tudo o que vêem é um rastro de luz multicolorida riscando o ar, e ás vezes um ser luminoso, esguio e pequenino (2) aparece em uma das pontas do feixe por fração de segundo assim me relataram.

 

Prova fotográfica desaparece
Costumeiramente se esquece do fato de que as fadas são uma categoria de elemental, portanto existem rituais apropriados também para esses seres, com diversas finalidades, contato, proteção, pedidos e muito mais. É difícil, mas esses seres podem ser encontrados e contatados geralmente em bosques, florestas e jardins; em poder da redação existem uma série de fotos autênticas que foram tiradas em um (1) conhecido jardim público do Rio de Janeiro; nessas fotos podem se ver elementais em diversas situações, uma delas causou verdadeiro frison. Em uma das alamedas vê-se uma árvore com uma fada flutuando ao lado do tronco, na foto seguinte à mesma deslocou-se quase um metro em menos de um segundo; tudo muito visível e incontestável. Meses se passaram e um dia nosso editor, (do portal mensageiro) conferindo o arquivo de fotos notou uma alteração, a imagem supra citada estava sem sua personagem principal, ela sumira; fomos então conferir os negativos e ali o fato se repetira. Até hoje ninguém sabe explicar o que houve, e isso se deu unicamente com essa imagem, as outras restam intactas.

Como marcar um encontro com as Fadas?

Ritual de contato com as fadas
Um ritual de contato muito popular é o da Barca de Luz ou Barcarola de Fada, onde num bosque, jardim ou floresta o file coloca uma bacia com água limpa e sobre a água casca de noz, embarcadas nas cascas vão pedaços de velas acesas, deriva disso o nome do ritual, após um chamamento adequado elas se aproximam para ver o que há.
Quem conseguiu testemunhar e que pode inclusive sentir o toque e ver átomos multicoloridos flutuando no escuro velozmente foi a filha de uma colega de trabalho, conseguiu, e segundo a mãe, uma semana depois em seu altar a moça ofertou uma maçã ás fadas, o fruto ali ficou por um mês cheio sem o putrefato como o esperado, durante a limpeza do altar a garota tocou a maçã ainda lustrosa que rebentou feito casca de ovo podre, apesar da superfície e perfume de frescor, o fruto fora todinho consumido em seu interior.

Geralmente após o contato algumas fadas cultivam amizade com seus contatados assim como outros tipos de elementais, raramente dão seus nomes originais, preferindo que o amigo dê-lhes um apelido amistoso com o qual passam a se identificar e atender as evocações do objeto de sua amizade franca, inocente e desinteressada.                                                                                     
As fadas escuras (scaldi)
Obviamente não podemos encerrar esse artigo sem mais uma vez mencionar as fadas escuras, que vivem em cantos onde a luz raramente ou nunca chega, saindo dali somente durante a noite para conservar seres animais ou vegetais que têm hábitos noturnos, não costumam ser muito simpáticas à primeira vista e são ainda mais arredias que suas irmãs diurnas; mas até por isso carregam um tipo de conhecimento especial fundamentado no segredo e em tudo aquilo que o ser humano tenta esconder de si mesmo, por isso tornam-se grandes professoras do misterioso e do temido, fazendo com que o “amigo” não insida em atos maldosos e nem seja vitimado por esses e suas forças. Mas não recomendo esse tipo de contato para quem seja iniciante no Ofício ou para quem está com seu espírito despreparado para tanta seriedade e responsabilidade, pois como em tudo, não se pode querer ceder ao deslumbramento ou á ambição; os frutos desse tipo de ato são sempre amargos de se tragar e por vezes venenosos.                                                                                     
N.R.Jardim Botânico do Rio de Janeiro obra de D. João VI .
(2) Membros da redação deste Portal interativo que estavam fotografando para o banco de imagens do portal e só repararam nelas quando os negativos foram revelados.

Fontes:
A Origem das Fadas (texto); Carlos Leal, José, www.meiodoceu.com.

No Mundo dos Elementais 1 (O reino dos Gnomos); Martinez, Delfim Merino; R.J; Brasil; 2000. 
 

Quadrantes, Defensores e Direções

Novamente abordaremos o tema referente ao Círculo Mágicko, pois temos recebido pedidos sobre isso, no qual se encontram relatos que além de discrepantes são irreais e até mesmo falsos.
A primeira alegação é de que os defensores dos quadrantes dos Círculos são seres estrelares. Não é bem assim; todo o ser dito elemental é assim chamado por ser formado da energia quintessencial de um dos quatro elementos encontrados na Natureza. Mas mesmo entre esses seres, se encontram “soberanos” responsáveis pela regência de seu universo. Esses soberanos são feitos de uma essência ainda mais pura que seus súditos, mais concentrada e podem ser considerados superiores aos seus, inclusive no quesito “inteligência”, já que por vezes flagramos elementais cumprindo tarefas ao pé da letra; enquanto os “reis” têm capacidade de julgamento e até mesmo um certo arbítrio para com os de sua subscrição. Podemos encontrar inclusive alguns rituais nos quais os reis são evocados nominal e simultaneamente, um exemplo é o ritual para banimento de vampiros elementais; que é algo mais recorrente do que se pensa. Por essas e outras, seria no mínimo uma loucura propagar que os elementais são todos estrelares e que a orientação do Círculo é também unicamente astronômica.
Ainda sobre isso, há uma enorme confusão sobre as direções de orientações dos quadrantes... basta uma bússola e pronto! Os quadrantes são sempre orientados por pólo magnético. Mesmo que digam que esses quadrantes sofrem correção, isso é inválido. O movimento de precessão do eixo terrestre é relativo ao movimento que o eixo do planeta faz diagonalmente em torno de si próprio. Na revista Scientific América, edição especial de 2007, vemos que:
“O movimento de precessão do eixo terrestre, descreve um movimento de forma cônica, para completar tal movimento, o planeta demora um período de vinte e seis mil anos. Se nesse período, se o eixo terrestre aponta para uma estrela, esta estrela passa a ser chamada de Polar, servindo como orientação somente para o Norte Celeste, e nada mais”.
Por isso não devemos também acatar o conselho de que devemos corrigir as direções dos quadrantes, de tempos em tempos. Mesmo que tentem refutar, dizendo que os pólos magnéticos sofrem alteração com tal movimento; tranqüilize-se. Quem conhece a teoria dos Cinturões de Van Halen, sabe muito bem que mesmo variando o apontamento no quesito direção, não há qualquer tipo de perturbação no sentido magnético do planeta, pois esse tem seu próprio campo magnético, independente da condição relativa ao cosmos. Então para aqueles que pensam que uma um evento astronômico, ou um acidente geográfico poderia alterar a direção do Círculo...bússola.
Lembrando dos acidentes geográficos, eles também não podem alterar direções de Círculos, por mais força que concentrem, uma cachoeira, por exemplo, não altera a orientação.
Outra questão recorrente é: Por que cada elemento e estação estão correlatos a um quadrante determinado. Simples; Terra ao Norte (inverno); Ar ao Leste (primavera); Fogo ao Sul (verão) e por fim a Água ao Oeste (outono). Todas as luzes do mundo (Sol e Lua), nascem no Leste do Ar (mente), originando a luz que é relativa à iluminação, sabedoria; mas ao fim do dia se põem no Oeste da Água (emoção), dando vaga ao homem que sucumbe às suas emoções e, portanto é falho. Todas as forças telúricas têm origem no Norte, na fixidez da Terra, e dispersam no Sul, na temporariedade do Fogo. Foi por meio desses contrapontos, de alto e baixo, que os antigos normatizaram os elementos dos quadrantes. É bastante simbólico, mas também muito prático. Pegue um pêndulo, se apontado para o Norte, ele vai girar em sinal de positivo, no Sul será negativo; o mesmo se dá no sentido Leste-Oeste. Mantenha o pêndulo junto à si durante uma viagem, se estiver percorrendo o sentido Norte-Sul, verá sua energia decair com o avanço, e o contrário se for no sentido Sul-Norte; será igual nos sentidos Leste-Oeste.
Sempre que falamos de Círculos, também surge a dúvida daqueles que não sabem por onde começar o Widershin (movimento circular que “fecha” o Círculo no início da celebração), a resposta é que nas tradições herméticas, sempre se inicia pelo Leste, já  que o expediente visa iluminar algo ou alguém, mas nós que trabalhamos com forças naturais também podemos começar pelo Norte, para honrar a Terra que prove toda a vida.
Tenha esses conhecimentos sempre em vista, e todos os seus procedimentos dentro de um círculo serão sempre bem sucedidos.

Por: Drustan o Scaldi

Fontes:
Scientific América; edição especial; 2007.
Rituais Celtas; Baggott, Andy; Ed: Madras; S.P.; Br; 2002.
No Mundo dos Elementais vol 1; Vasariah; S.I.; Ed: Vasariah S.E.; P.A; Br; 2000.

 

Fomoire

Já é tarde da noite, mas após um compromisso importante, você está com pressa e não tem tempo de sequer esperar o coletivo para chegar em casa; por isso decide ir á pé.
A noite está quente e ainda mais por andar apressado, o suor lhe molha a camisa como se fossem baldadas de água. E aí é o pior ponto, pois chegou o momento de passar naquela rua arriscada onde muita coisa ruim acontece. Dobrando a esquina, logo se descobre que a iluminação no local está quase toda apagada e, devido à hora, há somente você na rua, mas alguém acaba de entrar na calçada pela esquina oposta e subitamente algo lhe provoca um desconforto.
Mesmo à distância, se nota que é um homem até por seu tamanho avantajado, mas tem um andar estranho e uma silhueta que denuncia algo de anormal. Á medida que reduz a distância entre você e ele, aquela desconfiança começa á se tornar receio e aumentar; diga-se de passagem, ele parece olhar fixo para você.
Agora, suficientemente perto, se nota que os olhos são grandes e escuros, portando um ar medonho, a pele é pálida e macilenta; mas o que lhe deixa mais impressionado são as deformações no rosto... parece ter sido vítima do pior dos acidentes, e agora passa lentamente do seu lado com aqueles olhos fixos em você, algo de horrível vai acontecer e será agora! Mas ele simplesmente passa sem lhe fazer mal algum. Recobrado do susto, mais adiante você se dá conta: “eu encontrei um fomoir e sobrevivi.”
As lendas celtas irlandesas dão conta de duas civilizações importantes, que viveram durante a quarta onda, a Thuata de Dannan, que compõe os deuses que hoje veneramos, e a Fyr Bolg, que são sempre descritos como um povo estranho de costumes e imagem. Na segunda onda, havia os Nemed e seus inimigos, os lendários gigantes Fomoire que deram origem a uma civilização que resistiu até a quarta onda, a de Dannan. Ao contrário da segunda, era desprovida de índole e completamente devotada à maldade. Até por isso mesmo, sua disposição se mostrava pelo rosto e corpo de seu povo, compondo figuras, cuja fealdade beirava a deformação.
Segundo vários contos, os Fomoire mais velhos e poderosos eram apenas quatro, e cada um pertencia a um elemento natural em particular, ou seja, eram símiles aos Titãs greco-romanos. Esses quatro, cujos nomes podem ser conhecidos com alguma dificuldade; constituíam as forças naturais em seu caráter destrutivo, suas atividades terminavam sempre com um desenrolar catastrófico e genocida. Com o passar do tempo, cada um deles foi morto por um herói diferente, pondo assim a natureza em ordem.
Um deles aparece em Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, como sendo Balrog, o demônio gigante de fogo; mas o último a fazer a derradeira viajem foi o da águas, e encontrou sua morte pela espada de Madame Aisin, Rainha das Fadas, que conhece um mortal cuja irmã é seqüestrada para o fundo do mar. Em troca a Rainha salva a moça, mas exige o príncipe em casamento; sendo que a relação do casal dura trezentos anos e tem lugar aqui mesmo no Breasail. Essa lenda gera duas outras histórias, a primeira é a lenda irlandesa da Gaiola das Almas, e a segunda é o casamento das personagens Aragorn e Eirin em Senhor dos Anéis.
Após o extermínio dos quatro gigantes, fica o povo Fomoir, que mencionamos. Os fomoires tomam o lugar dos demônios hebraicos, mas têm uma incrível semelhança com os demônios védicos da Índia, pois não são seres para-naturais, e sim mortais com vastos poderes mágicos adquiridos com estudo e influência no mundo material. Esses recursos são sempre empregados de forma egoísta, visando apenas o benefício próprio e a queda do próximo, sem contar a eterna intenção de burlar e sobrepor-se aos deuses eternos.
O celta acreditava firmemente que a beleza era uma forma de expressão física da bondade, logo, o mal seria algo feio, disforme. Várias lendas citam gente assim, como a de uma rainha sórdida, mãe de três terríveis filhos (mais uma vez a maldade vem encarnada em quatro indivíduos), cada um dos membros dessa família letal foi morto por sua vez, sendo que o último morreu nas Ilhas de Mann, pelos braços poderosos de Lugh, que ainda não era um deus.
Obviamente que a feiura de um Fomoir nem sempre é obrigatória, testemunhamos ao longo da história, pessoas de beleza decantada que eram poços de maldade.
A lenda desta feiura pode se explicar com um fato simples, já reparou que alguém que está de bem com a vida, sempre traz um ar leve, atraente e esbanja jovialidade e saúde? Eles não têm os joelhos disformes de Scatach Caileach, não são caolhos como Balor e nem trazem o rosto disforme de Morfran. Não há semente ruim que dê planta de boa cepa.

Por: Drustan, o Scaldi.

Fonte:
Explorando o Druidismo Celta; Knight, Sirona; Ed: Madras; SP; Br; 2003.

 

Lendas e Ufanismo.
“Religiões”

 

“Nos tempos atuais, muitos são os que promovem o fundamentalismo e há também um outro grupo quase tão grande quanto este que promove comoção usando como argumento o fato de supostamente lutar contra o fundamentalismo e a falta de liberdade de pensamento.”  Drüstan

Desconhecimento teológico e histórico
Idéias políticas à parte, o que causa fundamentalismos e ufanismos, é o fato de grande parte dos religiosos não terem qualquer idéia do que de fato dizem os textos de sua liturgia.

Costumeiramente, os contos e lendas religiosas são lidos e acatados de forma literal. Lembro de certa vez ter ouvido no rádio, que um aposentado que sustentava toda a sua família de neopentecostais com sua aposentadoria, veio a falecer durante a madrugada. De manhã cedo, quando o pastor chegava para abrir a igreja, dá de cara com a família abraçada ao defunto, e os familiares pediam para que o clérigo ressuscitasse o defunto para que a pensão continuasse.

Batismo pelo Espírito Santo ou Histeria coletiva?
Por acaso alguém aí acredita que se uma egrégora baixar sobre um local supostamente sagrado e logo os fiéis ali presentes comecem a convulsionar e falar coisas desconexas, isso seria uma demonstração de presença divina?! Isso é muito comum entre as seitas neopentecostais que não têm qualquer entendimento do que lêem. A histeria da assistência é assim transformada em milagre, quando, na verdade, o que se diz no “livro” sobre línguas estranhas é bem diferente.  

Pentecostes
Um dos idiomas utilizados para formar o livro - O Novo testamento foi o grego coiné, vulgar, falado pelo povo inculto. Assim na passagem que diz que “aqueles que estavam no templo falaram línguas estranhas”, é escrito como “xenoglossia” palavra grega que literalmente significa língua estrangeira.

Xenoglossia não significa simplesmente balbuciar, mas falar num idioma desconhecido, de forma correta, respeitando as regras semânticas, lingüísticas e gramaticais, de si ou do interlocutor, e assim mesmo se fazer entender.

A simbologia da cruz
Um outro caso bastante famoso vem do Oriente Médio. O profeta muçulmano proibiu que sua imagem fosse reproduzida; ninguém ousa conjeturar o motivo, mas a resposta é simples: quem traz a mensagem tem importância menor frente à carta da qual é portador; o foco deve ser todo na mensagem. Não foi o que ocorreu entre os cristãos, e isso veio, inclusive, mudar a explicação para a cruz por eles usada. O símbolo tem seu significado, e não é porque os romanos crucifixavam em T, como sabemos a crucifixão romana é em X.

Não nos devemos deixar enredar pela mesma ilusão. Talvez até por isso nossas lendas, as lendas celtas, sejam mais dantescas do que em outras crenças. Podemos usar como exemplo, a lenda das Transformações de Cerridwen, que é o início da lenda de Taliesin. A seqüência de transformações não deve ser entendida como real, mas é uma linda figura de imagem para uma série de mudanças de comportamento e atitudes entre os personagens no decurso dessa história; o mesmo vale para a história dos Porqueiros de Cooley. Há ainda por detrás disso, todo um valor ritualístico baseado nos totens.

 

Cultura religiosa e histórica
A primeira coisa que devemos fazer para não cair em tal esparrela é simplesmente adquirir “cultura religiosa”, ou seja, estudar sobre aquilo que nos toca em termos de fé. Isso fará com que adquiramos raciocínio sobre as imagens, alegóricas, que ocultam a mensagem que tem de chegar até nós para nos enriquecer o espírito.
Isso nos tornará diferentes do vulgo e nos libertará da selva de ilusões na qual o homem comum passa seu tempo a vagar.

Por Drüstan, o Scaldi

Escritor e sacerdote wiccano.

Fontes:
Dogma e Ritual da Alta Magia; Levi, Eliphas; ed: Pensamento; 1993; S.P.; Br.

 

Pudor
Uma história verídica sobre o comportamento celta

 Eles viviam em uma casa humilde; ele pastor e ela sua esposa e dona de casa. Naquele tempo, o território onde moravam sofreu invasão de um exército estrangeiro, e esses soldados se achavam soberanos de tudo e de todos; pilhando, matando e estuprando.
Com esse casal não foi diferente; por um dia inteiro a mulher sumiu e, ao voltar, conta ao marido que um oficial dos invasores a havia violado.
A vergonha e a tristeza invadem a cabana e o homem que era apenas um pastor sem arma ou poder, se torna apático devido à sua impotência frente ao caso.
Mas um dia a mulher some novamente, causando agonia no homem. O dia passa e ao fim deste, a porta é aberta com um chute e ele vê sua esposa que traz a saia agora avermelhada e com a barra segura pelas mãos da mulher, que fala:
- Veja meu amor! Agora não existem dois homens vivos que possam se jactar de terem se deitado com sua esposa!
Ela larga a saia e dali rola a cabeça do oficial criminoso.
Este é um caso real que aconteceu na Gália, atual França, quando das invasões romanas naquele território; é somente um entre muitos e nos mostra não só a força da mulher celta, mas também a importância que seu companheiro tem para ela; afinal, não só para aplacar sua própria ira, mas também para desagravar o esposo, ela urde uma trama ardilosa para pegar o oficial romano distraído e o decapitar. Se existe uma relação importante dentro da nossa cultura religiosa, esta é entre homem e mulher, pois como bem sabemos, a criação de todas as coisas começa justamente pela união do divino casal. A mulher celta era famosa não por sua subserviência, mas por sua auto-suficiência. Por vezes ocupavam papéis sociais importantes e ditavam a sorte de muitos. Não gostavam de ser controladas e ao primeiro sinal de prepotência alheia, logo mostravam uma face bastante rebelde.
Em contraponto, com as pessoas de seu coração, se desfazia em carinhos e agrados, e com o homem, a relação se tornava muito especial, não só pelo companheirismo e cumplicidade, mas até o apego e a sensualidade eram encarados de outra forma. Se rejeitada, mesmo apresentando tanta força, a mulher celta poderia adoecer fatalmente devido ao desgosto de não ser correspondida, e para obter o homem de seu desejo ou bem querer, até mágicka era utilizada.
O homem celta
Do homem, nós podemos dizer que este também era diferente do visto atualmente. Seu primeiro objetivo era ser reconhecido como o melhor em seu ofício, com isso quando o reconhecimento viesse, lhe traria liberdade de escolha inclusive no tocante ao casamento, e lógico, isso lhe daria chances de escolher a mais formosa e habilidosa das damas de seu meio social.
O sexo
O sexo também não era visto com o mesmo pudor e até hipocrisia da qual está cercado hoje. Mesmo sendo sagrado, era visto como algo natural, quem já não ouviu falar nos “casamentos no mato verde”, que se davam entre os casais após alguns sabbats?
Alegorias do ato sexual
A sexualidade é novamente representada em uma das alegorias comumente encontrada durante os rituais, o Grande Rito. Esse momento mostra uma adaga que é mergulhada por um sacerdote dentro de uma taça, que é segura por uma sacerdotisa. É literalmente o momento de fecundação da Deusa pelo Deus. Não há de fato que se temer ou ocultar com relação ao sexo, talvez exatamente por isso, tantos pais não conversem hoje com seus filhos, causando mais tarde uma prole de adultos recalcados e insensíveis.
Além disso, como não poderíamos deixar de citar, o aspecto mágicko do sexo, e isso nos dá o justo censo entre libertinagem e liberdade. Nosso amigo, irmão e mestre, o Mago Selath, sempre nos adverte “que ao atingir o orgasmo, o homem além de sémem deixa também sua energia impregnada nos genitais e útero femininos, daí o nome do fenômeno-impregnação, prenhez” essa energia passa a fazer parte do corpo e da matriz espiritual do corpo ainda que não ocorra fecundação e essas mulheres passam a fazer parte da egrégora, como família espiritual.
Tal energia jamais se extingue do interior da mulher e a acompanha até o fim de seus dias, e além da morte física. Essas forças a influenciam a ponto de alterar seu comportamento, então a mulher adquire – entre aspas – parte da psique e dos dons de seus amantes, por vezes repetindo seus atos. Daí, elas terem mais facilidade em assumir comportamentos parecidos com o de seus consortes (meu grifo).
A nós homens resta, apenas, o doce consolo de saber que só morreremos nesse mundo material, quando partir a última de nossas enamoradas. Fica aí um ponto para sua reflexão.

                                                            
Fontes:
 A Civilização dos Celtas; Lunay, Olivier; Editions Ferni; Genebra; Suíça; 1975.
 
NR. O povo celta viveu entre 2000 a.C. e 400 d.C. A civilização celta dividia-se em três castas: o povo, os nobres e os druidas.
O povo celta tinha um território que englobava a Europa Ocidental – França, na região da Gália, Alemanha, na região do Reno e do Danúbio, o sul da Rússia e da parte insular, a Inglaterra, a Escócia e a Irlanda.
Os Contos Arthurianos narram uma época de transição dos ritos celtas, (druídicos), para os cristãos primitivos. História)
Os antigos cemitérios celtas podem ser vistos hoje em locais onde há carvalhos e azevinhos, árvores sagradas.  O curioso é que entre as cruzes celtas antigas, talhadas em pedra, podem ser encontradas cruzes novas no mesmo estilo celta.
A MAGIA DOS DRUIDAS ESTÁ VIVA.
Veja também: Invasões Celtas e “De Belo Galico”

 

Ela Tomará de volta

Quem diz que em verdade somente os crimes do homem contra o homem serão cobrados? Saibam, pois, que os crimes do homem contra a Mãe também terão suas cobranças. Somos todos organismos inteligentes que respiram o mesmo ar, comemos do mesmo peixe, misturamos o mesmo trigo de um só pão, banhamo-nos num rio que deságua num grande mar, somos filhos de uma criação.
Mas, os tempos são outros, os milênios passaram trazendo as muitas faces da ciência esclarecedora, há uma miríade de combustíveis tão variados como os veículos por eles alimentados, substâncias químicas incisivas com um sem fim de usos.  Enfim, a ciência evoluiu com a necessidade, mas não deixou um ensinamento precioso: o homem veio da terra, dela sobrevive e a ela regressará.
Reconhecidamente avançamos, mas é um avanço falso por termos esquecido do fato de que o homem é produto do meio.  Nossos filhos já não reconhecem o cheiro da chuva que anuncia o vento, não tem o conhecimento ancestral das folhas e frutos.  Nossas esposas desconhecem a cor do peixe recém-pescado no mar.  A conseqüência desses atos é que destruímos paulatinamente o útero que nos dá a vida.
É dito pelos índios que não podemos dividir a terra, pois ela não é nossa; nós é que somos dela.  Também por índios é dito que o branco não sabe que a terra cobra, porque a terra traz a comida que cura a doença da fome.
Não esqueçamos que a mãe que cuida também é a mãe que castiga.
Por Drustan, o Skaldi

N.R. Mãe - o autor se refere à mãe Terra. Igualmente, na expressão “o útero que dá vida”.  A destruição do meio ambiente, através dos séculos, vem levando o homem a desastres ecológicos e, conseqüentemente, a sobrevivência da raça humana está em perigo.  Essa já era uma preocupação dos wiccanos em sua época áurea, muito antes das religiões ocidentais existirem.
 

Ela Tomará de Volta II

Por Drustan, o Skaldi.

“*Para começar esta nova temporada de matérias, nada melhor do que visitar justamente o assunto da primeira de todas, mas desta vez gostaria de começar homenageando o cientista James Ephraim Lovelock.” Drustan

Nascido na cidade de Letchworth Garden (Reino Unido) ao dia 26 de julho de 1919; o atualmente residente da Cornualha (possivelmente o país onde estaria o túmulo de Midir Merlin), compôs uma tese chamada Gaia Viva, que corrobora com algo que nós Filid já sabemos há muito tempo: a Terra vive, e como todo o organismo, responde aos estímulos que lhe são impostos. Já que o ser humano tem se comportado como uma bactéria nociva, está marcando o dia em que a Terra irá desopilar, mandando-o embora de seu interior. No seu mais recente livro, “A Vingança de Gaia”, o Professor Ephraim afirma isso categoricamente, e chega até mesmo a vaticinar que já atingimos o ponto de não retorno.

Sendo verdade ou não, esta afirmação promove um choque ainda maior sobre nós Filid, que somos justamente aqueles que celebram a Terra em toda a sua magnitude e resplendor maternal.
É no mínimo descabido pensar que não teremos mais matas para visitar e celebrar os mistérios da vida. Imaginem as manhãs frescas, desprovidas da neblina, na qual chegou a Thuata de Dannan! Não haverá mais um lago onde o cisne possa cantar sua canção de morte e beleza. Na devastação matarão também a razão maior de nossa crença.

Mas como já dizia Eliphas Leví, “todo aquele que incauto resolve trabalhar com forças maiores que ele mesmo, acaba por essas forças consumido”; com a raça humana, frente à Orbi não será diferente. Já que compomos a partícula menor da vida terrena, quem será o primeiro á sumir?

Quem já teve o prazer de comparecer a uma palestra do renomado radiestesista e kabalista George Charbel, também já escutou que os kabalistas esperam algo igual, e em média traçam o início do processo entre os anos de 2013 e 2017. Há, infelizmente, uma perfeita ressonância entre o pensamento mágicko e científico, sendo que o primeiro ainda deixa alguma esperança para a raça dos Milliesins.

A tônica do pensamento deste momento em diante deve ser aquela que nos mostra que quem não respeitar e ouvir a Terra, será por ela tragado, impiedosamente. Digo isto, pois somente aquele que souber as artes tradicionais do cultivo e da caça poderá se manter saudável e vivo. Chegaremos ao ponto onde teremos que nos comportar como em épocas antigas, tendo de saber sobre onde cresce e como é aquela erva que curará a doença advinda do período insalubre. Ai daquele que não souber como encontrar solo seco e saudável para um plantio confinado de alimentos, já que a carne comestível se reduzirá drasticamente assim como a água potável.

Por falar em água, este será o provável motivo das próximas guerras que serão todas estimuladas pela busca de recursos; desta forma, infelizmente nosso amado Breazail será um dos alvos principais já que detém 1% de toda água potável existente no planeta.

Somente ficará para ver o fim das hecatombes, aquele que, como um guerreiro, estiver apto a lutar pela sobrevivência sua e dos seus. Podemos ver que a questão é mais prática do que mágicka, mas com certeza, a maioria dos sobreviventes será de Filid, já que somos justamente os guardadores das artes antigas da relação do homem com a Terra. Acabou o tempo da ecologia, agora temos de libertar nossa ecofilia, isto é, o que determinará nossa sobrevivência ou até mesmo a parada dos males já vaticinados.
Observamos nos dias correntes as mudanças que o planeta já desencadeou. Santa Catarina agora é um gigantesco lamaçal já que recentemente foi assolada por chuvas potentes. O Cinturão de Fogo (conjunto de vulcões espalhados no planeta), lentamente começa á se reacender para enterrar cidades, como aconteceu a Pompéia e Herculano, na Itália. Lembrando as guerras, afirmamos que elas são fortemente anti-ecológicas, já que devastam toda a fauna e flora presentes no campo de batalha. Alguém se recorda da devastação promovida pelos EUA nas cidades japonesa de Hiroshima e Nagasaki? Agora a Mãe responde ao devastador enviando ventos destruidores á sua costa, e a resposta vem á altura, já que sobreviventes narram que a bomba atômica inicia sua destruição justamente com um poderoso pé de vento escaldante e contaminado.

Lugares onde antes havia terra chã, agora são assolados por terremotos, e cidades construídas sobre terrenos onde antes estava o Mar, agora começam a ser tragadas pelas águas, eis aí o elemento mais cioso de seu território, e provavelmente em dez anos engolirá certas ilhas na Indonésia.  Onde antes pouco chovia, ocorrem inundações; nos pontos onde a chuva vinha praticamente com hora marcada, agora há a estiagem, a seca e a sede dignas de deserto. Já nevou na Flórida e na Europa o calor superou os 30º C.

Justamente na Indonésia, há uma lenda que diz que o Espírito da Terra tomou a forma de um dragão e foi dormir no interior da Terra física, mas em espaçados períodos de tempo, o dragão se move em seu sono, mas de tão grandioso, por menor que seja seu movimento desencadeia alguma catástrofe natural. Num desses períodos a fera teria simplesmente aberto um dos olhos, foi o suficiente para parte do arquipélago indonésio afundar se tornando menor. Mas a lenda também diz que um dia o dragão vai de fato acordar, se erguer, abrir as asas e alçar vôo com rumo traçado de volta ao infinito de onde veio. Se com um simples abanar de pestanas parte das ilhas afundaram, não podemos imaginar o que vai acontecer quando o dia do despertar do dragão em fim chegar.

A hora já vai alta enquanto termino o texto, e justamente agora começa a chover nesta noite quente, a chuva traz a incerteza, já que como bruxo não posso mais normalmente prever sua intensidade com a simples observação, não sei se quando amanhecer vou caminhar ou nadar para meu trabalho. Pobres dos desvalidos que esta hora estão sob ela por força do infortúnio de viverem nas ruas. Rezo para que hoje, Danna desça à Terra com sua suavidade de mãe, e deixe o solo mais rico de vida para o tempo de provação que se abaterá sobre os Milliesins.

Enquanto Danna vem do céu, rogo para que consigamos cumprir a missão que Ela e nosso pai Cernnunos nos deram: ensinar o ser humano a ser humano e crescer respeitando e amando este chão sagrado que lhe dá a vida.

 (...) Vi bem infincado
Pau-Ferro, Upeúna
Vi Sibipruna
Jucá, Pau Pintado
O chão sombreado
Que o céu não se via
Da noite p’ro dia
Tem festa animada
Madeira calada
Machado assovia (...)

Música: No Bojo da Macaíba
Disco: Terceiro Samba
Banda: Mestre Ambrósio.
Fontes:
Rituais Celtas; por: Andy Baggott; Ed: Madras; S.P.; Br; 2002.
Gaia, a Terra Viva: http://hps.infolink.com.br/peco/nage_03.htm
A Vingança de Gaia: http://www.consciencia.net/2006/0124-hipotese-gaia.html

N.R. *Com um artigo de mesmo nome o escritor e sacerdote Wiccano Drustan “o Skaldi” iniciou sua participação escrevendo sobre Wicca e os mistérios celtas.

 

Mistificados pela Bruma
Por Drustan, “o Skaldi”

Há poucos dias, tive um encontro interessante em casa de amigos, todos Filid. Já havíamos marcado o compromisso, mas por algum motivo sempre sofremos com adiamentos. Esperávamos um jovem, que segundo meus amigos, estava um pouco perdido com coisas que vinha descobrindo e isto estava lhe imprimindo uma nova identidade com um forte pendor para os Antigos Costumes.

Depois de alguns minutos, ele chegou e contava a história de um dia conturbado que, novamente, quase o impediu de chegar, mas dessa vez ele veio apesar de todos os contratempos.

Como era um encontro entre bruxos, obviamente, não podíamos deixar de cozinhar e, enquanto os pratos eram feitos, a quatro mãos, eu e o recém-chegado conversávamos, preparando-o para as consultas de oráculo que viriam após o jantar. Aos poucos, fui descobrindo um jovem inocente, amante de histórias em quadrinhos e que desde pequeno divisava vultos de aparência sombria pelo meio da noite e escutava vozes; e como não podia deixar de ser, primeiramente, foi taxado de louco pelos pais e em seguida de endemoniado pelos parentes de vertente neo-pentecostal. Como ocorre a muitos, o jovem resolveu teimar em não reconhecer seus dons até que os mesmos foram bloqueados; com isso, nosso amigo foi “comprimido” na forma de um típico humano normal e católico.

Com o jantar à beira de ser servido, uma das panelas mostrava intenções de estragar com a festa, e o dono da casa nos perguntou o que fazer para salvar o prato que já ia pela brandolina, logo respondi:
- Pegue o trem em Londres, vá até aquela escola de Magia e peça a varinha daquele adolescente cavalgador de vassoura! (risos)
- Pelo visto você detesta a personagem... né?!
- Perguntou o mais jovem do grupo, mostrando que era fã da série.
- Devagar, pois não é bem assim que se toca a harpa, meu amigo.

E dei início a uma explanação, que tentarei repetir aqui.
Desde o início desta década, reparamos que há um estranho fenômeno de mídia, no qual a bruxaria está sempre presente nos meios de entretenimento, de forma lírica e às vezes até cômica. Bruxos adolescentes que se transformam em internos de Fosterages em dimensões mágickas, anões que viajam para destruir anéis em caldeiras de vulcões, bruxas que balançam os narizes para resolver o cotidiano, apresentadoras de programa infantil, que andam em companhia de elementais e outras que mechem o café sem usar as mãos na colher; há toda uma sorte de fantasias que orbitam em torno de um mesmo tema; nós e o Ofício. A cada lançamento de livro ou filme deste tipo, gera-se um frisson que nos coloca novamente sob refletores, e as reações da mídia e do público são as mais diversas.

Num primeiro momento de certa forma, a mídia tenta promover uma “assimilação de contra-cultura”, pasteurizando o material e fazendo com que a sociedade assimile o tema que lhes é mostrado sem o estofo real e de maneira diminuída cria-se uma moda nova para o mercado. Agora “a bola da vez” é a Índia e os ensinamentos vedânticos do hinduísmo.

Num segundo momento, inflamam-se os ânimos entre os fundamentalistas religiosos de outras vertentes, principalmente aqueles de origem judaico-cristã.

Por fim, vê-se nascer uma curiosidade principalmente entre os mais jovens que já têm uma tendência para tal, e aí está o perigo maior, principalmente a médio e longo prazos, em termos de religião e até mesmo para a saúde e a vida dos curiosos. Já que não dispõem de fontes sérias, pois foram desqualificadas ou ocultadas pela mídia no primeiro momento, nasce disso uma tribo de modistas que acabam por denegrir o Ofício com suas idéias errôneas e desempenho risível. São inúmeros os casos de jovens que foram hospitalizados por intoxicação após tentarem aquela receita de revistinha com capa cor de rosa e bonequinhas estilo mangá nas ilustrações. Em São Paulo, ficou famoso entre nós o caso do grupo de primas que quase incendiou a casa dos pais, sendo que estes foram culpar uma File de grande prestígio entre nós pelo simples fato desta ser sua vizinha. Isso sem contar os charlatões que surgem, aos baldes, nos programas femininos matinais proferindo falácias sem fim.

Como se tudo isso não fosse suficiente, há uma ameaça espiritual direta que incide sobre os despreparados. A mistificação, que segundo o dicionário significa “abusar da credulidade, de ludibriar; devanear ou fantasiar”. Exatamente por desconhecer a realidade daquilo com que resolveram lidar, os neófitos são continuamente assediados por coisas que não são o que dizem ser, e isso acontece até mesmo com sacerdotes experientes e chega a se transformar em vampirismo.

Faltando com os principais fundamentos, senão todos, os jovens são abordados por um sem número de entidades, que em sua maioria não passam de sombras mortas com necessidades sórdidas ou até meramente vontade de transformar pessoas em brinquedos para seu divertimento. Desta maneira, é gerada uma relação na qual o incauto é absorvido enquanto pensa estar lidando com espíritos poderosos e sábios, que ao seu passo o fazem cumprir uma série de absurdos e lhes ensinam práticas fantásticas prometendo os maiores resultados. É algo como aqueles charlatões de panfleto que lhe prometem “trazer a pessoa amada em três dias”.

Com isso, os novos crescem, pensando serem sacerdotes magistrais, quando na verdade se transformarem em peões em um xadrez sórdido. Quando dão por si, estão passando por bobos face a pessoas sempre dispostas a censurar, ou pior ainda, atraíram outros para a mesma ilusão e já estão todos à beira de um abismo sem fundo. As correções são difíceis, mas não impossíveis, mas mesmo assim há de antes se desfazer todo um sólido castelo de nuvens antes de começar um trabalho real em prol de quem busca algo além de uma vida material ou feitiçarias egoístas.

Afinal, como o ser humano passa a maior parte de seu tempo envolto em uma floresta de ilusões, é difícil lhe abrir os olhos mesmo que contemos com a vontade desse. Imagine como deve ser difícil acreditar que aquele que lhe assessorou por um longo tempo, e lhe fazia a vez de mestre não passava de um bandido que o enviava em seu lugar na hora de fazer o serviço sujo ou cumprir as penas? Antes de mais nada, esteja o caminho errado ou certo, faz-se mister a desmistificação derrubando os ídolos disformes.

A melhor defesa para quem busca o caminho com sinceridade é a pesquisa árdua e a prece constante e amorosa aos deuses antigos. Já que por desconhecimento, que é comum ao iniciante em qualquer matéria, apenas devemos contar com os augúrios divinos, para que nos ponham em mãos de um bom guia ou então nos façam encontrar material que nos esclareça as dúvidas iniciais.

Acima de tudo, não devemos nos deixar levar pelos apelos modistas causados pela mídia, que torce a imagem ao seu bel prazer, em prol de um melhor apelo comercial para o momento.
                                                     

                                                                                  Por: Drustan, o Skaldi. 

(...) “Eu só vim aqui buscando conhecimento,
Coisas que não poderiam me ensinar na escola.(...)
Demônio no profundo azul do mar atrás de mim
Disperso pelo ar você jamais me encontrará
Transformarei sua face em alabastro,
Quando você encontra seu servo ele é seu mestre.
E você estará atado ao meu dedo“

Música: Wrapped Around Your Finger.
Álbum: Sinchronicity.
Banda: The Police.

Fontes:

- Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa; Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; Ed: Nova Fronteira; Rj; Br; 1985.
- Livro dos Espíritos; Allan Kardec; ed: Federação espírita do Brasil; Rj; Br.
N.A:
- Fosterage (Gaélico) - Tipo de antigo colégio interno druídico onde se formavam novos sacerdotes.
-File (Gaélico) - Palavra que no francês e português originou a palavra filé, o refinado, o mais fino, nome dado aos sacerdotes  celtas.
- Filid (Gaélico) - Plural de file.

 

Torcendo As Horas.

Por: Drustan, o Skaldi.
 “O próprio Dr. Einstein afirmou que “Se eu soubesse que o tempo é relativo entre lugares, eu teria me tornado relojoeiro.”

 

A segunda-feira ainda estava na aurora, no entanto eu acordei ressabiado. O coração pesado e a mente alerta, típicos sintomas de susto, no entanto não havia motivo. Saltei da cama apressado e comecei a me preparar para o dia de trabalho, enquanto isso me questionava o que teria provocado tal reação.

Depois de alguns minutos, concluí que nada havia e procurei me concentrar no alaúde que tocava no rádio, mas assim mesmo a angústia não se desfazia. Saí de casa ao som de um madrigal etéreo que não combinava com meu estado de espírito. Menos de uma hora depois saltava do ônibus próximo ao trabalho. A visão das pessoas me enervava, era como transitar em um local que me causava aversão.

Todos me pareciam iguais, todos Fomoire, vivendo apenas para saciar suas fomes e sedes de cada momento, o pior de tudo é que eu me sentia um deles. Então mais uma vez eu me dei conta, a realidade me enredara e eu havia esquecido de quem sou, preocupado apenas em satisfazer a necessidade como um animal, e pior, um animal já condicionado; dominado por alguém mais esperto.

No caso esse alguém é a realidade imposta pela sociedade: dinheiro, status, poder e tudo o que vem com eles. Mas eis aí o mundanismo e o momento para a lição.

A realidade da sua cidade é formada por um enorme coletivo de realidades individuais, é o exercício da pressão das mentes de todos os indivíduos da comunidade reunidos. É como o tempo, ele não é plausível, se desenrola de acordo com a percepção de quem o observa, segundo os cientistas, pode variar até de um lugar para outro. O próprio Dr. Einstein, afirmou que “Se eu soubesse que o tempo é relativo entre lugares, eu teria me tornado relojoeiro.” O tempo não é uma instituição fixa, tem severas variantes que podem implicar entre o tentar e o conseguir, basta saber se vai ser o suficiente para que um determinado evento aconteça.

Agora vem o pior: O tempo não é fixo, logo, se torna maleável. Esta é uma mágicka digna de um Dragão! Abster-se do tempo em momentos cruciais é a fórmula para começar a manejá-lo, basta não se ater a ele e aquilo que antes era impossível em um curto espaço de tempo, acontece. Basta não ligar e fazer sua parte com concentração. Obviamente por causa de toda uma vida de condicionamento, não adianta forçar em certas ocasiões, a força a ser empregada; vai além do nosso alcance.

Pode parecer uma divagação estúpida da minha parte, mas pense no soldado que luta para desarmar a bomba, o médico que tem de desfibrilar o paciente morto e até mesmo o criminoso que contra o tempo se evade da cena no crime. Todas essas são ocasiões onde geralmente se pensa que o tempo não será suficiente, mas com a devida concentração e alheamento ao relógio, acontecem movidas apenas pela vontade de quem age. Depois de muitas experiências, o Éter começa á se abrir e vem aquela noção antecipada dos eventos marcados no nada, sobre horas vindouras, o futuro das horas.

Quem não tem essa noção, age qual escravo ou animal condicionado a salivar ao som da sineta. O que detona isso é muito simples: O fim do tempo da vida é a morte. O ser humano dispende todo seu tempo, correndo da Morte, sempre há muito a se fazer em um mínimo de tempo. Por isso as pessoas mundanas estão sempre aferradas em seus objetivos comezinhos, se eles não lutam por isso o tempo inteiro, se não empregam toda a força de suas células, eles não realizam e a morte é campeã.

Quem compreende o tempo, sabe que a morte não é o fim de todo o tempo, mas apenas um fim de período, portanto sempre há calma, pois sempre há tempo para se fazer e ser mais.

Uma hora depois de despertar eu chegava ao trabalho. À medida que me aproximava da minha sala me sentia mais calmo, por estar mais longe do ambiente inóspito da rua. Mas a calma não veio de todo, já sentia o Éter se abrir e mostrar o futuro das horas, seria um dia difícil, foi um dia difícil.

Para terminá-lo, sento aqui, escrevo e compartilho meus vislumbres. Foi um dia difícil. Boa noite; durma bem.

“Se seu tempo para você
Vale a pena ser salvo,
Então é melhor começar á nadar
Ou irá se afundar como uma pedra.
Pois os tempos, eles são uma mudança.”

Música: The Times They Are a Changing
Autor: Bob Dylan.

Fontes:
Corpus Hemeticus (Trismegistus, Hermes; Ed: Instituto Michael; Br)
Rituais Celtas (Baggott, Andy; Ed: Madras; S.P; Br; 2002)

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Dagaz
Por: Drustan, o Skaldi  20.11.2009.

Dagaz é o nome de uma runa; este glifo não tem lado e é uma das “treze runas do ciclo do destino por ser uma das letras que fala sobre o estado evolutivo do indivíduo. Esta letra do Phuthark(1) quando sai em um jogo simples, fala de um salto no escuro, uma prova de fé que fará o indivíduo renascer e evoluir, e por isso mesmo ela fala de dissolução, morte, mesmo em grau físico. Outra pedra relativa a rupturas é Hagalaz, o granizo, ou seja, uma separação abrupta promovida por forças externas à nossa vontade, por vezes as mãos dos deuses ou novamente o destino. Tal glifo também não tem lado.

Morte?
Mas o que isso tem em comum com os textos anteriores da série sobre espaço/tempo? Simples, o último rompimento da convenção espaço/tempo é algo comum a esta coluna, a morte. Não é a morte a dissolução da matéria e a interrupção da linha do tempo?

Quem, como nós, estuda a velha filosofia, sabe que morte não significa apenas o fim da vida, é transformação, é ter de abandonar velhas coisas, costumes e pessoas em prol da abertura de espaço para a vinda da primavera. Mas, para tanto, há de se ter preparo, pois todo o corte traz dor, dor que é causada pelo apego, que é o item final desta série.

Em seu artigo sobre o apego, as psicólogas Juliana Dalbem e Débora Dell’Aglio (UFRGS), ensinam que o apego é desenvolvido ainda na primeira infância do indivíduo, sendo este um programa de controle homeostático, criado com base na alimentação e sexualidade. O apego se cria pelo fato de que a necessidade de sobrevivência do bebê cria laços de cunho afetivo com aquele que o guarnece, já que depende deste para se manter vivo. Mediante isso, a satisfação da necessidade traz saciedade e prazer e o indivíduo, cria laços intensos com aquilo ou aqueles que lhe produzem tais efeitos, sendo o objeto de apego removido, a homeostase dá partida a um processo no qual o indivíduo procurará repor o objeto de apego a fim de reaver a segurança perdida; a tese exposta fala de sentimentos entre pessoas, mas sabemos que isso pode se dar também com comportamentos, lugares, idéias e até mesmo objetos.

Vivemos com o fato de que ao longo da vida, várias coisas e pessoas passam por nós, tendo seu tempo de integração bem definidos na nossa Roda do Tempo, mas o apego faz com que tentemos conservá-las a todo custo, porém aquilo que deixa de ter utilidade logo se transforma em peso morto, aumentando o sofrimento, lógico, uma bagagem pesada acelera a fadiga no caminhar e aí forçosamente temos de nos livrar disso para continuar até o objetivo com as forças e meios que restarem. No caso da morte, os filósofos kardecistas afirmam que o apego ao corpo pode fazer com que a sombra morta da pessoa sinta até mesmo os sarcofagídeos se alimentando de seus restos e sintam ainda as dores de sua causa mortis, tal coisa só poderia ser evitada por quem tem desapego á suas formas carnais e aspectos da vida passada.

 

Desapego
Mas o que seria o desapego propriamente dito? É dito na doutrina de Buda que o desapego é uma das condições necessárias ao homem para se ver livre de vários motivos de sofrimento. É preciso ter espírito forte para ser nobre o suficiente e conceder liberdade ao passado. Tudo tem seu tempo e lugar, entendeu?  E por isso mesmo, várias vezes na vida, chega o momento em que temos de superar a forma e abrir mão, deixar ir. O rio represado tem de correr de vez em quando ou transbordará e afogará os frutos do trabalho de quem o represou e poderá até mesmo matar na intenção de se ver liberto.
Para muitos, que não têm esta idéia firme na mente, o processo de renúncia é extremamente doloroso, infinita é a dor da mãe que vive mais que o próprio filho e lhe testemunha a partida. Mas os filhos não são nossos, os amores são do universo, os objetos pertencem à matéria, as circunstâncias são do tempo, o poder vem dos deuses, de fato. Só é seu aquilo que você pode dar. O desapego é de fato a demonstração de poder da realeza. Quem aprisiona é comezinho, quem está preso é escravo e somente o rei pode libertar o escravo e dar indulto ao criminoso, tornando-os livres, e o homem livre é um homem inteiro; sendo que o homem inteiro, íntegro, tem poder sobre si mesmo, e quando liberta o seu passado, também se torna um rei.

 

“E assim vai
Chamando como um vento distante.
Na hora decisiva andaremos
Para atravessar ferro e fogo;
Sem som para quebrar, sem momento certo.
Quando todas as dúvidas são claras como cristal
Se batendo de frente para quebrar o vento secreto.”

Música: Cuts you Up.
Disco: Deep.
Cantor: Peter Murphy.

Fontes:
Doutrina de Buda; Gautama, Siddharta; Ed: Matin Claret; S.P; BR; 2005.
Livro dos Médiuns; Kardec, Allan; Ed: Fed. Espírita do Brasil; RJ; BR.
Teoria do apego; Dalbem, Juliana; Dell’Aglio, Débora; UFRGS; RS; 2005
(http://pepsic.bvs-psi.org.br/pdf/arbp/v57n1/v57n1a03.pdf)

N.A:
(1)Phutark: Alfabeto rúnico nórdico.
Drustan no Twitter:
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Transmutationes
Por: Drustan, o Skaldi.

Na vez anterior em que nos reencontramos, o assunto foi a Alquimia, mas esquecemos de falar algo fundamental não só para a Agricultura Celeste, mas também para o Creideamh, a transmutação, não aquela que se faz sobre a matéria, mas em si mesmo.

Uma coisa que há de comum a essas duas práticas é o aprimoramento do ser humano, que deixa de ser um simples cordado, vertebrado, mamífero,bípede homo sapiens sapiens, ou seja, um animal bípede falante.

 Ao olharmos a história em seu início, podemos acompanhar a evolução humana inclusive no desenvolvimento da moral e ética, mas nada poderia se fazer se não houvesse homens e mulheres que se destacassem da turba multa para servir de exemplo. Há na sociedade certos tipos de pessoas que são inquestionáveis, como o médico, o sacerdote e outros “oficiais” de formação muito específica e elitizada. Repare que se o médico lhe ordena tomar um medicamento você jamais questiona, se um clérigo lhe ordena uma prece ou ritual, ninguém vai contra e sempre se pensa: “Ele sabe o que faz, então quem sou eu para ir desdizer?”

Isso demonstra que a classe dos sábios ainda tem destaque entre os homens, resquícios de um comportamento tribal; mas e se tais sábios fossem pessoas que fazem mau uso de suas especialidades? Onde estaria o bem fazer em seus atos que demandam tanta técnica? De nada adianta crescer vistosamente em técnica sem se desenvolver humanamente, outra coisa que a Alquimia e o Ofício têm em comum, é o fato de não trabalharem bem em mãos maléficas; não só por produzirem resultados perniciosos, mas também porque não atingem os objetivos maiores e de maior monta. Aqueles que não desenvolvem a piedade com os justos e a solidariedade, podem esquecer de ao menos ver a Pedra. Dos Filid, os que não forem nobres de caráter, jamais terão direito a produzir as grandes mágickas que dobram a realidade.

Quando pensou sobre os Alquimistas, S Tomás de Aquino os recomendou, inclusive a romper contato com pessoas de intenção sórdida, para nós do Ofício ficam os Geisa (já abordados anteriormente na coluna). O que dizer do Cardeal Richelieu ou Balor? Como terminaram as vidas de homens que detiveram o poder do conhecimento em mãos, mas pensaram e obraram apenas “per se”?

A Roda do Tempo deste mundo, conta sobre os Bórgia e seu veneno, fala dos três filhos da rainha que ambicionava matar Lugh; onde estão todos eles? Na vala comum para onde Tethra nos carrega, hoje são apenas alimento para os cravos sem perfume, daqui nada levaram exceto seu Karma maldito. Sem ouro, sem o reconhecimento do vulgo ou os louros da fama, e o pior de tudo; por terem usado o que sabiam para produzir o malogro do próximo, os poucos que ainda lembram destes, os rememoram como gente a ser evitada em nosso tempo. Obre ao pé de seu cadinho e do caldeirão, mas advirto que o que sair de lá, nunca deve ser para vantagem própria e descontinuidade da natureza, pois esta produz frutos apenas para nossa elevação.

Indo para pontos mais práticos de subverter a intenção desses conhecimentos, verificamos que o Alquimista e o File precisam demandar investimentos não só financeiros (rendimentos do trabalho justo), mas precisam demonstrar disciplina rígida, paciência no fazer e estudar, temperança e discernimento, se tais predicados lhes faltam, são apenas assopradores ou exoteristas de boutique. Segundo relatos, para a obtenção da “Pedra”, as transformações químicas apenas se dão mediante grande emprego de energia do adepto, não obstante a técnica nota-se também a necessidade de transformação paulatina e contínua de quem faz, daí o fato de muitos começarem, mas jamais terminarem com vitória, não se pode esquecer que é mister estar pronto para a Pedra e suas maravilhas.

No nosso caso em específico, posso dizer sem medo de errar que já acompanhei casos de gente que tinha a casa lotada de livros, imagens e cristais, mas foram para outros cantos, pois jamais seus atos mágickos produziram efeitos plausíveis, outros terminaram vampirizados, um foi preso e já vi gente que embarcou para a última viagem. Não precisamos combater tal tipo de gente, eles autodestroem.

Fontes: O Ouro dos Alquimistas (Sadoul, Jacques; Edições 70; Lisboa; Portugal; 1970)
O Guerreiro Wicca (Cukulain, Kerr; Madras; SP; Br; 2001).

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Da Terra

Por Drustan, o Skaldi

Após iniciar sua existência na água, a vida vem consolidar-se em terra firme, materializando-se e reproduzindo-se.
Visto que a terra é a base para muitas coisas, este elemento conecta-se ao nosso endoesqueleto e externamente é representada nas partes inferiores do corpo já que estão mais próximas ao solo. Além disso, a terra controla funções renais e as forças germinativas humanas.
A conexão com os ossos se explica facilmente porque muito do que somos e fazemos principia por um plano (geometricamente falando), uma base, um piso. Já que sem isso nada se manteria de pé, imagine um edifício de fundações fracas que estão sobre um solo instável, sem dúvida não vai ficar de pé.  Duvido até que a obra chegue a termo.  Com nosso corpo, é igual, sem um pilar adequado não ficaríamos de pé e não haveria locomoção, portanto se este elemento está em baixa, em termos de físico, os ossos não têm ductilidade e não há firmeza.
Por falar em firmeza, este é o sentimento que produz a terra, isto também pode ser lido como valentia e/ou decisão.  Quem está de bem com esse elemento se parece muito com um vulcão.  Quando em paz está imóvel, impassível e grandioso, nem a força do tempo ou do clima o perturbam, e com aquilo que traz dentro de si, proporciona muita beleza e muita vida para tudo e todos à sua volta.  Mas chegando o momento de atividade, o vulcão liberta toda a força interior e se expande em forma de aluvião, faz tudo tremer, queimar e incandescer.  Assim, quando volta a paz anterior, tudo está petrificado em suas cinzas que servirão como campo de cultura para a vida que se renovará.  Desta maneira o temor e o renome do vulcão atingem distâncias imensuráveis.  Esta é a descrição de um guerreiro da terra.
Podemos explicar esse poder explosivo expondo o fato deste elemento controlar a função renal do corpo humano, mais especificamente, nas glândulas suprarrenais que produzem a adrenalina.  Bem próximo do rim está o outro setor da terra, o aparelho reprodutor, observe.  O sexo é o instinto humano mais básico, não à toa, o “chacra básico” está abaixo do ventre.  Só vida anima vida. Só matéria reproduz matéria.  A terra é o berço onde dorme a semente!
Suas cores são o marrom e o “preto”, matiz padrão dos filhos da terra, logo todo o povo da Wicca.
Sua força vem do Norte, assim ao celebrar este elemento para lá olhamos de dentro do círculo.  Seu movimento é descendente já que todo o aterramento vem do alto e termina no baixo, tal qual um para-raios.
Mágickas de terra regem o mundo do material, ela reina sobre os bens e o trabalho; mas seja sábio e comedido, saiba o que vai fazer, pois, “se vem fácil, vai fácil” e, além disso, “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”.  Jamais tente abraçar mais do que a parte que te cabe nesse latifúndio, que é a nosso orbe.
Tudo que está enterrado não é visto ou sabido, se não e sabido é segredo, este e um outro domínio da terra, por definição o interior deste elemento é frio e escuro (skaldi). Ali dorme o segredo do sábio, a matéria do morto e tudo que simboliza o Reino do Submundo e sua treva fria. Também ali está medo e todas as suas modalidades. Tudo isso é domínio do Ofício Scaldi, mas lembre-se que ali está também a semente, pois na treva se faz a luz.
“Revertere ad locum tuum”
(Retorna ao lugar que é teu)
Frase em Latim padrão para portões de cemitério
Por Drustan, o Scaldi
Fonte:

BAGGOT, Andy. Rituais Celtas. St. Paul, EUA, Madras, 2000.
 

 Do fogo

Por Drustan O Scaldi

Convido-o a mudar de quadrante no círculo e ir comigo para o Sul.  Ali está o próximo elemento do nosso escrutínio, o fogo.  Dos elementos naturais, é o que tem ação mais forte e variada, pois tanto dá vida quanto mata, é tão protetor quanto ameaçador e, ao mesmo tempo que simboliza iluminação, também traz a punição.
No corpo humano, pode ser encontrado no terceiro chakra – plexo solar e, por isso, obtém grande influência no sistema digestivo, principalmente no fígado, que tal e qual uma fornilha cósmica, filtra e refina o alimento ainda espesso, nos deixando somente a parte útil de sua essência.  Faz o mesmo com as nossas emoções, principalmente a ira, e disso o fígado retira a quinta essência tão importante nas mágickas de volição; mas isso já foi dito em outra oportunidade.  Mas por falar em raiva, eis aí outra área do fogo, a ira.  O movimento de ambas é do interno ao externo, rápido, caloroso e atinge tudo em volta, por isso, um ataque de ira cega é comparado a uma explosão flamejante.  Por ser ligado às externações, o fogo controla os olhos, a vesícula e seu movimento repentino ordena músculos e tendões, que têm suma importância nas “Explosões físicas” tão necessárias aos atletas.  Ainda nas emoções, o fogo afeta a auto expressão, ou seja, a capacidade auto expansiva de comunicação, pessoas com pouco fogo, tendem a ser introspectivas e apresentam dificuldade em falar de si ou manifestar aquilo que lhe vai por dentro, sem falar dos constantes ataques de cólera.
No simbolismo, as chamas são de significado muito rico, por ter sido o primeiro elemento que o homem aprendeu a “manejar”.  O fogo é símbolo de evolução e de tudo o que tem a ver com isto como iluminação, intelecto, etc.  Ao passo que é luz também é castigo, pois aquele que persiste no erro será queimado em punição para depois ser obrigatoriamente iluminado e retornar à correção. Disso, na verdade, advém a imagem de um inferno flamejante que tanto apavora os judaico-cristãos monoteístas deste mal não padecemos já que nós da Wicca não temos infernos.
Nas cerimônias o fogo significa a própria centelha divina a luz primordial que traz esperança e ilumina afastando as trevas.  Às vezes também apresenta o fim de um ciclo, o velho é incendiado para dar lugar ao novo. E quando a chama se apaga, também pode ser um aspecto do desligamento ou o recolhimento, a morte.
Nossas chamas internas, ainda desempenham dois grandes papéis; no tocante à consciência, representa a intuição, posto que a expansão da consciência até o mundo exterior, causa uma conexão com o ambiente e nesta comunicação nos chegam as impressões do que há em volta e em último. Besta uma pequena centelha para ativar um dos mais básicos instintos humanos, o sexo.  Quem nunca foi dominado pelo fogo do desejo?
Por todas essas atribuições, ao chegar em sua cerimônia, o fogo deve sempre ser saudado, precisa-se tratá-lo com muita deferência, e para extingui-lo, jamais devemos soprar ou afogar, primeiro se despeça, agradeça e abafe-o.  Do contrário, seus elementais poderão lhe causar muitos problemas, talvez até com gravidade.  Já testemunhei salamandras que tentam engolir pessoas e até grupos inteiros, e sempre impelem grandes prejuízos quando contrariadas. Mas isso também faz das salamandras grandes guerreiras contra o mal, baste um toque para que tudo de malévolo queime até a erradicação. Apesar de tudo, a grande magicka do fogo consiste em mantê-lo perto de si, sempre que possível, mesmo sendo o mais rebelde dos elementos, ao ser cativado, o fogo, vira amigo precioso; cozinha o alimento, agasalha o corpo, ilumina de toda a forma e seus movimentos e sons quando observados atentamente, falarão de paz e serão guias em uma profunda meditação.
Esta é nossa homenagem sincera, ao elemento que primeiro estendeu suas benesses ao homem no momento de ensinamento vindo conosco a coabitar.
Por Drustan, o Scaldi
Fontes:
BAGGOT, Andy. Rituais celtas. Ed. Madras. St. Paul, EUA, 2000.

 

Do Ar

Por Drustan O Skaldi

É o momento de falar do último quadrante do círculo, o Leste, onde mora o ar.  Este é um elemento bastante popular, mas assim mesmo pouco conhecido em termos de competência, já que quase ninguém consegue falar dos dons aéreos conscientemente.
Não é necessário dizer que devido à respiração, no corpo humano, o ar controla cada órgão das vias aéreas, do nariz até os pulmões.  Mas, graças ao seu movimento do externo ao interno (assim começa a respiração) há mais um órgão onde o ar atua, o cólon, pois ali é compactado o alimento não aproveitado que eu seguida sofrerá excreção.
O vento é como o pensamento, invisível, mas existente; por isso, o cérebro é por excelência a casa do ar. Este elemento controla o raciocínio, a inteligência, a dedução e a emoção a ele subordinada, é a ânsia, quer provas? Basta não saber o que fazer numa situação periclitante e veremos a ânsia, o pânico e o descontrole se instalarem em nossas mentes. As relações sociais também são aéreas por consistirem em atrair a atenção de outros para si – novamente do externo ao interno – assim como seus afetos e favores, em toda a relação, mesmo que amorosa, existe uma parte de mente, o amor entre homem e mulher é um excelso professor nas artes da vida, e veja que a inteligência é um atributo que sempre é apreciável no sexo posto.  Afinal, a comunhão entre os seres deve ser completa em espírito, coração, corpo e mente.
A cor cerimonial do ar é o amarelo, e esse elemento é o próprio símbolo da magicka.  Note que o ar e o encantamento são símiles; não se vê, às vezes não se ouve, e muita gente não pode senti-lo ao derredor, mas está em todo o lugar uni cientemente, mas se um ou outro nos faltarem, todos morreremos.
Os elementais do ar são os elfos, seres admiráveis tal qual o vento e o sol, vieram do Leste, mas isto, explicaremos em outra ocasião.  De qualquer forma, são os elementais que mais se assemelham aos humanos, em termos de conhecimento.  Lembremos que o ar é conhecimento.
Mas findando, ainda á algo mais que pertence ao ar, a espada, e é justamente este objeto que comanda o ritual.
Bom, está entregue a chave das direções.  Agora, sabendo onde tudo está, basta ir buscar.  Mantenha sempre o respeito pelos elementos e seus dignitários.  Eles lhe revelarão os segredos do mundo e dos homens, pois por mais que neguem, a humanidade depende e dependerá deles enquanto existir o mundo.

Fonte:
BAGGOT, Andy Rituais Celtas. Ed. Madras. St. Paul, EUA, 2000

 

ETER

Por Drustan o Skaldi

Como costumo dizer, por cultuarmos a natureza, estamos continuamente envolvidos por forças que nos movem e abastecem, diuturnamente, cada ato magicko em nossos dias, mas, a grande questão, ninguém sabe que força é essa.  Apesar de tão presente, nos é insípida, inodora e incolor, tem importância principal, mas jamais pode ser tocada.
O que é isto?  De onde vem, para onde vai? Onde está? E, principalmente, como se chama? A resposta é: ÉTER.
A Terra exala formas de energia, assim como fazem todas as coisas viventes que nela habitam. No caso específico de nosso orbe, esta força se desprende, continuamente, sem descanso, literalmente. A esfera poreja seus fluidos; este material assim que está livre de sua fonte se condensa tomando um aspecto gelatinoso e transparente. Alguns chegam a ver em seu interior centelhas que entrecortam o “espaço”.
O éter está presente em tudo, nos seres vivos e também em objetos inanimados, não importa onde ou quando, mas estamos sempre envoltos na substância etérea.  Para ser bem exato, sem ela nada existiria e nós, filhos e filhas da Terra, teríamos poder nenhum. A imersão no etéreo pode acontecer a qualquer momento, mas a condição é que estejamos em estado de consciência alterada(1).  Nesse momento em que nos conectamos com ele, naturalmente, a consciência viaja e nos mostra coisas impensáveis à realidade. Temos oportunidade de quebrar dimensões, vislumbres na linha do tempo e até mesmo estamos habilitados a obrar atos de magicka sem o auxílio de qualquer instrumento ou cerimônia.
Como já foi dito, o éter é insípido, inodoro e incolor. Na química, não são estas algumas da qualidade da água? Exato! Na simbologia wiccana a água é aquilo que representa materialmente o etéreo, já que o éter também não tem forma definida e pode alterar sua densidade.  Sua outra representação é a quinta ponta do pentagrama, promovendo-o assim à qualidade de quinto elemento.  Estando em todos os lugares, está mais puro nos lugares de contato direto com a natureza, mas sem por isso deixar de existir no meio de uma fábrica.
Os monges budistas o tocam ao entoar o OM.  Ele é a substância macilenta que nos envolve durante os sonhos. Tocamos o éter ao sentir o frescor d´ua brisa primaveril entre os dedos e o éter nos inunda quando relaxados, somos tocados pela pessoa amada ou ainda quando a espada corta o ar livre.
Para que mensuremos a importância do éter, dar-vos-ei um grande exemplo. Quando imersos na viagem, podemos antever sobre um terreno baldio, as formas exatas de um edifício futuro, mesmo que este ainda esteja só na planta que nos é desconhecida.  Afinal, tudo antes tem de ficar pronta no etéreo para, então, concretizar-se na matéria.  Basta que possuamos o olho da águia e nada nos escapará à vista aguda.  Seja aqui ou já.  Nos mantos etéreos não há espaço ou tempo que nos fiquem encobertos.
Então, na desgraça ou fortuna, jamais pragueje; sob sol, chuva ou neve nada maldiga. Veja os pássaros do céu que no sol voejam e cantam. Na chuva, calam e repousam; no dia, vivem a liberdade para, na noite, recolher-se ao ninho seguro junto à gente amada.
É muita a vida lá fora para que, sozinho, você a destrua, se agitado por rancores humanos.
Respeite o que vier e compreenda, pois tudo é sagrado, tudo é magicko, tudo é etéreo.  Embriaguemo-nos com o sangue da Terra.  Pois só com o éter saberemos como, onde e quando fazer.
A Grande Mãe te presenteou com muitos dons.  Abre este presente; só assim saberás o que fazer com tanta vida.

N.A. O estado alterado de consciência pode ser obtido pela respiração (super-oxigenação), pela meditação, pela repetição de mantras, no estado de pré-sono ou por acaso em um estado de contemplação profunda, durante êxtase, fixando-se um ponto infinito e pela hipnose.
 

SIMBOLOS

Se é desagradável conhecer e não utilizar, imaginem como é utilizar e não conhecer.  Infelizmente, este é um fato comum entre profissionais de vários ramos e também entre os praticantes de magicka.
O assunto é simples, mas por isso mesmo é complexo.  Abordaremos aqui a razão de símbolos bastante conhecidos: a cruz wiccana, o pentagrama, entre outros.

A Cruz Celta

A cruz é menos conhecida, mas muito importante, já que em si mesma encerra uma série de significados de eminente conhecimento. Basta construí-la por partes e tudo será visível. Descobriremos, pois as brumas.  O primeiro passo é o círculo.  Ao ser traçado, já designa o espaço ritualístico, o cosmos, o mundo e o tempo “ad infinitum” por onde desfilarão todas as outras coisas, por onde desfilarão todos os fatores que descobriremos ao fim.
Adicionando-lhe no interior o ponto central, interseção das linhas, podemos divisar o sol enquanto força criadora, o aspecto masculino e fálico da divindade e, simultaneamente, o seu lado feminino. Existe aí, também, o início da espiral sagrada (ainda latente) e a roda de “samsarah”, que é a décima carta do tarô e o éter.
Passe, pois, a linha horizontal para ver aquela época, em que a Grande Mãe ficou grávida em sua união com o Grande Pai, e gerou a Terra.  Veja criada a nossa “orbi”; nosso plano de existência, plano, posto que é dimensional e material.  Encete u’a reta vertical para ter consciência da descida de todos os tipos de espíritos para a terra, eis que a vida da “Onda de Nemed”, eis a vinda das outras “ondas” que lhe sucederam (vide texto Quem Somos Nós? Parte 1). Olhar para a figura que se fez é ver os quatro quartos lunares, o sol que muda de cor com as quatro estações, que ali também estão os quatro “sabbaths” e os quatro “esbaths”, os deuses e deusas trinas, acompanhados de sua forma oculta; enfim, é a Roda do Ano Wicca.
Finalizo pondo um pequeno traço na ponta das linhas pelo lado de fora, e ali teremos os quatro pontos cardeais, guarnecidos pelas torres, portões e senhores dos quatro elementos. Está composto o símbolo que, se riscado no chão, também é um círculo magicko para qualquer ritual.

O Pentagrama

A Mãe nos fez deuses como ela, não por imagem como é dito em certo livro, mas porque temos poderes e conhecimentos como os dela, só que em menor proporção. Por sermos uma parte da criação, também somos idênticos à terra e temos os quatro elementos, além dos elementos que residem em seus respectivos chacras, isto é, comprovado factualmente pelo organismo. Dúvidas?!
Terra – Além de haver plantas no interior dos intestinos (flora intestinal), existe no sangue uma extensa coleção de minérios, como ouro, prata, ferro e outros tipos mais, alguns inclusive com faculdades radioativas.
Água – Nos bancos escolares, aprendemos que setenta por cento (70%) de nosso corpo é constituído de água, e três quartos da superfície terrestre está submersa.
Fogo – Ao despender energia, o corpo humano gera calor, que é a forma de exaurir o excedente de energia não aproveitada durante um movimento, nosso sangue também é quente; mas se produzimos calor em demasia, existem os raros e temidos casos de combustão espontânea.
Ar – Além da respiração pulmonar existe a respiração celular, que necessita do mesmo ar pulmonar que é veiculado no sangue.
Éter – Além das partículas radioativas presentes no sangue, liberamos eletricidade ao nos movimentarmos, e o raciocínio é composto de milhões de impulsos elétricos. Isto gera todo um campo energético em torno do corpo.
Mas o que tem o pentagrama a ver com isto?  Simples, além de mostrar o que forma o homem, o pentagrama é o próprio homem de braços e pernas abertos com a cabeça voltada para cima, para a divindade.

As Três Luas

Os símbolos são lidos da direita para a esquerda.
Crescente – É o aspecto de donzela da deusa. Ali estão as deusas que falam da juventude humana e sua inocência.
Cheia – São as deusas da maturidade, conscientes e plenas de poder. A Dama.
Minguante – A anciã. As deusas da experiência e cautela regem este quarto lunar.
Nova – A Lua Negra, oculta atrás da lua cheia, representa as deusas scaldis, e todos os seus segredos.
Além de simbolizar as deusas tríplices como Morg e Cerridwen, representa as idades humanas.

A Dupla Espiral

Como vimos anteriormente, é um dos estágios do símbolo da cruz.  É um círculo com um ponto ao centro de onde emergem uma espiral branca e outra negra. 
O centro é o âmago do poder, o caldeirão, a genitália da deusa, é de onde sai e para onde volta tudo que é vivo.
Espiral branca – A vida nascente que volteia até seu ápice onde na borda do círculo encontra sua oposta.
Espiral negra – chegando no ápice, tudo gira e retorna para o cento do qual veio.
Está dito, estes são os principais brasões do Ofício. Todo irmão, toda irmã que lhe vir portando estes símbolos, de chofre identificar-te-á como filii.
Usa-os bem posto que são presentes dos deuses para aqueles que são da Arte. E quando um espírito natural te avistares, verá estes símbolos lampejando de conhecimento e dir-lhe-ão: Vem, irmão, pois tua semente lhe faz da nossa igualha.
Por Drustan, o Sacaldi

Fontes:
CONWAY, D.J. Livro mágico da lua. EUA, Madras, 1997.
KWITH, Sirona. Explorando o druidismo. EUA, Madras, 2003.
SARACENI, Rubens Iniciação à escrita mágica divina. Brasil, Madras, 2002.

 

O FÍGADO, A PALAVRA E O SILÊNCIO
Apesar de sugestivo título, o assunto não é endoscopia. Hoje serão abordadas duas das maiores forças da tradição wiccana: o fígado e as palavras.

Como aprendemos nos bancos escolares, o fígado trabalha como um poderosíssimo filtro, purificando todo o sangue que circula pelo sistema digestivo. Sem ele, morreríamos intoxicados já na primeira refeição da vida.  Liberamos também um sem-número de enzimas e toxinas, de acordo com nosso estado emocional.
Já que assim é, este órgão que pertence ao elemento corporal fogo, também filtra a parte energética do corpo.  Sabendo disso, os antigos entenderam e nos explicaram esse importante conceito.

“Num momento de furor emocional (positivo ou negativo) o fígado pode ser impulsionado a agir como um importante motor no exercício de nossa vontade.”

Os portadores de problemas digestivos sofrem por não entenderem isto; sob efeito de emoções intensas, às vezes sentimos alguma náusea, este é o momento. O fígado, assim, avisa que está transbordando daquela emoção. Este é o momento de manobrar o excedente energético e proferir de viva voz algo apropriado.
A fúria visceral pode gerar maldições arrasadoras e até bênçãos que de tão fortes são quase que divinas; depende apenas da emoção e da palavra proferida.
E já que chegamos na palavra, ocupemo-nos dela.
A boca, que é associada ao elemento corpóreo do éter, é justamente o instrumento de poder do fígado. Para certificar isto é simples, quando encontramos alguém conhecido. Ao comentarmos algo de sua aparência, a sua reação é instantânea.  A boca, mesmo muda, não cessa com sua magicka. Quem não gosta de um beijo carinhoso? E quem não teme o silêncio do outro quando fazemos perguntas importantes?
Saída do éter da boca, a palavra consciente penetra de imediato no éter do mundo, provocando aí mudanças que cedo ou tarde virão se manifestar em nosso plano. Por esse motivo, todas as culturas magickas têm seu estudo da palavra. Neste campo dou como exemplo a Numerologia e a Kabalah.

A prece é fundamental, pois é a palavra dirigida aos deuses, e no mundo profano existe a oratória, que é a arte do domínio das massas através da palavra.  E, por vezes, ao invés de maldizer é preferível o silêncio, já que nossa intenção é melhorar o mundo. Na fúria ou na tristeza, tenho por costume cantar.  Além da catarse, isto me impede de fazer mal-uso do meu poder de volição (a força da vontade) e produzir a danação de alguém.  Tenhamos sempre em mente a lei que A Grande Mãe ensinou: “Tudo que fizerdes voltará para ti três vezes amplificado.  Se queres teu bem, deseja e pratica o bem ao próximo.”!
Ide em paz e sede feliz!

Por Drustan, o Skaldi

 

SAMHAIN

Feliz Ano Novo!
Enfim chegou a noite esperada para os adeptos wiccanos do hemisfério sul, 30 de abril. Está findando o período da Lua Azul. Na última quinzena estivemos sob o governo da Gabba, a senhora da Lua Azul e dos Cristais.
No último mês do calendário lunar wiccano, Lua Azul, rendemos culto aos ancestrais, pois, honrando-os, lembramos das lições de vários passados e nos fortificamos em direção aos muitos futuros.  Afinal, chegou Samhain (pronuncia-se [souen]), o Dia das Bruxas.
O nosso Reveillon

Na verdade, destarte faz-se mister que limpemos o espírito para os próximos treze meses que virão com as luas. Devemos purificar e fortalecer a mente e coração, para o próximo ano; e no girar da roda das estações o novo ciclo precisa ser melhor e mais brilhante que o anterior.

Não aja como os mortais, que bêbedos, conjuram objetivos intangíveis ou fúteis.
Diz o costume que no Samhain todos os portais etéreos se escancaram aos pares fazendo que o sobrenatural e o para-natural venham ter conosco em nossas cerimônias e mesas, desta forma nos iluminando, abençoando e inspirando bons atos de nossas almas.

Admito que, aproveitando a noite de liberdade absolta, os maus espíritos também campeiam e nos estorvam.
Daí veio o costume da fantasia aterradora do Halloween. É a mesma função da carranca, expulsar o malévolo ou disfarçar-se do próprio.  Mas brande contra eles a luz trina de teu coração.
Feliz Ano Novo!!!
Está aí o Sabbat que no céu do Sul, marca o último dia de abril.
No Norte, a data é 31 de outubro. Aproveita o Sabbat Samhain, hoje, e chama teu deus, deusa ou herói predileto para brindar contigo e pede-lhes pessoalmente que te guiem, defendam e abençoem durante a volta que começa hoje. Todos eles estão em terra nesta noite, por quê não convidá-los para a nossa alegre assembléia?  Permitamos que transitem entre o coven como bem entenderem e verás que então todos estaremos “muito” mais próximo que dantes.
Faça agora as magickas mais importantes. Seus efeitos e forças perdurarão até o próximo Samhain, peça conselhos aos demais ou que têm mais luz; serão úteis até o fim do novo período.
Traje o negro para dizer que o velho morreu, branco, avisando que o éter está aqui, dourado para pedir bênçãos aos do sol, prata para pedir bênçãos aos da Lua; verde para chamar as forças da Terra Mãe.

A escuridão Cernnunos está no zênite, e por isso começa a caminhada rumo à Nadir As forças da luz estão lentamente voltando, mestre Azevinho vai preparar o trono para o Senhor do Carvalho. Senhora Skatach Kaileach já percebeu o renascer de Danna; Arawn dos mortos também já sabe de Cernnunos, enfim, acendeu a primeira estrela na noite.  Isto tudo simboliza a nossa própria libertação da letargia que nos causa o cansaço e o peso dos tempos e anos passados.
Despertem, filid!  O combate vai recomeçar!

Obrigado à escuridão pela proteção e conhecimentos transmitidos, pois de olhos fechados vemos melhor a nós mesmos e não enxergamos as feiúras do mundo; de novo, obrigado. Mas, Danna e Cernnunos ressurgem clamando de volta seu povo, jamais, ninguém cala essas vozes.  Este é chamado à nova vida e a chuva do céu trará bênçãos à Terra que nutrirá nossa força imorredoura, pois somos todos filhos d´Ela; e com Ela nos renovamos a cada Shamhain.
Feliz Ano Novo!!!
Por Drustan, o Skaldi

N.A.

O calendário wiccano é lunar e, como o dos judeus, tem 13 meses. Os 12 primeiros meses são iguais ao do atual calendário, divididos por Sabbats na entrada de cada estação.  Mas, na Lua Azul, que dura entre 15 a 20 dias, cultuam-se os ancestrais e finaliza-se o ano.

Sobrenatual – É tudo o que nasceu, viveu, morreu e hoje é espírito. Ex.: Humanos.

Para-natural – Não nasceu, não viveu, não morreu, mas sempre foi espírito.  São portadores de grande luz, sapiência e poder.  Ex.: Os deuses.
 

BANZO


É uma quente manhã de domingo. Ao meu lado, Rafael Rabello e Armandinho, executando Recuerdo de Allambra. Não sei o que o violonista Francisco Tarrega quis expressar quando compôs essa música tristonha, mas acho que, neste momento, o compositor quis dividir conosco a saudade de uma terra querida.

Nesta quente manhã de domingo eu também me sinto como o espanhol Tarrega. Sinto a.falta da pequenês da vila humilde, anseio o abraço que os amigos davam naqueles que regressavam, havia uma mulher que me esperava carinhosamente na porta de nossa casa ao fim do dia e minha família de berço sempre se esmerava em carinhos; anseio com dores quase físicas percorrer o caminho de volta, pois o cheiro da relva é tão plangente que quase posso tocá-lo.
Mas o problema maior é que nasci e moro no mesmo bairro do Rio de Janeiro há quase trinta anos, jamais fiz viagens longas, sou solteiro até hoje e os poucos familiares de berço que me restam estão comigo o tempo todo. Então, onde é a vila? Quem são os ditos amigos? Qual o nome desse chão que o orvalho banha? Quem são os anônimos sem face que povoam as queixas do meu coração saudoso?
Isto é o que os africanos escravos, no passado, chamavam de banzo, palavra que em iorubá significa tristeza.

O banzo era uma doença fantasmagórica que não tinha causa definida e matava aos borbotões. Seria depressão? Mas era só saudade do chão que lhes deu a vida.

Se você está lendo este desabafo, você é uma bruxa ou bruxo wiccano que teme as noites de lua cheia e o perfume das estrelas, pois, nessas noites, essas mesmas memórias e sentimentos lhe assaltam o peito, armadas das particularidades que lhes cabem, mas sempre de forma desesperadora, longa e dolorosa, quase fisicamente.

De cera feita, quanto tomava um café em casa do irmão Selaht (o mago), este me deu uma nova e bela definição para o banzo da Wicca: “É a bruma de Avalon, pois você está embarcado numa viagem de regresso para Avalon, mas cercado de uma névoa que confunde, roubando o senso de direção, mas, apesar dos perigos, você sabe que tem de voltar à ilha e abraçar os que são queridos.”
Naquele momento, senti que o nosso banzo é um chamado da parte da Grande Mãe e um compromisso firmado até o Grande Pai; é o anseio de exercer o “ofício” e sermos de novo “Os Filhos da Terra”.  Afinal de contas, toda mãe quer ter sempre a prole bem junto de si.  Este turbilhão é a alma gritando para voltar às práticas de um mundo antigo e inexplicavelmente belo por si só.
Portanto, à nossa forma, trabalhamos por um mundo melhor. E, naquelas noites, quando a dor da tristeza quiser lhe matar, lembre-se que outros filhos e filhas também uivam para a Dama.  Assim, poderemos tocar as nossas mãos para, juntos, cantarmos a canção da Terra e elevarmos nossas vozes, rogando que as estações da vida pulsem de novo em nós.
Drustan, o Skaldi

Nota da Redação
O nome adotado pelo autor, (em gaélico) Drustan, o Skaldi se reporta à lenda do Santo Graal (personagem Tristão da Távola Redonda, do Rei Arthur, o único cavaleiro que usava armadura negra). Representa a parte de todo sofrimento que é passado pelas pessoas que ficam em torno da mesa. Ele representa o segredo. É o guardião das coisas ocultas, skaldi (o escuro). A função dele na Wicca é a de um crom, que morre para a redenção dos outros.

 

Ética

Lendo, outro dia, um volume sobre filosofia grega, deparei-me novamente com Epicuro. A filosofia epicurista prega que “Todo aquele que almeja a felicidade deve fugir da zumbaia da política, economia, guerras, terras ou qualquer coisa que exacerbe o ego humano, e o melhor lugar para isso é um jardim onde na companhia de gente querida, se possa ater ao descanso, meditação e os prazeres simples da vida honesta”.

Com isso, Epicuro nos sugeria fugir de toda forma de disputa ególatra, pois é dela que advém toda a dor provocada no convívio com a sociedade humana.  As neuroses da “res publica” criaram uma atmosfera de competição selvática, onde o forte sobrevive mas pode ser sobrepujado pelo apadrinhado e pelo mandrião; cada um que desenvolva seu recurso para se ver melhor parado.
Mas as pessoas na sala de jantar esqueceram-se de um poder maior; nós, sim, nós temos o olho do condor, o ouvido do cavalo, o olfato da borboleta, o tato do peixe, o paladar da serpente e tudo acobertado pelo silêncio do gato; há algum poder maior? Todos esses poderes elevados literalmente a patamares sobre-humanos nos cobrem de vantagens.
Conhecemos o pensamento antes de ser pensado, sabemos das chuvas para o plantio, lemos a emoção do coração, sabemos da vida e da morte, qual é a boa e a má opção sem olhar as alternativas, ouvimos os desejos da luxúria sem nos corromper e temos como sentir a mudança nas vontades do outro como o pescador que observa a maré.  Mas, o mais forte é que além de vermos o que virá, nós podemos, através do ofício, parar, iniciar ou moldar tudo isso. Basta escolher a mágicka apropriada.
Isto é a vantagem das vantagens, e não há lei humana que abarque este conhecer.

Mas, aí, chegamos à ética. O que e quando fazer?
Eureka! Desvelou-se a armadilha.
Esta pergunta para muitos é um fardo insustentável, e pode ser alçapão de um posso sem fundo, onde vai nascer e tomar forma a nuvem negra do tríplice retorno.
Já que podemos qualquer coisa, como saber que um ato mágicko não é mau?  Conheço alguns filid que até hoje, não “entendem bem o funcionamento da ética na Wicca. Se em necessidade aguda não é lícito encantarmos um bom emprego em detrimento dos humanos mortais? Se carentes, é correto encantarmos alguém que nos seja apetecível?
Não!
Conheço alguém que encantou um ótimo trabalho, mas hoje não consegue dormir, agitado pelas responsabilidades; o dinheiro e o status não lhe pagam o sono e a paz.

Sei de uma mulher que encantou um homem. Com o tempo o amor desmedido se tornou obsessão e ele passou a podá-la em tudo; quase ceifou dela a vida. 

Ainda, num terceiro caso, um encanto trouxe sete dias de chuva para a fazenda de um parente, mas provocou sessenta dias de seca na estação seguinte.

Para isto, meia dose de coração e outra meia dose de razão. Costumo dizer que a ocasião faz a mágicka. Deve-se, antes, meditar junto ao altar sobre as causas, meios, fins e efeitos de um encantamento.  Só você lucrará com isto ou as benesses se estenderão para outros mais? Foi um pedido?  De quem?
As considerações são várias. Seja sempre altruísta, tendo por divisa o bem de toda gente, pois aquele que trabalha no soerguimento do mundo e na iluminação dos incensos recebe presentes de Mãe Danna e Pai Cernunnos.  Nunca almeje um alvo específico, isto é magia negra: goecia da pior espécie.  Encante, sim, as condições para que o bem maior aconteça, abra os caminhos com uma espada de luz.
Se é jovem, jamais ceda ao primeiro pensamento, se é idoso, siga o primeiro pensamento.  Se algo o obceca, esqueça, não é seu.
Não há uma carta magna da Wicca que classifique o benefício e o malefício, mas, nesta noite, nortear-vos-ei com três pistas:
A primeira: Jamais seja egoísta, não queira todos os louros e ouros da terra apenas para si.
A segunda: Meu professor de filosofia (outro filii), me ensinou que “Desejo é vontade instintiva e impensada; animais têm desejo; vontade é desejo condicionado e raciocinado; homens têm vontades.”
A terceira: Todos conhecem o poço dos desejos, mas, lá chegando, ninguém lê a placa que diz: “Cuidado com os seus pedidos.  Nós vamos realizá-los.”

Por Drustan, o Skaldi

 

 

Herdeiros

É do conhecimento geral os vários métodos, ciências e filosofias que servem de instrumento na análise do mundo espiritual.  Uma dessas ciências que examinam a casuística etérea é o Kardecismo.


É fácil saber sua origem e também sobre seu fundador; o francês Hippolyte Léon Denizard Rivail. Dotado de grande percepção, o professor Rivail sempre teve estreito contato com os planos sutis e seus habitantes.  Um deles tinha um especial carinho pela família Rivail; se identificava pelo pseudônimo Zéfiro, e foi um dos espíritos que ajudou Léon a fundar o Kardecismo.  Mas, onde está Allan Kardec?  Não foi ele o fundador desta filosofia? Sim e não.
Allan Kardec viveu na Gália, parte deste território hoje é a França. Era um clérigo druida, contemporâneo de Julio César - Imperador Romano que dominou partes do território gaulês – e superior imediato do espírito Zéfiro, no Conselho Druídico local.  Kardec veio a falecer e, tempos depois, reencarnou novamente na França, mas agora sob o nome de Hipppolyte Léon Denizard Rivail.
O passado de Druida influenciou o presente de Rivail
Em 1857, Hyppolite Léon Denizard Rivail publica o Livro dos Espíritos, mas assina Allan Kardec, ressuscitando, assim, o antigo sacerdote gaulês. Daí é fácil concluir que os conhecimentos druídicos também marcaram sua presença, mas revestidos pela roupagem cientificista do Kardecismo.
Presença drúidica na sociedade
Os druidas estiveram presentes em toda a sociedade celta, mas foi na Gália que tiveram seu apogeu. Sua importância já começa no título sacerdotal, pois, “Dru-Hid”, em gaélico, significa “Aquele que sabe muito”.  Sua importância era tamanha que, quando em fainas domésticas, os reis não podiam falar antes do druida do reino que lhe correspondia. Isso garantia que nenhum soberano afoito proferisse um impropério.
Druidas e bruxos eram da mesma casta
Os druidas, assim como os bruxos, também eram da casta dos Filid e de acordo com o seu grau e especialização assumiam várias profissões, como bardo, e o equivalente hoje a médico, advogado ou diplomata. Podiam, ainda, ser escribas ou contadores de histórias, mas todos tinham em comum os estudos sobre magicka e religião, que foi em verdade o que lhes concedeu fama até hoje.
De boca para ouvido estudavam sobre os deuses, a hierarquia espiritual, as dimensões, energias, preces e encantos em geral. Aprendiam de cor as lendas e suas alegorias, a escrita sagrada do Ogam (alfabeto magicko), e um pouco de Engenharia misturada a Rabdomancia(1), o que lhes possibilitava erigir lindos castelos de madeira, ou então, os menires sagrados, como Stonehenge.
Manobravam ainda o Faet Fiada (com cara de bicho selvagem), que era o xamanismo celta.  Eram treinados em colégios internos chamados “Fosterage”, onde aprendiam desde a infância até os 17 anos.  Os estudos eram custeados pelos fidalgos de sua família de origem; no caso, também só eram admitidos os homens.
As meninas que estudavam nessas academias eram treinadas em coisas mais amenas e eram liberadas aos 14 anos.
Algumas academias ficaram famosas e foram influentes na História. Por exemplo, foi o colegiado da Gália que negociou a partição do território, colocando-o sob a égide romana. São Patrício (famoso Santo Irlandês), conhecido inquisidor, só teve facilidade em seus atos por ser filho de uma bruxa e um druida, o que lhe concedia amplo conhecimento dos costumes.

Bruxos que viraram padres católicos.
A instituição druídica, infelizmente, perdeu muita força quando alguns membros se converteram ao catolicismo, inclusive tornando-se padres.
Mas, como nós, eles sobrevieram, seus costumes foram preservados pelas mesmas pessoas e da mesma forma, pois nossa essência é a mesma, nosso conhecimento dorme silencioso sob os grandes campos cor de esmeralda, mas de lá desperta ao raiar de cada dia, ao desabrochar de cada flor e no nascer de cada criança.

O Juramento
Eles são conhecimentos reais sobre aquilo que é vida, e “enquanto as águas não transbordarem as terras não afundarem e o céu não cair sobre nossas cabeças”, juramos defender o sagrado, juntos, sob a sombra do Grande Velho Carvalho, que é o início e o fim dessas terras.

Por todas essas coisas, Allan Kardec reencarnou ressurreto na pena de Hyppolite Leon Denizard Rivail, para mostrar a quem quiser ver; que o conhecimento da Tradição só tem seu caminho tolhido pela superstição, esquecimento ou preconceito, mas como é eterno, assim como a “Água do Céu”, o conhecimento circula a montanha e segue o destino por uma roda diferente: sempre movido pela força do tempo.
Por Drustan, o Scaldi

Fontes:
Site http://www.espirito.org.br/portal/doutrina/allan-kardec-a-mensagem.html
Di JUBANVILLE, H.D´A.  Druidas, deuses, celtas com forma de animais. França, Madras, 2003.

Notas:
(1) Rabdomancia – Hoje denominada Radiestesia

 

 

 Compartilhando a Gratidão

Há um lindo pôr do sol lá fora, a tarde é vermelha e dourada, e as pessoas passam apressadas e cansadas, vão em direção ao lar, à família, ao repouso e ao amor.
Tudo é paz, ordem e vida, apesar da agitação; hoje transpareceram milagres que ocorreram no largo dos últimos dias, há agora prazer no descanso e alegria ao ver sorrindo as crianças. Os tempos são de comoção e, por isso, o que acontece no rompante não causa mais espanto. Mas é aí que está a magicka.
Apesar de tanto sofrimento, as coisas acontecem a seu tempo e tudo toma seu lugar.  Aparece o trabalho, depois o desemprego, o pão após a fome, a folgança após a exaustão e o amor após a solidão.  Com filid, devemos observar e reconhecer um milagre; algo que destoa, uma rosa dentre os escombros; assim é a intervenção dos nossos deuses ancestrais. Como costume, repito que eles jamais nos deixam e sempre nos ouvem, baste a palavra do coração e em breve chega o necessário – não importa como, mas sempre vem.
Vejo, constantemente, tanto filid como miliesins, fazerem seus pedidos e receberem suas graças. Existem rituais para isso e aquilo porém, raramente, o protegido enxerga o feito e agradece.  Poucas vezes observei pessoas com o coração comovido a ofertar velas, incenso e flor a alguém que tanto bem lhes fez.  Caminhamos diuturnamente em direção DELES e raramente vemos que estão também ao nosso lado de mãos dadas a nos guiar. Não vejo motivos para que somente nós participemos na festa da vitória.
Os deuses existem e sempre existirão. Tramaram e engendraram o plano que fez o primeiro ser vivo respirar na Terra e estarão conosco mesmo que sobrevenha o último dos dias. Podem estar fora da vista, mas falam continuamente ao coração e não cessam em continuar O Dia da Criação.  Vê, lá estão eles no revoar das gaivotas, na flor que desabrocha e no animal que nasce.  Sim, o mundo nos dá motivos de dor e pranto, mas olha em volta e vê o poder dos criadores a nos brindar com a beleza dos dias. A vida em si já é um milagre, celebremos, então, pois nossa alegria trará nossa Mãe e nosso Pai de volta ao nosso convívio.
Ponhamos termo ao costume egoísta de esquecer a gratidão. Tudo o que vem pela ponte, em algum momento por ela deve voltar; que volte então em forma de alegria e devoção.  Ofertemos, então, vela, incenso, flores e frutos, e, mesmo assim, ainda será pouca a paga por tanta abnegação e carinho.
Sois eleitos por Eles. Isto vos deu dons que fazem com que vós já qualifiqueis um milagre, podeis romper o tempo e lugar para saber o que virá. Para vós, o clima não é segredo e muitos ainda são os poderes vossos para aqui serem enumerados, fostes feitos quase um deus entre os mortais, portanto, não deveis esquecer de quem vos insufla poder e vida.
Vivei cada dia como se fosse o último, celebrai a vida, já que o amanhã só chega quando Deus Sol nasce sobre as montanhas do grande oriente.  Travai contato e agradecei os feitos, e quando entrardes nos bosques, vereis as fadas dançando em roda, no regozijo de sua volta.

Por Drustan, o Scaldi

 

CROM

Ouço um coro de beneditinos a cantar uma velha prece medieval em Latim. Conheço a letra e esta me faz lembrar de muitas pessoas. Jack Palance, Robert E. Haward, Drystan, Jesus, Robin Hood, Senhor do Carvalho, Rei Azevinho e Alexandre Magno.  Mas o que toda essa gente tem em comum?! A resposta é que essas pessoas têm em comum o fato de terem passagens relativas a famosos CROMS, ou mais, algumas são CROMS.

Quem inventou o termo “crom” foram os celtas da nascente do Danúbio. Significa que alguém, mais precisamente um herói, que deu a vida para manter a ordem das coisas ou trazer novos conhecimentos. Geralmente o crom morre imediatamente após o cumprimento da missão.
O desenhista Robert Haward trouxe o termo a público quando editou o nº 1 dos quadrinhos de Conan, na década de 60. A personagem ciméria encontrava uma espada em uma tumba. A arma era segura por um esqueleto de proporções sobre-humanas. Para quem conhece a série e viu o filme, existe a hipótese do cadáver pertencer a Crom, o deus dos cimérios e senhor do aço.
Agora, algumas curiosidades: se dividirmos o mapa da revista de acordo com a fissão da placa continental de Pangea, veremos que a Ciméria hoje é a Noruega, e a lenda do aço é tirada de uma lenda Viking. Os romanos chamavam de Hiperbórea a região da nascente do Danúbio (velho território celta), várias tribos celtas aparecem na série e existem ainda outras coisas que desfilam ao longo da história, que só um file muito bem treinado poderia saber.
Os romanos chamavam alguns das celtas de hiperbórios. Os judeus os tratavam por gálatas, e isto me lembra um dos croms católicos, o mais famoso, Jesus. Todos conhecem um pouco de sua trajetória, a forma e motivo de seu trágico fim
Os cristãos maçons encontram seu crom em Alexandre Magno, pois através das rotas do general, missionários cristãos puderam disseminar sua crença, e o próprio general fundou uma gigantesca loja nas montanhas afegãs. Isto é confirmado num exemplar especial da revista National Geographic e a versão maçônica da história é contada no filme “O homem que queria ser rei”.  Ainda na vertente católica, temos São Jorge Mata Mouros; no sincretismo wicano-cristão da Irlanda, Senhor do Carvalho virou São Jorge e o crom é Mestre Azevinho que se transforma no mouro em questão.
Um crom que me fala profundamente é um cavaleiro irlandês que tomo como pauta espiritual de conduta, o príncipe Drystan, o cavaleiro negro da Távola Redonda Arthuriana; morreu de amor, mas defendeu o ideário de Camelot e o seu solo natal contra dois gigantes que fustigavam a Ilha verde, já de longa data. Volto a lembrar que em 2003 encontraram sua tumba junto ao mar da Cornualha; Viva os Cavaleiros do Arco Real!
Somo a esta longa lista de nobres almas guerreiras, o austríaco Guiherme Tell.  Há boato em que se diz que o malvado conde Gessler era constantemente visto em visitas obscuras a uma sacerdotisa de má fama que vivia numa caverna, em um bosque de seu condado; por outro lado, o arqueiro Tell, que antes era sapateiro, no final de sua luta era ajudado por uma bruxa e ele mesmo tinha visões em sonhos. Dizem que um dia a filii o alertou: “Cuidado com o homem da cabeça de lobo”, e completou “pois ele será o causador de tua morte solitária.” O brasão de Gessler tinha uma cabeça de lobo que estava presente em seu elmo.
E para dar fecho, recordo que num famoso programa de televisão, o “Acredite se quiser”, o polonês Jack Palance (Jacubowick Palaniuk), reportou a localização da tumba de Robin Hood.
Como todos sabem, na época das cruzadas, a Inglaterra era uma gigantesca algaravia.  O então jovem filho do Conde de Locksley, subitamente se vê marginalizado, já que o bom rei Richard Lion Heart jazia prisioneiro em Jerusalém, Landless John (irmão do Rei) queria as terras e a coroa, e para isso movia uma conspiração homicida que vitimou o pai Robin.  Para cuidar do condado sem regentes, John enviou o xerife do vizinho condado de Nothinghan; este era famoso por seu sadismo e sanguinolência, que eram muito úteis ao usurpador John. Sem mencionar que o tal xerife era acusado de ser um fervoroso satanista, mas como que traja púrpura sempre escapa ao juízo da lei...
Robin se abriga na floresta de Sherwood, onde encontra um descoordenado grupo de rebeldes que ele próprio vai transformar num poderoso grupo de guerrilha.  Robin, apesar de católico, conhecia e respeitava os antigos cultos da terra, e isso lhe impele a dois atos importantes: usar a superstição popular; fazendo o vulgo e muitos soldados acreditarem que Sherwood era habitada por uma grande população de fantasmas, portanto o próprio Robin era o regente e integrante dessa população.
Em segundo, convoca um bruxo e um frade para liderar as ações de contra-inteligência de seu Estado-Maior. Ao contrário do dito, Will Scarlet, o Bardo, (assim chamado devido ao escarlate da túnica que distinguia os filid bard), jamais foi um traidor, pois, orientado expressamente por Robin, Will plantava informes ora verídicos, ora falsos, que propiciaram sobrevivência e vitória aos arqueiros renegados.
O xerife é morto em uma emboscada e o rei Richard regressa dando a pena capital ao maldoso irmão John. Contrariando a versão conhecida, o rei nem dá acordo da existência do Hood e seus rebeldes, o que provocará o feio fim do herói.
Com o corpo alquebrado pelos anos de rebelião, Robin jaz doente e molestado por grande febre num catre do mosteiro de Sherwood. No fim de sua última manhã, Robin levanta, pega o arco e uma flecha, tenciona a arma e diz a sua pouco conhecida, mas histórica frase:
“Vou atirar uma flecha, não sei onde ela vai parar, mas onde ela cair, ali devereis me enterrar.”
O projétil parte através das grades da janela e Robin Hood tomba ao chão, se despedindo solitariamente da vida.  As freiras que estiveram ao pé de seu leito até o último momento, partem para o bosque sob o sol do meio-dia e encontram a última flecha do pobre herói, fincada acerca de cem metros da janela, junto a um arbusto.
Na década de oitenta, Jack Palance esteve lá. O mosteiro está vivo e no mesmo lugar, e Robin Hood, o último crom da Wicca Medieval, está morto, mas lá, em sua humilde lápide, podemos ler “Aqui jaz Robin de Locksley”
[...]  “O teu amor te impele,
um corpo te reveste” [...]
[...]  “É o mesmo amor
que há feito à Terra;” [...]
[...]  “Aos filhos vem salvar.” [...]
[...]  “Em chaga, viu-se aberto,
por lança atravessado;
lavassem sangue e água
a mancha do pecado!
Conceda-nos Deuyus Pai,
Espírito também,
No coração do filho
Vivem para sempre,
Amém.”
Música: Auctro Beatis (Hino 1º modo)
Artista: Coro do Mosteiro de São Bento – S.P.
Álbum: Cantus Selecti

Por Drustan, o Scaldi.
Bibliografia:
KUKULAIN, Kerr. O guerreiro wicca. EUA. M.N.2000. Ed. Madras
FARRAR, Janet e Stewart. Oito sabás para bruxas. Irlanda, 1983. Ed. Anúbis.
LAUNAY, Olivier. A civilização dos celtas. Suíça, Genevre. 1975. Editions Ferni.

 

O lado avesso do coração

Se estás carente, abandonado ou mesmo desiludido, o texto que vem em seguida te é dedicado, e deve ser interpretado, compreendido e guardado com cuidado na massa do sangue.  As próximas linhas são referentes a um poder maior que nos foi entregue para produzir luz e crescimento, mas muitos são os que usam as cadeias desse dom para a miséria do próximo e até mesmo a morte.  Este sagrado poder maior é o AMOR, que nos redime e nos iguala aos deuses ancestrais. Mas, e quando ele é perseguido e jamais é encontrado?  A resposta está no lado avesso do coração que é como a lua em suas fases e igualmente pode ter seu lado oculto, sua fase nova e misteriosa em tristeza.
Tu que tens um coração scaldi como eu, que me respondas: Quantos são os que trocam de par como quem troca os borzeguins?  Indagação de resposta fácil, mas de recordação difícil, vários são os que trocam os pares por promiscuidade volúvel. Mas, também, existem pessoas de sorte, que o fazem por serem amplamente despojadas e sempre muito bem quistas pelo sexo oposto.
Há ainda um terceiro povo, o dos solitários, e é para testes que falo agora; pois daqui em diante explicarei o que te ocorre, mas o farei com mágicka, usando um dos aspectos da lei wiccana, a Lei da Rede. Já que somos todos amigos da natureza, sabemos que tudo é um com tudo, portanto, para dar para um, é preciso que outro doe, se um vaso enche, outro esvazia.  Aqui está a chama e lá está a seca... se tens a solidão para que outro tenha amor.
Exatamente pelo fato da humanidade ser dura e insensível, o amor é pouco para alimentar a alma de muitos, e para que a fome não cause catástrofe, os fortes ficam com a austeridade, já que têm fibra para tal. Enquanto isso, por menor força, os fracos recebem o pouco que há. Do contrário, literalmente seria a extinção, o genocídio.
Para nós, filid que somos, o quadro que se pinta é ainda mais feio. Nenhuma pessoa normal deseja andar de mãos dadas com alguém que traja preto mesmo no verão e diz acreditar em fadas e duendes.  Mas agora começa inversão de papéis.   Já notaste como grande parte dos casais se porta?  No início, com aa novidade tudo parece bom.  Depois, com a monotonia da marcha vem o desinteresse, que traz por vezes a traição, o desrespeito, agressividade.  Então, a ópera termina com seus protagonistas em cantos opostos do palco, preocupando-se apenas consigo, Julieta não vai mais ao balcão da janela e Romeu está mascarado em outro baile.
Os ditos românticos ficam com a boca de cena, enquanto aos solitários e carentes sobra o plano da rotunda.  Infelizmente, o mundo moderno foi edificado sobre ilusões românticas, que são de concretude diáfana.  Elas sonham com o príncipe e eles com uma multidão de belezas submissas.  Agora, vejamos a raça humana raciocinou e hoje persegue suas quimeras sentimentais, bordando suas molduras com promessas mil. Quem já não ouviu uma jura de amor, que visava o ouvido alheio, na qual alguém prometia a lua e as estrelas? O problema é que isto são palavras, e eles não conhecem nem respeitam a magicka do falar.  Portanto não são capazes de fazer o prometido.  Mas quem é da terra pode dobrara realidade, esticar a mão e trazer o céu noturno trancando-0 num pote e oferecer o presente almejado à pessoa amada. E daí o mortal foge; pois não foi ensinado a ser feliz, só pode sofrer enquanto busca, não sabe usufruir da felicidade que traz o momento do encontro. E o mundo continua se enganando em fantasias, enquanto os de peito nobre ficam sós no escuro.  E isto não é fardo exclusivo dos filid, muitos mortais de boa vontade passam com freqüência pelo mesmo o revés, o mundo faz com que as pessoas se comportem como abutres, (os pássaros que me desculpem a comparação) vivendo de restos emocionais, o bom do amor sempre falta.
O lado professoral de tanta dor é o seguinte: aquele que não tem é justamente o que mais saberia dar.  Enquanto o mundo se embriaga tu podes parar e pensar sobre o poder do senhor de todos os corações, como diz a música, para seguir o amor é preciso ser rei.
Por mais incrível que pareça, justamente o solitário é quem melhor sabe amar. Se abrirmos os olhos, vamos notar que num grupo, há sempre alguém que está a margem dos aconteci mentos, mas quando a coleira da vida aperta, todos vão até essa pessoa isolada lhe confiar suas aflições, além de um ouvinte atento e discreto, o que é só, também é um conselheiro sábio. Já que não tem o que quer, ele sonha em poder se doar, assim lapida seu coração. Que com o tempo se torna um rubi rutilante e caro e como toda a grande jóia, este coração está oculto na escuridão da Terra, medrando seu esplendor com o tempo e sendo moldado pelas águas dum rio de emoções silenciosas. Esta jóia quer todo o dia mostrar seu brilho, só aguardando um garimpeiro certo, que com mãos carinhosas, removerá a jóia do ventre da Mãe.
É visto que reside a beleza desta tragédia, você se dá um pouco a cada dia sem perceber, para todo o mundo, aguardando o seu momento de voluntariamente dividir-se em dois para se tornar um como foi no dia da criação, veja agora que neste plano também esta a a perfeição divinal.  É fácil notar que um casal de filid raramente se enamora, mas seu espírito sabe a razão, já que você é filho desta mãe que tudo criou, conhecimento com conhecimento, é só conhecimento, mas conhecimento que circula é evolução; seria muito fácil se fosse d´outra forma, mas estaríamos vazios, porque devemos espalhar nossa luz e aquecer a frieza humana com o que nos é dado a saber.
Uma vez uma entidade scaldi, mais precisamente, uma sombra da Lua Nova, veio uma noite, viu que eu sofria de grande aflição e me aconselhou, montou um adágio sinistro mas de grande valor, pois nele meditei e compreendi seu significado; que não existe um mal, mas uma outra forma de entendimento para um fato, a sombra me mostrou mais uma vez os segredos que os mortais negam e escondem do lado avesso do coração, que é um reino escuro por natureza.
A conversa girava sobre o tema deste artigo e já quase n fim, ela falou: “Guerreiro, a gente desta era não está pronta para receber o coração nobre de quem fez o velho juramento da espada”. Concordo, somos sonhos encarnados, e isto é demais para um mortal que chafurda na imundice da ilusão.
Ainda antes de se despedir, ela disse “Saiba ó nobre, que teus ais são ouvidos em tara e também no submundo, por isso me liberaram para vir aqui e te falar que...” Neste ponto, ela pronunciou uma profecia: “Já fizeste muito pelo mundo, e todos sabemos que farás ainda mais,  portanto os deuses vão te enviar um presente em paga por teus atos.”  Então a sombra assegurou tempo e lugar para a chegada de uma mulher humana, acredito que o encontro foi real, assim com as palavras que foram ditas, pois em tempo e lugar aprazado conheci tal mortal e grande parte do que me foi previsto já ocorreu.  Continuo zelando aquilo que me foi dado e rezo com gratidão e alegria, bendizendo a vontade e benevolência de nossos divinos pais.
Assim foi comigo, e melhor ainda será contigo, aguarda, são poucas as pessoas nobres neste mundo, mas uma delas é a metade que te corresponde.
Enquanto o amor perfeito não vem, sê piedoso para com os miliesins, e ensina o vulgo sobre tua filosofia.  Folga, pois tu és para o mundo um baluarte grande como o rio Amazonas, que por onde passa alimenta a vida e mata a sede do pobre.  Lá fora, na madrugada, os elfos estão furiosos, balançando tudo e destelhando os galpões, mas a brisa que entre pela janela de meu lar é suave e fresca, eles sabem que sou amigo honesto e fiel e esta brisa é a confirmação.  Os elfos podem ver em meu coração que aquilo que mais quero aprender está num amor sem apego ou interesse, tudo o que é natural me trata com respeito, pois não tenho sonhos impuros de mortal, são estas as coisas que me fazem ais vivo e mais brilhante, me dando forças para compartilhar o que é aqui escrito.  A lição final consiste me saber que tudo na natureza é dúbio, não fugimos a esta verdade.  Resta-nos, apenas, desvendar esse lindo tesouro e nos render ao seu brilho poderoso e mágicko.
Por Drustan, o Scaldi

Bibliografia
Vivekananda, Swami. Karma Yoga. Pensamento, Índia, 1972.
Frazão, Márcia.  Manual Mágico do Amor. Bertrand Brasil. Brasil, RJ. 2002.
Cukulain, Kerr. O guerreiro wicca.  Madras, EUA. S. Paul, 2000.

 

Assassinos


Dias atrás, um colega aficionado por História me contava uma curiosidade.
Na era das cruzadas, havia um grupo de muçulmanos temidos até por seus iguais. Eram matadores habilidosos e silenciosos que agiam à sorrelfa (sorrateiramente).  Mas sempre antes de saírem em missão, consumiam haxixe para torná-los leves e apurar os sentidos; o que também lhes removia o medo; eram por isso chamados pelos árabes de haxixins, o que veio dar origem à palavra assassino.
Como o Ofício abre espaço a todos, também temos as entidades dos homicidas. São as deusas Badb, na Irlanda e Morrigan, na Gran Bretanha. Cada uma em seus países de origem, são similares da Kali hindu. São responsáveis pela orientação e proteção contra mercenários e assassinos.  São as rainhas da guerra, da feminilidade e do prazer feminil, o que as demonizou com a vinda do cristianismo às suas casas.
Foram desta forma rebaixadas a rainhas dos súcubos e vampirezas.  Ambas são ruivas, sua cor portanto é o vermelho, o que nos remete à cor da cavalgadura do Cavaleiro Guerra, no livro bíblico do Apocalipse.  No livro “As Belas e Precisas Profecias de Agnes Nuter” (comédia), este cavaleiro aparece como uma sensual motociclista ruiva e Morgan é uma vampireza (loira) no videogame “The Dark Stalkers”!
Os celtas lhes prestavam respeitáveis cultos, os guerreiros se apegaram a elas antes das batalhas mais difíceis.  Ambas representam a renovação brusca.  Por isso, comandavam exércitos nas batalhas genocidas, afinal, o novo sempre vem; mesmo que o velho se vá ceifado por uma espada ensangüentada.  São as juízas dos divórcios litigiosos, as enxurradas que destroem casas na mata vigem, são a providência drástica e a guerra que destroem o tirano.
Badb criou fama ao desentender-se com o herói CuCulain sobre quem cederia passagem numa estrada, durante uma noite de lua nova.  Ele vinha a pé, e ele num carroção conduzido por um auxiliar sinistro, gigante.  O herói do Ulster contra a assassina do Conaught, um episódio complicado nas lendas da ilha.
Já a inglesa Morrigan é mais famosa.  Era conhecida por vários nomes como Morrigú, Morgan, Morgant... Mas o que lhe deu fama não foram seus muitos atos guerreiros, mas uma homenagem que está presente nos Ciclos Arturianos.  A arqui-rival de Arthur foi batizada como Morgana Lefay, que dedica a vida a vingar a mãe Igrayne, que foi estuprada por Uthar Pendargon.  Desse ato nasce Arthur, que com a morte do pai, vira o alvo da sanha vingativa de Morgana.
Morrigan passou a ser tão famosa, que veio a ser a gene do sobrenome de uma família nascida em terras de língua portuguesa, os Morgante.
O tempo passa, os ciclos fecham.  E ante esta verdade, nem as pedras e os assassinos permanecem.
“Ela veio a mim com um beijo de serpente.
É um olho de um sol róseo
em seus lábios,
a lua pegou
as lágrimas de prata
que chorei.”
Música: Revelations
Banda: Iron Maiden
Álbum: Peace of Mind
Por  Drustan, o Scaldi
Fontes bibliográficas:
- KNIGHT, SIRONA. Explorando o druidismo celta. Franklin Lakes. Madras, 2001.
- CONWAY, D.J. Livro mágico da lua. EUA, Gaia, 1977.

 

Um Dia de Luz

O último dia de outubro é o dia das bruxas, correto? Nem tanto. Os sabás são organizados por Astronomia e sobretudo pelas estações do ano, as datas originais seguem o céu e as estações do Norte, estamos no Hemisfério Sul.  Assim, as datas sofrem inversões.
Quando lá celebra-se o Samhain (pronuncia-se soên), aqui é o Beltane (Biotnáh), o dia do deus Bel, o “Apolo celta”.  Ele é o sol em pessoa, pai dos heróis Cu Culain, em sua armadura de ouro é um dos governantes da parte clara da Roda do Ano, já que da luz solar vem toda a vida, Bel também representa a virilidade e a fertilidade masculina.  Por isso, nessa época, em tempos antigos, casais se encontravam em florestas e bosques para “renovar a fertilidade da Terra”.  As crianças que eram concebidas nessa época recebiam sobrenomes como Robson, Hood, Johnson, Johnston.  Eram literalmente filhos da floresta e bentos por Bel.
Deste Sabá, o Brasil absorveu vários costumes, colocando-os nas comemorações das Festas Juninas, que são a nossa forma de festa estacionária de colheita, sim, nós também temos Sabá.
Na Irlanda pré- medieval, acendiam-se fogueiras no Beltane, com madeira de carvalho, passava-se o gado entre as duas chamas para dar boa engorda e leite farto aos animais.  Os solteiros pulavam essa chama desejando namoros e casamentos; mulheres pediam filhos e gestantes rogavam parto bom e sadio.  Mas ninguém podia acendê-las sem que o grande Rei tivesse aceso o Grande fogo de Bel na colina de Tara.  São Patrício, ardilosamente legou isto aos cristãos quando acendeu um fogo igual na colina de Slane, 10 milhas distante de Tara, antes que o Grande Rei Laoghaire iniciasse o Beltane de 433 a.C.
Outro costume que adaptamos foi o Maypole (Mastro de Maio).  Um mastro de carvalho era colocado ao centro da vila.  Na parte de cima, prendiam-se fitas de cores vivas, seu comprimento chegava ao chão onde ficavam soltas.  Então formava-se um para para cada fita e as pessoas dançavam, em roda, no sentido horário, até que o mastro fosse todo coberto.  Conservavam-se miniaturas do mastro em casa para abençoar os moradores.
No Brasil, a dança do Mastro ainda é conservada no Norte e Centro Oeste, no Nordeste (não tem fitas) virou o Rabeia, Mastro de Santa Antônio ou Mastro de São Jorge.
No Sul e Sudeste, perdeu as fitas, dando lugar ao pau-de-sebo, e sua dança virou nossa quadrilha junina. Explicou-se a razão do Santo Antonio ser o casamenteiro junino. Ele é a corrutela Cristã do Bel celta.
Os rituais de Betane condizíveis à Wicca, podem ser encontrados em vários livros, e em várias versões.  Mas, sendo só uma prece ou um ritual complicado, algo sempre deve estar em mente: O Sabá do Fogo de Bel é a celebração da Luz da Vida.

Mor Dhuit
(Que o Sol te Abençoe!)
Por Drustan, o Scaldi
Fontes:
Farrar, Janet e Stweart. Oito Sabás para bruxas. Editora Anúbis, Irlanda, l985.
Conway, D.J. Livro Mágico da Lua. Editora Gaia. EUA, 1997.

N.A. A Festa Junina é influenciada por este Sabá por proximidade de datas, já que Beltane é em fins de maio.
 

Fetiche

Ao mencionarmos o título, sempre nos vêm à mente objetos que despertam desejos inexplicáveis, que emanam das abissas de nosso ser, um instinto animal básico controlado por um objeto.  Pensamos em sapatos femininos, roupas íntimas e os mais excêntricos escolhem facas e até flagelos.  Nota-se que há uma conotação sexual, pis de todos os desejos humanos, este é o mais difícil de pôr rédeas. Ainda pior se há uma senha, uma varinha mágica, um fetiche.
O austríaco Freud di-lo-ia que o fetiche se deve ao fato de uma assimilação subconsciente do sexo oposto ao objeto.  O feminino sapato de salto representa o chame e a graça feminil, a farda acena à mulher, que dentro da roupa há um homem forte e viril capaz de provê-la; já a lâmina seria uma vontade latente de ser dominado por alguém potencialmente mais poderoso.
Intercursos sexuais à parte, esta palavra sofreu deturpações em seu significado, realmente em gaélico, fetiche significa “coisa encantada”, mas não abordava só a conotação sexual.  O “fetich”, na verdade, é algo consagrado, magickamente dedicado ao sagrado.  O “fetich” mais conhecido é a famosa varinha, que figura como instrumento de poder das bruxas em tantos livros, filmes e revistas.  Para aqueles que ouviram dizer que cada varinha acolhe o file que a ........................, dou confirmação, pois apesar do encantamento ser o mesmo, a natureza oferta a bruxo uma varinha de acordo com o futuro dono, e já no visual podem-se ver alguns traços do oficiante.
Mas não precisamos ficar só neste objeto, para cada um e para cada função há um artigo com uma mágicka específica. São muitas as lendas sobre isso. Para Arthur uma Excalibur, rara Lugh a lança terrível, Nuadhu Mão de Praa tinjha a espada respondedora, Bran criou a Taça da Verdade. Siegried ficou com o Anel N........................ Taliesin criou uma harpa magicka e Dagda tem seu caldeirão. A lista é infinita.
Não é difícil dedicar um item.  Com pouco conhecimento se pode fazê-lo, mas nem por isso deixa de ser trabalhando, fetiches vêm quando se está pronto para eles.  Passei meses procurando a madeira certa para minha varinha e o mesmo apara achar a taça do meu altar. No entanto para consagrar os dois, levei menos que uma noite. Os amigos guerreiros costumam pintar símbolos magickos em seus escudos para deixá-los mais fortes, e quando se forjava uma espada, era comum gravar símbolos em sua lâmina e depois mergulhar a peça na água de u’a fonte sagrada.
Mas um aviso, em primeiro, cuidado com os usos dos instrumentos. E em segundo, nunca deixe o poder lhe subir à cabeça, pois que dá pode tirar.

Por Drustan, o Scaldi

 

 Da Unidade

Às vezes, nas divagações freqüentes da mente, especulamos sobre o que estaria ocorrendo neste exato momento mundo afora, não importando a hora que seja e nem o lugar.  Mas aí o raciocínio aterra e pensamos que isto não importa, afinal, coisas diferentes ocorrem para pessoas diferentes em lugares diferentes.  O dia de um nepalês não será igual ao nosso e o dia de um cachorro não será igual ao nosso.  Mas aí mora um grande engano.
O psicanalista Jung formulava uma tese sobre isso; tudo começava com ele sentado sobre uma pedra e ele se perguntava realmente quem estava sobre quem, e quem realmente era quem.  A certa altura, Jung se descobria parente daquela pedra, pois estaria correlacionado a ela por meio do mesmo princípio criativo que fez o planeta e tudo que nele há. Quando ouvi isto concordei, calei e me surpreendi.  Tive um raciocínio similar também com pedras.
Anos atrás, enquanto varria a sala da minha casa, comecei a pensar: “Uma pedreira, exploram-na, removendo um grande bloco, este é cortado virando um bloco menor, deste bloco extraem-se várias pedras a serem polidas.”
Finda a operação, sobram as pedras que trabalhadas irão para vários lugares, e a poeira causada pelo esforço.  Mas tudo veio da mesma pedreira, portanto, continua sendo parte dela, continua sendo ela.  O mesmo se dá quanto a nós e o mundo, nós e os deuses.  Assim sendo, somos a terra, mas também deuses, mesmo que em menor escala.
Mesmo de vassoura em punho me sentia o próprio Sidharta Gautama.
Partindo deste raciocínio, compreendemos o princípio no qual se diz que “Tudo está conectado a tudo” e que por isso devemos medir nossos esforços e a conseqüência dos mesmos.  Da Tábua de Esmeraldas de Hermes Trismegisto, podemos citar o trecho em que se diz que “E como todas as coisas são e provêem de Um pela medição de Um.”
Inclusive na Tábua de Esmeraldas, texto que é bem maior do que se pensa, há no parágrafo seguinte ao do trecho supra citado, uma frase que também faz uma clara alusão à forma do pensamento wiccano, mas isto é assunto para outra ocasião, mas até nisso há bom exemplo, veja a concordância entre o milenar Hermes e o pensamento celta que foi revisitado por Gardner.
Vejam que além das coisas e seres concretos, até os pensamentos convergem para uma mesma fonte, assim como em todo o Cosmo.
Por Drustan, o Scaldi
N.R.
Sidharta Gautama, também conhecido como Shakiamuni, são nomes do Senhor Buda.

 

À sombra do carvalho

Muitas são as lendas que envolvem esta árvore, que é considerada a rainha dentre todas.  Costuma-se dizer que suas raízes espalham-se na mesma proporção de sua frondosa copa e por isto o carvalho simboliza o axioma no qual se diz que “o que está em baixo é como o que está no alto”.  Com infusões feitas de sua casca, cura-se a febre, dermatite, irritações buco-laríngeas e até problemas menstruais.
Sua madeira dura e pesada proporcionava navios, mobília, cajados e varinhas mágickas; como potencial atrator de raios, os espécimes por eles atingidos eram sobremaneira abençoados, provendo os melhores fetiches, incluindo a proteção contra raios.  Colhendo o musgo que cresce em seu tronco, obtém-se bom incenso para mágicka de cura ou revelação, e com ele também se limpa o ambiente.
A palavra para carvalho em gaélico é “duir”, que significa porta.  Também acreditava-se que esta árvore era uma grande ponte para o além. Daí seu poder extremado.  Mas tudo isso é somente uma ínfima parte dos poderes do seu espírito guardião.
O Grande Senhor do Velho Carvalho, um dos espíritos mais sábios e antigos e antigos desta terra, ele é também o grande espírito senhorial dos druidas.
Senhor do Carvalho, é responsável pelas forças solares masculinas e assim sendo, governa a parte clara da roda do ano celta, em oposição ao seu irmão gêmeo, o Rei Azevinho.
O Senhor do Carvalho geralmente se manifesta em trajes cerimoniais druídicos, portando um cajado que naturalmente é feito de madeira de carvalho.  Ensina aos filid valores como a firmeza de caráter e também várias habilidades de suma importância para a formação de um grande file, sem mencionar que ele é o depositário de todas as ciências praticadas pelos druidas, assim, aqueles que por ele são contatados, conseguem adquirir ensinamentos preciosos que se perderam em tempos ancestrais, alguns até que nem constam mais escritos em livros modernos do ofício, é de fato motivo de muita honra e orgulho poder escutar  seus ensinamentos sobre a arte e o espíritos bruxos.
Aqueles que por ele são contatados, ao passar o ensinamento, sempre contam sua experiência com muita alegria e fé.  Pois sabem que estiveram em presença de um ser que está na Terra, ainda antes do tempo dos homens, e para dar breve noção disto, deixo uma mensagem que me foi transmitida por um outro file, e é assinada pelo Carvalho:
“Por estas coisas que te são dadas, a saber, podes produzir muito bem em prol da tua raça, e sabeis também que enquanto os miliesins se perdem na aceleração das circunavegações de suas ferramentas de tempo, seu tempo será o da Terra, o que aumentará muito a tua glória e força.
Como prêmio, aquilo que é teu, de ti não será apartado, posto que gravita em teu derredor.”
Palavra do Carvalho
Por Drustan, o Scaldi
Fontes:
BAGGOT, Andy.  Rituais Celtas. Saint Paul, EUA, 2000, Ed. Madras.
KNIGHT, Sirona.  Explorando o druidismo celta. Franklin Lake, EUA, 2001. Ed. Madras.

 

O campeão de Tara

Esta é uma matéria complexa, pois para chegarmos ao seu protagonista, precisamos falar muito de muitas coisas.  Dagda, o deus do caldeirão mágicko, casa com a deusa Ethniu que dá a luz a um menino, que foi batizado como Lugh (nosso protagonista), mas o menino não fica em sua família natal e é adotado por uma deusa “azul” (estrangeira vinda de além-mar).
A moça é Tailte (ou Tailtiu), que nasceu na Espanha e é filha do patrono fundador do clã dos Aragons de Castella, família que Tolkien chama de Aragons, mas na vida real é a família Aragão de Castella que unificou e governou a Espanha.
Como em toda família, Lugh tem dois avós, um é Diancechi, é o pai das medicinas e da protética, já que construiu a famosa prótese de prata que substitui a mão direita do rei Nuadhu, Mão-de-Prata.  O outro avô é o gigante Balor da Tribo dos Fomoir.  Quando houve a segunda batalha de Mag Tured (a primeira foi a batalha das árvores que também está no livro de Tolkien), Balor usava um fetiche chamado O Olho do Mal que implantado na vista esquerda do usuário dispara raios mortais.  Lugh também estava lá, mas combatendo por sua amada Tara.  Nosso herói rasteja sorrateiramente até Balor e com um disparo de estilingue atinge o rosto do próprio avô.  Com isso, o bravo usa a lança “terrível” que solta fogo e bebe e sangue do inimigo, e mata o gigante Fomoir.  Já que o “Olho do Mal” está solto no chão, Lugh o pega se tornando o seu guardião.
Algum tempo depois, Lug da Mão-Longa vai bater aos portões de Tara pedindo sua admissão no panteão das divindades, mas já há conversa com o porteiro surge um problema; quando este interroga Mão-Longa sobre “qual ofício lhe torna um deus habitante de Tara”, vem o embaraço.  Como sabemos Llaw Gyffes é filho de Dagda in Rhuadd Rofessa (Dagda, o Sábio Gigante Vermelho), um deus “bom para qualquer coisa”.  Portanto, o padroeiro da cidade francesa de Lyon é igualmente mestre em muitas artes.
Para cada habilidade declarada o porteiro dá mesma resposta: “Já tem aqui gente que o faça, você não pode ocupar este posto!”
Mediante a insistência do outro, o porteiro conclama assembléia geral, os deuses. Resolve testar Lugh, que é obrigado ao certame contra uma divindade esgrimista, o resultado é a vitória da Mão Longa.  Não satisfeitos, os deuses resolveram medir-lhe a sabedoria numa partida de inteligência de madeira (xadrês), o resultado é o mesmo; isso lhes garante o ingresso me Tara e a aclamação de Lugh da Mão-Longa, Deus das Muitas Artes e Ofícios.
Por sua inteligência, vigor e o físico grande feito porta, angariado nas práticas esportivas ensinadas pela mãe adotiva, Lugh chama atenção de An.  Deste casamento nasce Oengus (Angus), outro gigante.
A fama deste deus de muitas artes cresce e atravessa os mares.  Agora, ele é conhecido em todo o mundo celta e por isso merece um Sabá.  Por ser um deus do sol, portanto, mandatário do Oeste e entendedor das artes scaldis, lhe dão uma data onde a Roda do Ano começa a perder luz para dar lugar à escuridão, é o 31 de julho no céu do Norte, o 30 de janeiro no céu do Sul.  Esta é a data do Sabá lughnasdh, que literalmente significa festival de Lugh; nesta época, a Irlanda festeja as Tailteans, que são jogos em honra à Thailthe e seu filho aditivo.
Estes são alguns dos ocorridos na saga de Lugh, um deus benevolente, alegre, vigoroso e versado em muitas artes, esportes e profissões.  Por isso, se não souber quem é o deus adequado à sua precisão, se Dagda estiver ocupado, pode falar com Lugh da Mão-Longa.  Dou fé de que ele logrará fácil vitória em seu favor e lhe recobrirá com os louros que só o campeão de Tara pode outorgar.
Lugh Duith!!!
Por Drustan, o Scaldi

 

Alertas
Por: Drustan, o Skaldi.

“Neste organismo vivo que chamamos de Terra, tudo está conectado, mas quem se lembra do primeiro texto desta coluna e seu título? Começamos falando justamente das reações do planeta às irresponsabilidades humanas”.

Acompanhamos nesses recentes dias através da “media”(1), as catástrofes naturais que assolam o planeta. Na Europa, chuvas torrenciais e nevascas contrastam com o calor indizível que faz atualmente aqui em Breazail(2); a América do Norte enfrenta um frio igualmente devastador. O clima se apresenta imprevisível e impiedoso frente aos homens, mas isto não é o pior nos dias recentes.

O Chile teve grande parte de seu território solapado por um terremoto de 8,5 na escala Richter, terremoto este que veio acompanhado de um maremoto, o qual provocou alertas também para o litoral nipônico, vindo a repetir o alerta que foi em seguida anulado no próprio Chile. Dias depois, Taiwan enfrenta um tremor de 6,5. Os terremotos e maremotos da América Latina, até o presente vitimaram aproximadamente 802 pessoas, das quais cerca de 500 morreram devido ao maremoto e pelo que estudei em Geografia, não duvido que o chamado Cinturão de Fogo também se ponha em atividade dentro em breve.

Alfred Wegener, na sua “Teoria da Deriva Continental” nos ensina que de acordo com o movimento do magma as placas tectônicas sob os continentes se movimentam que, ao se ajustarem provocam os terremotos; estes se acontecerem sob o mar, provocam vibrações violentas nas águas e com isso acontecem os maremotos. Por fim sendo tudo isso conectado, não é de se admirar que a pressão feita por tais movimentos, em seguida venham a provocar a erupção de algum vulcão, afinal, tremores são sempre o prenúncio de atividade vulcânica.

Neste organismo vivo que chamamos de Terra, tudo está conectado, mas quem se lembra do primeiro texto desta coluna e seu título? Começamos falando justamente das reações do planeta às irresponsabilidades humanas.

Há uma nova teoria graçando pelo meio científico, de que o planeta passaria por glaciações a cada 1.500 anos, mas tais eras de gelo seriam antecedidas por secas e altas de temperaturas. Bom, se observarmos bem, o calor já começou, e segundo uma equipe multidisciplinar de cientistas, historiadores e arqueólogos; tal flutuação no clima terrestre teria sido responsável não só pela chegada do homem nas Américas, como também teria sido diretamente ligada ao fim do esplendor da antiga civilização egípcia; por fim, os cientistas dizem que o período de acomodação climática estaria no fim e que o calor insuportável que vivemos já é o início da seca, que chega inclusive a provocar um sensível desgelo nos pólos. Em seguida, será “Isa”.

Mas a teoria dos ciclos climáticos diz que o homem tem acelerado o fim do ciclo e está provavelmente adiantando e prolongando o período de seca com os seus “dejetos”. Se isto é certo, não tenho como lhes precisar, mas torno á dizer que a Terra vai eleger os seu e estes serão os que viverão para acompanhar e viver um futuro, onde talvez a humanidade seja seriamente reduzida. Reduzida para ter de reaprender que “é dito pelos índios que não podemos dividir a terra, pois ela não é nossa; nós é que somos dela.  Também por índios é dito que o branco não sabe que a terra cobra, porque a terra traz a comida que cura a doença da fome.”

Outro bom indício é o próprio comportamento de vários indivíduos humanos, concordo plenamente com o Professor George Charbel Farah(3) (também colunista do mensageiro.com), quando ele diz que várias pessoas já começam á procurar coisas como a Yoga, não só para aprenderem á resistir cargas indizíveis de tensão, mas também para preparar os corpos para situações de privação. Outros tantos têm observado o vegetarianismo e o cultivo orgânico, pois não haverá gado em quantidade e qualidade suficientes para alimentar á todos. Virá a fome, que causará a doença, ambas causarão as guerras por busca de recursos e tudo isso junto trará a morte.
Mas tudo isso também pode ser uma ficção de nossas cabeças delirantes e pasmas diante de tantas mudanças e movimentos poderosos da Terra. Talvez nós sejamos os únicos causadores daquilo que temos acompanhado.
Em dezembro de 2008, mais uma vez escrevi sobre o mesmo tema, ainda assim, quando já nos víamos pasmos e criamos que não teria como piorar... piorou. Talvez seja o fim de mais um “aetir”, talvez seja a paga por nossos atos. Mas o certo, é que os mais atingidos no fim, seremos nós.

Fontes:
Rituais Celtas; por: Andy Baggott; Ed: Madras; S.P.; Br; 2002.

Gaia, a Terra Viva: http://hps.infolink.com.br/peco/nage_03.htm

A Vingança de Gaia: http://www.consciencia.net/2006/0124-hipotese-gaia.html

N.A.:
(2)-Breazail (Gaélico- Lugar da Pedra de Ferro): lenda celta na qual haveria uma terra santa e mágicka onde as pessoas jamais envelheciam. Também segundo relatos, seria a prova de que os Celtas descobriram o Brasil ainda antes de 1.500 d.C.
O Brasil é conhecido exportador de ferro e manganês, os Celtas tinham razão.
Isa (Escandinavo): Parte do Phutark, alfabeto rúnico Viking. Simboliza o tempo de espera e simboliza o gelo.
Aetir (Escandinavo): Ciclo de tempo, período ligado á uma divindade. Também são assim chamados os três conjuntos de oito Runas em que se dividem o Phutark.

NR. (1)-media lat singular medium significa meio de comunicação (veículo) forma correta para mídia que é a forma usada como nos Estados Unidos por desconhecimento, da proncia em Latim.
(3)-Maior autoridade em Radiestesia no Brasil, dados biográficos disponíveis no portal www.mensageiro.com.br

 

Os velhos caminhos

Ouvi, ó rebentos da Terra Mãe, a gaita chama ao ritual nesta noite nevoenta de lua negra; aqui estamos em roda tal e qual o próprio tempo.
Faz-se presente a irmandade em assembléia ante o fogo da vida; ante esta vida de luz.  Mas quando a espada do sumo sacerdote se erguer ao céu escuro e girar três voltas sobre nossas cabeças, o que virá depois? Vamos prostrar-nos ou ficar em pé? Ficamos no Norte ou no Leste? Oh, são tantas as dúvidas para cantar aos deuses, e é perene a pergunta: O que fazer depois? Mas, o principal, será esta a forma correta?
Pois bem, se você nunca entrou num ritual o texto acima jamais lhe passou pela cabeça, porém se você pela primeira vez está de frente a um “círculo aceso” e é o menos experimentado do grupo, isto é fato; mais ainda se é seu primeiro ritual e você está só, estas dúvidas são até desestimulantes.
Mas há um alento, a lista de pessoas que cometem variações acidentais é gigantesca.  Mas os motivos para isto são somente dois: a ignorância e/ou a ocasião.
O primeiro caso consiste no amplo desconhecimento sobre o assunto.
Este é infelizmente um problema decorrente, já que a Wicca tornou-se uma espécie de modismo de contracultura de tempos para cá. Muita gente não se preocupa em saber da personalidade do panteão que escolheu abraçar.  Muitos nem isso têm bem definido.  Se perguntamos quem é a deusa-mãe nessa ou naquela cultura poucos serão os aptos a dar uma resposta satisfatória.
Estas pessoas simplesmente não procuram saber “d’eles” e de seus geisa, para ser sincero, não procuram saber sequer de si próprios; e isto é fundamental; o adágio lusitano diz que “Bons ventos não sopram para o navegante que não sabe aonde quer ir”.  Você acha que os deuses procuram essas pessoas?  Acha que os espíritos corroboram com eles ou ao menos os visitam?  Pois é, isso só deságua num lugar das cerimônias: a punição desastrosa aos galhofeiros e ególatras. Já contei outra ocasião o ocorrido a uma “rodinha” que se deixou filmar por uma equipe de TV e não respeitou a ancestralidade.
Muito se deve aos ancestrais históricos da nossa fé. Por estarem todo o tempo com a terra e terem nenhuma distração que lhes enevoasse a fé de seus corações, os antigos receberam diretamente dos deuses as formas básicas do culto.  Mesmo para um pequeno detalhe havia uma razão importante e ninguém questionava isto; mas a tradição do conhecimento está apagada.  Este é um risco que nos deixa abertos aos ataques do mal, que se disfarça e vem beber o sangue dos incautos.  Muitos vão dar como desculpa a dificuldade de encontrar informações, mas os desdigo, a primeira manifestação da magicka é que o conhecimento sempre encontra um caminho para chegar às mãos de quem tem o coração ardente. Basta abrir-se, eles verão e como bênçãos as tradições descerão do céu e termo.
O segundo tipo de erro não é bem erro por ser determinado pela ocasião.  Este é complemento desculpável, porque ao estarmos plenamente imbuídos, poderes externos guiam-nos por outras sendas a um mesmo destino.  Por vezes falta algum ingrediente, mas um substituto se põe a descoberto.  Talvez o planejado n’algum ponto da celebração fosse assim mas ocorre diferente e fica até mais belo, mais sincero.
Talvez alguns irrompam em choro, talvez algo se mova involuntariamente avisando da presença de um “nouveau arrivé” e este tome posse da consciência de um presente para reger a cerimônia por um tempo. Acontece com mais freqüência do que se imagina, mas é sempre fantástico e intenso.
Em várias oportunidades, bastava estar em companhia de um ou mais filid, numa conversa informal, mas instrutiva, e eu observava o início de alguns fenômenos. Certa feita estava com um grupo desses, reunido em casa de um deles. À noite, ao terminarmos o jantar sentimos um perfume diferente emanando da cozinha – grande o suficiente para abrigar todo o grupo.  Fomos ver o que era. Bastou isso para que o cômodo se tornasse um nemeton improvisado.
Daí foi um instante para começar uma cerimônia que contou com a manifestação de alguns espíritos bem antigos, soubemos depois que um dos membros do grupo simultânea e inconscientemente produziu uma bilocação testemunhada por conhecidos seus a vários quilômetros de distância em outra residência.  E tudo terminou tão repentinamente quanto começou, foi perfeito, poderosos, belo... mas fruto da ocasião.  Às vezes basta um círculo, uma lorica bem motivada e emocionada... lá vamos nós de novo.  Experimente um dia unir um grupo em roda para motivá-los a uma prece coletiva em honras a um file adoentado, os resultados são imprevisíveis, mas sempre fulgurantes e benfazejos.
Quando é assim não devemos tentar tomar o controle, isso pode equivaler ao apagar da chama e verdadeiros tesouros de luz se perderiam; mas é questão de discernimento, pois quando no caminho correto sempre há o inusitado favorável.  Já reparou que os filid que mais estudam e rebuscam os costumes sempre têm mais histórias interessantes a contar?
Dou como exemplo a cantora multiinstrumentista Loreena McKennith. No álbum The Visit há uma experiência sua quando participou de um Samhain na cidade de Clare, costa oeste da Irlanda.  Nesta faixa Loreena canta uma noite inesquecível e de magicka intensa que partilhou ao lado de um coven tradicionalista. É ouvir para ver o que houve e saber que a Wicca em sua raiz é imortal.  Experimente buscar isso para sua vida.  Garanto que você será um farol para muitas almas perdias.
Agora que o ato acabou, meu amor foi dado como prova, só a palavra que o vento trouxe dos dias de ontem; partilhei contigo esse tesouro sem dono.  Sei que o preservarás e o transmitirás da boca tua aos ouvidos dos filhos teus.  Assim, nossas almas serão como estrelas, e qual luz verdadeira jamais morrerão.  Vai em paz e sê feliz, pois o norte que eu sabia rumo ao céu, agora está contigo.

Drustan, o Scaldi

 

Os Príncipes Indeléveis

Toda história de conto de fada em algum ponto é sempre igual, a donzela linda e indefesa é seqüestrada pelo monstro malvado, e de repente a ponte levadiça de um castelo gigantesco num reino próspero, baixa e da passagem ao príncipe encantado, que sai apressado, num cavalo branco vergando uma armadura brilhante.  O príncipe é sempre muito belo, ostenta um sorriso que pausa apenas para o combate final, seu aspecto é sempre o de quem vai para uma festa e ele nem pensa em derrota já que é guiado pela bússola de um amor estonteante.
A vida de sujeitos como este deve sempre correr às mil maravilhas, afinal quando o conta acaba, só o monstro morre e todos vivem felizes para sempre; aí dormimos, a note passa e o despertador toca às cinco da manhã, gongando a aurora para os mortais.
Não! Tais pessoas não têm lugar neste mundo.  O bravo é antes de tudo alguém que já passou um milhão de adversidades antes de colher a grande glória, sofreu mesmo no período de treinamento em um dia a dia árduo.  Não existem tais heróis de mentirinha, eles não saberiam o que fazer e tombariam só com a idéia perturbadora do conflito. Conosco é igual, é enganadora a proposta de uma vida monástica que faz um bom file, é fácil estar imóvel se não há atrito.
Quem pensa em se tornar um indelével está fugindo da vida, então como conhecer as questões que afligem os comuns? Nunca haverá uma resposta ou atitude eficaz quando o povo o procurar para desabafos, conselhos, ou proteção, um indelével na verdade está só meio vivo já que apenas é um corpo ocupando lugar no espaço, é estéril de experiência, força ou persistência.
O sapientíssimo ninja, Massaki Hatsume diz que “o verdadeiro guerreiro não precisa de troféus ou medalhas; suas medalhas estão marcadas em seu rosto”, ou seja: os sofrimentos das lutas sempre deixam cicatrizes, mas dão estofo na formação do campeão.
Quando você recebe a iniciação e os deuses lhe reconhecem enquanto file, as pessoas afluem a você trazendo questões triviais e até problemas bastante graves. Vêm para o desabafo, o conselho ou mesmo rogando u’a mágicka que lhes cesse o motivo do pranto.
Não cometa o erro de distanciar-se do povo e muita menos da vida, do contrário você vai entrar em terrenos estranhos e será fragorosamente derrotado pelo mal, tombando qual mosca ao primeiro golpe.  A vida é como o azul (o mar), que é quase infinito, poderoso em seu gigantismo e, portanto, existe respeito e mata quem não o dá.  Mas quando amado e desejado o azul confere dádivas, alimento, via para o transporte e também muito conhecimento. Ame e respeite a vida que A Grande Mãe Danna lhe deu. Só por meio dela temos como aprender e alçar vôo no Éter para aumetar a mágicka. Seja bravo e não fuja!
Por Drustan, o Scaldi

Fontes:
- Tristão e Isolda (Brasil, SP, 2006
Versão de Fernando Abrantes  sobre os fragmentos Bérou,
Thomas Gotfried de Von Strasburf e Trabalhos de J. Dedier
Ed. Martin Clatet
- O Guerreiro Wicca (USA, St. Paul, 2000) por Kerr Cuculain. Ed. Madras.

 

Anachronico
“O Caminho do guerreiro”

O título vem do grego, ana; significa sem e chronico vem da palavra chronos que equivale a tempo. Desta palavra vem o nome do deus grego do tempo e da morte. Quem é anacrônico está fora do tempo ou sem ele.
Disso deriva o termo anacrônico, que é uma pessoa desatualizada em sua época, mas prefiro para esta matéria utilizar a definição de sem tempo e, portanto, sem história. Muitas coisas já me aconteceram desde que nasci: Adoeci incontáveis vezes e em algumas quase morri; trabalhei em vários lugares por pouco ou muito dinheiro. Cometi alguns erros vergonhosos e poucos acertos dignos de recordação, amores realmente foram poucos, mas até por isso intensos e marcantes. Até agora as viagens têm kilometros contados e somente a uns dois ou três lugares insípidos; só a Wicca me proporciona memórias de vulto. Mas isso também não terá muita importância, pois tomei uma decisão para tentar mais um degrau no Caminho do Guerreiro; e consiste em não ter passado, portanto história pessoal.
Assistia um vídeo de uma das muitas palestras do falecido Guru Osho e um dos seus discípulos fez uma pergunta sobre o ser e o fazer. O Guru então explana seu ensinamento e uma das partes era referente ao passado individual do ser e todas as suas cargas inúteis.  Depois relendo um livro do autor mexicano, Carlos Castañeda, vejo seu Mestre Dom Juan Matus, dar-lhe a tarefa de apagar sua historia pessoal, alterar sua rotina e abolir a auto-importância que o escritor e antropólogo se dava.
Meditei sobre isso e creio ter compreendido; gostaria de partilhar o resultado com meu povo. Pois bem, vamos de forma reversa; uma das conseqüências da auto-importância é o orgulho, algo que é totalmente incompatível com um guerreiro, pois este precisa de modéstia para evitar que sua vista seja turvada causando uma concepção equivocada dos fatos, logo a auto-importância deve ser apagada para que não haja uma imagem errada sobre quem se é de fato.
A rotina tem que morrer não somente por sua monotonia, mas também por impedir que o guerreiro ouse, já que está ancorado em hábitos cômodos. Sinestesia é só uma ilusão da mente e enzimas humanas, e se um file pretende dobrar a realidade como é dito no nome do nosso ofício (Wicca: gaélico o que faz, o que dobra), não pode se apegar a inverdades materiais.
Já o primeiro item, que veio a causar esta matéria, é o passado pessoal; é fácil jactarmo-nos de feitos passados e apagar da memória ou omitir o indesejável, assim vamos construindo uma outra grande armadilha para os da bruxaria, o Ego. Dizem algumas cátedras da Psicologia que até certo ponto o ego estimula a auto-estima, mas depois disso provoca uma impressão errada do indivíduo sobre si mesmo inflando uma imagem que por vezes não tem motivos para ser tão ufanista. Se perguntarmos sobre o assunto a qualquer esoterista iniciante logo este redargüe que é bom ter um espírito ausente de egocentrismos e vaidades, mas complemento dizendo que isso somente pode ser feito por quem se liberou do peso de seu passado histórico e tem nada para se gabar perante o público, vamos deixar isso para quem trabalha com marketing.
Há alguns dias não tenho pensado sobre meu passado e confesso que me sinto mais leve, mais ágil, já que ao contrário dos outros não estou obrigado a transitar com uma pesada mochila de passados, agora apenas sou, apenas estou. Não fui e nem vou, assim conduzo melhor meu presente com uma intensidade exuberante, estou mais atento aos golpes adversários e até aos meus próprios movimentos; é maravilhoso conhecer alguém e não ter de explicar quem sou, de onde vim ou para onde planejo ir. Condensando tudo, quero dizer que agora não me preocupo com meu ego, pois este está morrendo de fome, e realmente estou vivendo um dia após o outro no sentido mais amplo da expressão; sei que isso vai me ampliar inclusive a visão das ações do Éter no cotidiano já que a vista estará menos obstruída e poderei viver minha realidade de forma mais pura.
Sugiro que experimente o mesmo por alguns dias, caso não goste pode voltar à rotina, mas eu duvido que o faça, pois quem experimenta o momento em que o poder lhe alça para cima não se sente bem quando regressa ao chão. Podem achar que estou divagando, mas calce meus sapatos e veja por onde andei, e sinta que para se mudar a realidade devemos estar livres de seus grilhões.
Por: Drustan, o Scaldi.

Fontes:
OSHO. O Caminho do Guerreiro, Índia, 2001
CASTAÑEDA, Carlos. A Roda do Tempo, ed. Nova Era, Los Angeles, EUA, 1998

 

Vendo Longe

Existe um livro chamado A História Augusta, reúne biografias dos antigos imperadores romanos que reinaram entre 117 e 284 d.C. Este período vai de Adriano até Numeriano. Ali estão passagens curiosas sobre alguns dos césares que se encontraram com druidas e filid do seu tempo.
Há uma biografia sobre o jovem Numeriano; este ainda não era imperador. Ele, que estava hospedado em uma certa estalagem na Gália, França, foi repreendido por ser parcimonioso com a dona do lugar que tinha larga fama de bruxa. Então pilheriando ele disse:
Serei mais generoso quando me tornar imperador.
Não brinque com essas coisas - Disse ela, e emendou:
Quando você matar o javali, de fato será o imperador.
Numeriano passou a matar todo o javali que via, sem efeito. Mas armou uma conspiração contra o burgo-mestre romano, de nome Arrius. Depois que este morreu, o primeiro subiu ao trono; o burgo-mestre Arrius era conhecido por uns poucos como O Javali.
É dito no mesmo livro que o imperador Aureliano nada fazia antes de consultar as “druidisas gálias”. Por fim, o imperador Severo ia dar guerra contra os germanos que estavam atacando as posições romanas na Gália Dominada, mas no caminho, uma bruxa francesa passou por ele dando ostensiva mostra de asco aos romanos e disse a Severo:
Vai! Pode marchar adiante! Mas não espere sair vitorioso e nem deposite muita confiança nos seus soldados Ele fez ouvidos moucos.
Dias depois, houve motim; Severo foi assassinado pelos praças antes de olhar no rosto de um alemão.
Essas histórias são provas do poder de vidência de nós, filid; conosco, diferentemente de outros sacerdotes, este dom é latente, dispensando rituais intrincados ou condições especiais, acontece corriqueiramente e a causa disso, para muitos, é um mistério, mas que se explica muito facilmente.
Existe a Roda do Tempo, onde estão marcados todos os fatos passados, presentes e futuros da nossa amada Terra, mas quando nos aproximamos desse anel gigantesco que gira vagarosamente, notamos que ele é feito por um emaranhado de anéis menores que, entrelaçados, têm cores, ritmo e direção de giro, diferentes, e estes são feitos por outros de dimensão ainda menor; anéis que mesmo heterogêneos estão interligados entre si. Dependendo da proximidade, vemos o tempo e os fatos para a Terra, continentes, países, cidades, bairros, grupos sociais e, por fim, cada indivíduo vivo. Com a proximidade crescente do bruxo junto à natureza, podemos mergulhar no Éter e ver o que está escrito nesses anéis. Num estalo, a consciência se projeta e nada é segredo dentro da bruma etérea, para nossa gente.  Isso é muito comum, e dá origem a lendas sobre nós.
Existem bilhares de oráculos que podem auxiliar nas viagens divinatórias, mas com o tempo, começamos a prescindi-los até a autonomia. Pontos em particular entre duas rodas se encontram e há então o entrelaçamento do destino de dois ou mais indivíduos, e assim conhecemos as pessoas e passamos a integrar suas vidas, para o Bem e ás vezes para o Mal. Chega então o tempo da separação, que pode se dar por distância ou porque alguém foi morar na “Torre de Vidro da Ilha de Don” - ou seja, morreu.
Esta notável capacidade de vidência dos filid, geralmente abarca desde comezinhuras até coisas de grande importância; mas quando acontece impressiona muito quem está em volta, o bruxo ou bruxa e questão pode estar desempenhando uma tarefa simples ou somente conversando; mas parece entrar em transe mesmo que não cesse com seus afazeres, o olhar parece mirar um ponto distante no espaço e por vezes o vidente narra o que vê simultaneamente. A visão pode vir em quadros estáticos que lhe aparecem frente aos olhos, ou pode ser como um filme; em algumas ocasiões é como se a pessoa fosse partícipe na cena, o que lhe faculta sensações táteis e auditivas. Logo no início do filme Brumas de Avalon; vemos uma cena de viagem no Éter, e é bem impressionante tamanho o realismo.
De qualquer maneira, a única recomendação sobre as visões é: “Cuidado com quem você comenta o que vê, cuidado como narra o que vê.”

Por Drustan, o Scaldi.
Fontes:
Rutherford, Ward. Os Druidas. Ed. Mercuryo, S.P. Br 1991.
Trismegistos, Hermes. Corpus Herméticus.

 

A Seta e o Raio

Quem não conhece alguém com uma história triste para contar? Daquelas que por vezes assume proporções épicas, e são comparáveis às fábulas mais fantásticas dos contos de fadas.
Sei de pessoas que beiraram a morte. Imaginem alguém que vê sua vida despencar do pedestal em menos de uma semana, no melhor do estilo Jô, perde tudo ou chega bem perto disso. Vai-se o emprego, por conta da tensão gerada, foge a mulher, dívidas aparecem como que por encantamento e da mesma forma desaparece o dinheiro; como se não bastasse, devido a tanta dor, corpo e mente sucumbem em sincronia levando embora a saúde. A morte bate à porta, usando calafrios, insônia, palpitações e pressão alta como campainha.
Sinceramente, o sujeito nesse ponto já parou de viver e agora vegeta, apático ao mundo em volta. Quem vê apenas pode dizer que ele é “tão novo e já está sem vida”. Ele jura nada mais fazer já que “nada muda mesmo, o mundo é mais forte que nós, e o mundo não quer ver a gente vencer”. Mas para a surpresa do vulgo, com o passar do tempo, o que estava morto no fundo da fossa reage e começa a lutar de novo, e como um cadáver que se levanta no clangor da batalha, segue sem se importar com o resultado, apenas luta.
Ao recuperar toda sua vida e até fazer progresso, se perguntarmos ao ex-defunto por que ele não desistiu, ele vai dizer apenas que nem notou, quando viu estava agindo, que o espírito não sabia como se entregar.
Parece impossível, mas não é, já aconteceu com mais gente do que se pensa. Para explicar isso podemos recorrer ao Phutark - o alfabeto rúnico dos vikingues - que para o momento apresentará dois glifos, Tiwas e Sigrun, respectivamente a seta e o raio, que correspondem às letras do Guerreiro e da Força Guerreira.
Quem persegue, conhece e depois compreende a “Força”, pode dizer que simplesmente tem uma refinada vontade de lutar, não é agressividade, mas uma enorme vontade de fazer e transformar sem geração de atrito no processo. Ciente das enormes barreiras que terá de enfrentar, o guerreiro se embui de decisão e caminha reto para seu objetivo, mesmo que tenha de carregar contra o peito nu, as muralhas de um castelo; é “a missão acima de tudo” como se diz entre os ninjas; a propósito, existe entre eles uma lenda que conta que um guerreiro morreu durante o combate, mas como estava cheio da vontade de vencer, o espírito guiou o corpo morto, que só tombou quando sua tropa cantou vitória.
A Força da Pessoa Guerreira é exatamente o que nos confere um poder desse tipo no cotidiano de quem vive o Ofício, já que somos aqueles que vivem no limite entre o mágicko e o real, é preciso muita fé e força de vontade para transforma em verbo aquilo que é nosso desejo.
No momento em que entende a Força latente em si, então, somente então o homem evolui e se torna Guerreiro de fato e profissão de fé, pois é nessa hora que se compreende o tamanho de seu poder, ficamos então sabendo que esta potência descomunal é perigosa e até mesmo mortal se usada em momento errado e por motivo equivocado; daí sobrevirá a dor e as penas pelo erro. Hitler conhecia o poder da Força e o usou mal, duplicou a Sigrun e a colocou como o logotipo de sua SS, basta olhar na gola do delta de um soldado desta tropa e veremos um uso errôneo da Força, o fim do nazismo todas sabemos, eles juravam que duraria mil anos; não perdurou nem por uma década. Só é poderoso de fato quem sabe o momento de desembainhar a espada e porque o faz.
Quando pega no chão, a luva que o mundo lança em desafio, o Combatente do Bom Combate sabe que nada o fará parar, ele é seu único freio, obstáculo e inimigo.
Essas são apenas algumas das lições que as Runas podem nos dar, já que a palavra Runa significa segredo e/ou conhecimento; mas uma melhor forma de fazer isso é usar a técnica da iluminura.
Sobre um fundo azul, risque com lápis preto um raio e uma seta apontando para cima (azul, preto e prata são as cores de Odin, o deus nórdico que nos deu as Runas). Mire o raio por longo tempo e peça para que os deuses através de Sigrun lhe ensinem o que é a Força do Guerreiro. Repita o processo de meditação sobre Tiwas solicitando entendimento sobre a Pessoa Guerreira. Ao fim de tudo, lhe garanto que você terá um amplo entendimento e talvez até mais informações do que as aqui contidas.
Como presente aqui fica para o final do artigo um poema feito por um samurai anônimo que viveu no Japão, durante o século XVI, e expressou por esse texto o pensamento do que é ser guerreiro.

Credo do Guerreiro.
Não tenho pais: Fiz do Céu e da Terra os meus pais.
Não tenho lar: Fiz da percepção o meu lar.
Não tenho vida ou morte: Fiz do fluir e refluir da respiração a minha morte.
Não tenho poder divino: Fiz da honestidade meu poder divino.
Não tenho recurso: Fiz da compreensão o meu recurso.
Não tenho segredos mágicos: Fiz do caráter o meu segredo mágico.
Não tenho corpo: Fiz da resistência o meu corpo.
Não tenho olhos: Fiz do relâmpago os meus olhos.
Não tenho ouvidos: Fiz da sensibilidade os meus ouvidos.
Não tenho membros: Fiz da diligência os meus membros.
Não tenho estratégia: Fiz da mente aberta minha estratégia.
Não tenho perspectiva: Fiz do “agarrar a oportunidade por um fio” a minha perspectiva.
Não tenho milagres: Fiz da ação correta os meus milagres.
Não tenho princípios: Fiz da adaptabilidade a todas as circunstâncias os meus pricípios.
Não tenho táticas: Fiz do muito e do pouco as minhas táticas.
Não tenho talentos: Fiz da agilidade mental os meus talentos.
Não tenho amigos: Fiz da mente o meu amigo.
Não tenho inimigos: Fiz do descuido o meu inimigo.
Não tenho armadura: Fiz da benevolência e da imparcialidade a minha armadura.
Não tenho castelo: Fiz da mente imutável o meu castelo.
Não tenho espada: Fiz da ausência do ego a minha espada.

Por: Drustan, o Scaldi.
Fonte:
Blum, Ralph, O Livro de Runas, Ed: Bertrand Brasil, Br, RJ, 1992.

 

Draco

Que tal explorar um tema que por vezes é esquecido, propositalmente, de tão espinhoso que é?  Vamos entrar no complicado mundo das histórias de dragões.
Por diversas vezes podemos ouvir ou mesmo ler, sobre heróis que aniquilaram dragões destruidores e foram para casa, obter a mão da princesinha. Como explicado em matéria anterior, esses dragões, assim como os gigantes, representam forças naturais que, por estarem fora de controle, precisaram ser domadas com pulso forte, evitando assim um prejuízo maior para a comunidade. Mas os dragões aparecem somente como vilões no Ocidente, devido à tendência cristã de demonizar tudo que não esteja crucifixado.
No Oriente, principalmente na China, os dragões constituem um tipo de elemental importante para a sociedade mortal, já que são depositários de grandes poderes e sabedoria imensurável.
É costume no Oriente, durante o mês de maio, as pessoas, no dia 5 do mês, fazerem diversas oferendas para eles, que são também considerados os protetores da família. É bem comum ver na noite dessa data, barquinhos dourados flutuado nos rios, tripulados por envelopes de pedidos para a família e oferendas de gengibre e incenso. Acredita-se que com isso, o elemental draconiano que guarnece a casa, irá ficar feliz trazendo prosperidade e segurança aos da casa. Mas mesmo em algumas lendas ocidentais vemos dragões que travam estreita amizade com os homens e por vezes lhes traziam conhecimentos e habilidades exclusivas desse tipo de ser, não à toa, várias casas nobres ocidentais têm um dragão em seu brasão, para simbolizar poder extremo e grande conhecimento. As lendas são muitas e infindas, inclusive recentemente, a National Geographic teria exibido em uma emissora de televisão a cabo brasileira, um documentário onde um grupo de pesquisadores, supostamente encontrara nos Montes Cárpatos (República Checa, Eslováquia, Polônia,Ucrânia e Romênia), o fóssil completo de um dragão.
Mas, lendas à parte, vamos explorar uma outra espécie de dragão. No seu livro A Doutrina Secreta, a autora russa Helena Petrovna Blavatsk, mais conhecida como Madame Blavatsk, conta que o mito mais importante sobre o dragão vem ainda das épocas de Atlântida. A parte menos “avançada” do arquipélago ficava em suas áreas mais externas e progredia à medida que avançava para o centro, onde estava a capital que era denotadamente mais evoluída em todos os campos. Quando ocorre o cataclismo que engole o arquipélago, cada um trata de ganhar distância e escapar da forma que sua ciência lhe permite. Os mais primitivos se deslocam para a costa ocidental da África em esmagadora maioria; já os mais avançados seguem para o interior do continente asiático, indo geralmente sediar-se nas montanhas, buscando assim isolamento caso seus conterrâneos primitivos viessem a procurá-los.
Pode perguntar para qualquer praticante das religiões africanas de ramo mais tradicional e ele vai lhe afirmar igualmente o mesmo, sem ter lido Blavatsk; esse movimento na África dá inicio às raízes daquilo que milênios mais tarde viriam a se tornar o culto aos Orixás, Voduns, etc...
No Oriente, o bloco dos sábios atlantes, que se ocultaram nas montanhas, foi chamado de Serpente de Sete Vogais, pois se representavam desenhando uma serpente com sete vogais de alfabetos antigos tatuadas na testa. Mais tarde, o brasão da serpente perdeu as vogais e o animal ganhou asas e cornos, dando origem aos Sacerdotes Dragão, que eram simplesmente conhecidos como Dragões, mas como estes jamais se identificavam, o símbolo ficou mais conhecido do que os sacerdotes propriamente ditos.  Tudo o que se atribui a dragões, na verdade era o conhecimento estudado por esses sacerdotes misteriosos.
Alguns exemplos desse currículo são conhecidos e outros são tão raros que ficam no campo da conjectura; dentre os conhecidos colocamos o ato de controlar por vocalização ou olhar a vontade alheia, controle de animais, potência e força física sobrecomuns, e outros mais. Se você notou semelhança nessa lista como os famosos dons vampíricos, não é mera coincidência, pois os segundos sempre quiseram se tornar como os primeiros, tanto que para isso, fizeram um autêntico culto ao dragão.  Pesquise as antigas sociedades que idolatravam a figura legendária do vampiro, e com certeza você vai achar um culto oferecido a algum dragão. Um bom exemplo, por mais equivocado que pareça vem do livro Drácula, quem leu o livro ou viu o filme, sabe que o conde era afiliado a uma certa ordem de cavalaria intitulada Ordem Draconiana. As diferenças entre essas duas míticas figuras são poucas, na verdade.  A principal é a índole e depois a eficiência de treinamento.
Por último, entre os dons desconhecidos, citamos apenas um que é sem dúvida o mais impressionante; é chamado de Transmigração Espiritual. Consiste literalmente em trocar o espírito de corpo, evitando assim a partida do espírito desse mundo. São muitas as lendas orientais que narram casos de pessoas que trocaram de corpo, o próprio vampiro oriental é na verdade o espírito de um morto que vem ocupar o corpo de um defunto recente. Quantas similaridades, não?
Independentemente das comparações, os dragões, por serem tão poderosos a ponto de alterarem a realidade vigente com seus encantamentos, prefeririam ficar isolados para evitar que seus dons caíssem em mãos erradas, mas sempre algo vaza e acha um dono adequado, que não utiliza um conhecimento draconiano para coisas comezinhas. Seria o mesmo que tentar abater uma barata com um canhão. Não é impossível encontrar um conhecimento de dom draconiano, mas eles estão espalhados e de forma sub-reptícia. Às vezes estão até em livros de meditação ou mesmo ocultos no meio das partes avançadas de artes marciais tradicionais.
De qualquer forma não são coisas fáceis de trabalhar e exigem muito empenho e preparo, mas tudo ao seu tempo.  Quando você estiver pronto, algo chega até suas mãos independente do que seja e de onde ou como venha.
Por Drustan o scaldi

Fontes:
Livro Mágico da Lua; Conway D.J; ed: Gaia; Br S.P. 2001.
Resumo da Doutrina Secreta; Blavatsk H.P.

 

LDS Tradição

   Certamente uma das coisas que mais sofreu modificações foi a imprensa em termos individuais, foi-se o tempo em que os antigos começaram á escrever seus registros com tinta em pedra, progredindo depois para as tábuas de argila. Chega o tempo da escrita grafada no papiro e no papel. Chega a época das máquinas de escrever e hoje estamos digitando nossas vidas na memória do computador.
É óbvio que os bruxos também ficaram sujeitos a tais modificações, isso influi diretamente sobre a maneira como registramos o Livro das Sombras; até muito pouco tempo era comum seguir a forma tradicional e registrar tudo manualmente com caneta e papel, concentrando tudo em uma espécie de livro particular manuscrito; mas agora com o advento do computador pessoal e dos notebooks, os filid vêem claramente preferindo manter seus segredos nos discos rígidos das máquinas, destarte preterindo a tradição de notação manual.
Isso influi em dois problemas, o primeiro é o fato de que escrevendo a pessoa tem maior facilidade em memorizar aquilo sobre o que se debruça, conferindo ao file mais versatilidade e desprendimento no momento de manejo da informação durante o ritual. Como não é o que tem acontecido, está ficando normal assistir gente que se perde no meio de suas próprias informações.
A outra questão é mais delicada; é tocante à parte da tradição. Muitos nesse momento vão protestar de forma intempestiva dizendo que em nada influi manter os dados no computador, chega mesmo a soar estranho vindo de um file que escreve em um jornal de Internet; mas se nós pararmos para observar, algumas das publicações mais importantes na Wicca Moderna têm o título de Livro das Sombras, e isso não se dá por mero acaso ou capricho dos escritores.
O LDS é justamente o instrumento de norteamento do file, capacita-o a ter sempre a mão a informação desejada no momento necessário caso a memória não responda oportunamente, e sem falar que o próprio LDS já é uma liberdade conferida pela evolução dos tempos; pois os geisa rezam que o conhecimento deve ser transmitido diretamente de boca para ouvido; mas obviamente isso foi sendo aberto com o tempo devido ao grande número de informação e também por algumas coisas serem de extrema complicação para serem guardadas de cor.
Durante a visita de um amigo com quem debati o tema, ele contou que sua avó alemã, tinha um Livro das Sombras todo escrito em Alemão. Quando da morte da senhora, o livro foi incinerado devido a tamanha força que continha, já que acumulara muito das impressões da dona e isso junto com o conteúdo; em mão errada causaria muito dano. Lamentavelmente, ninguém da família teve a presença de espírito de copiar o conteúdo antes da incineração; tudo que ali havia morreu junto com sua escritora que demorou quase oito décadas juntando informação.
Há poucos dias recebi uma enorme gama de informação por meio de um CD que veio parar em minhas mãos por algumas horas, selecionei o que me interessava e armazenei, mas mesmo assim já estou me organizando para passar o conteúdo (muito) extenso para o meu livro de forma manuscrita.
Devemos entender que certas partes do Ofício são inamovíveis, se isso for modificado mesmo sob o pretexto de modernização, perderá sua força e até mesmo o contexto. Sendo agora um pouco mais bem humorado eu pergunto: E quando faltar eletricidade? Gostaria de saber se caso o seu neto venha a seguir seu caminho, como ele fará para consultar tudo o que você deixou, num disco rígido obsoleto que daqui a cinqüenta anos nem sonhará em funcionar?
Há algumas partes, que são obrigatórias em um Livro das Sombras; a primeira, modernamente é chamada de diretrizes, mas seu nome original é Geisa, que como explicamos em matéria anterior é o conjunto de regras individuais de autoria própria junto com as poucas leis do mundo wiccano. A segunda parte é referente às mágickas propriamente ditas. Ali, devem constar todos os conhecimentos operativos que você obtiver ao longo de sua vida. Organize-os da forma que lhe for mais adequada, e de maneira que possa ser facilmente consultado mesmo em momentos de pressa. A terceira parte é opcional para bruxos wiccanos.  Pode ser escrita no final do LDS ou em um tomo separado; é o Grimoire ou Grimório. Basicamente é seu diário mágicko, onde se narram os acontecimentos após as experiências.  Por ele você terá como auferir o que lhe é mais apropriado no momento de um ritual ou mágicka.
Como vemos, o bruxo que segue esta parte da tradição acaba se tornando um grande depositário de informações.  Como querer manter tudo concentrado em um único ponto, ou mesmo confiar em algo tão imprevisível quanto um computador?
Por: Drustan o scaldi
Fontes:
O Livro das Sombras; Genge, N.E.; Ed: Frente, R.J. Brasil, 2002.
O Guerreiro Wicca; Cukulain, Kerr; Ed: Madras, S.P. Brasil, 2001.
Explorando o Druidismo Celta; Knight, Sirona; S.P. Brasil, 2003.   

Defensor    

Um amigo namorava uma moça. Depois de alguns meses ele fica repentinamente doente e quase morre. Após sondagem, este descobre que a mãe da moça estava usando de certos artifícios para vê-lo morto; tudo por não querer o tal namoro da filha com um sacerdote de outra religião.      
Entrando em contato com um amigo de outro estado que estava em aguda depressão, este me conta que recentemente havia feito sua quarta tentativa de suicídio.         
O que estes dois casos têm em comum?! A defesa da vida!
Muita gente, dentro dos sacerdócios pagãos, pensa que se usa de seus conhecimentos para revidar um ataque de grande porte ou simplesmente se deixa levar pelas circunstâncias. É ilícito usar de mágicka para reverter tal situação. Mas será que é certo se deixar ser atacado ou esmorecer diante de uma situação de risco de morte? Uma vez fui gentilmente convidado para uma cerimônia em um templo da Hare Krishna. A data era em celebração à manifestação de uma certa divindade, Irada Hindu, e o monge palestrante deu um ótimo exemplo:
 “Numa noite você está em casa jantando com amigos e família e de repente sua casa é invadida por bandidos. Após amarrarem todos, esses começam a ameaçar todos de morte e avisam que vão matar as crianças, estuprar e matar as mulheres e vão lhe deixar para morrer por último para que você assista a tudo. Você vai ficar passivo, sentado observando os acontecimentos e esperando a morte? Obviamente que não.”          
Os dois casos supracitados são a mesma coisa. Como todos sabem o paganismo é totalmente engajado em prol da vida, mas muitos deixam de esboçar reação quando a vida em questão é a própria; tudo para não passar pecha de vingativo. Já que o paganismo é defensor da vida, é certo que a primeira vida a ser defendida é a sua. Afinal, como posso eu entender da defesa da vida se eu mesmo não me defendo?
Quando perguntados o que fariam no primeiro caso citado, muitos acham que a resposta significaria vingança. Mas se o direito da vida e do bem-estar são sagrados, se alguém for ativamente contra isto, não é ele um profanador? E aceitar isso passivamente não é cumplicidade? Sendo um clérigo, você não pode se omitir quando se defronta com o mal. Devemos enfrentá-lo onde e da forma que ele vier, principalmente quando este vem sobre si. Se negar ao combate por simples vontade de não querer parecer vingativo é deixar que os miasmas do mundo se disseminem, o que é contrário ao nosso propósito. 
No momento de sua encarnação você recebe a responsabilidade de cuidar de si. Esta é sua maior atribuição. Deixar que outrem lhe barre o caminho por mero capricho é fugir de sua incumbência. É falhar gravemente com os deuses. Já que somos os defensores da vida em toda a sua amplitude, não nos é dado o direito de obliterá-la, principalmente se é a nossa.    
Se quer seguir em frente, cuide do que lhe é dado em primeiro lugar: sua existência, seu direito individual de ser. Lógico, não saia por aí sentenciando cada um com quem você esbarra e lhe desagrada; é mister um senso real de justiça e auto-preservação. É isto sobre o que estamos falando nesse momento: auto-preservação. O direito mais básico do ser, o simples direito de uma existência real e feliz.        
Depois disso tudo devemos lembrar que a única vontade divina consiste em “ide e sê feliz para todo o sempre”.

“Se o seu inimigo lhe ofender, retalhe com uma ofensa maior ainda para que ele nem possa pensar em devolver”.
Nicolau Maquiavel em O Príncipe.
Por: Drustan, O Scaldi.
Fontes:
- A Roda do Tempo; Castañeda, Carlos; Ed: Nova Era; Brasil; R.J. 2001.

Partiu um Sábio

Faltavam poucos minutos para o momento exato de minha vinda ao mundo, quando, por telefone, me chega a má nova: morria o mestre astrólogo Assuramaya.
Toda a alegria do momento foi partida pelo fato de que na noite anterior ele havia partido em sua viagem final. (deste segmento de vida)
Não tive a felicidade de conhecê-lo pessoalmente, mas ele era amigo do meu irmão mago Selath há quase quarenta anos. Quando vai o amigo de um irmão meu se vai parte também um amigo meu; e nós três figuramos juntos no quadro de colunistas do www.mensageiro.com.br, onde o maior astrólogo do Brasil derramava generosamente seu conhecimento sem fim sobre o cosmos. Assuramaya foi guerreiro e como tal deve ser honrado, pois na década de setenta, no auge da repressão política e ideológica no país, ele ousou ir para o rádio e fazer um programa específico sobre Astrologia, totalmente isento.
Foi também pioneiro, feito guerreiro precursor, ao inaugurar um telescópio em praça pública, no município de Bom Jardim (Rio de Janeiro), onde ministrou aulas de astronomia. Este foi o primeiro telescópio em praça pública, de que se tem notícia. Anos antes, havia comprovado, contextualmente, a eficácia da Astrologia no trabalho “A Influência Astrológica no Crime”, na Universidade Estácio de Sá.
Seu nome, no registro de nascimento não era Assuramaya. Assuramaya é um personagem lendário do continente submerso de Atlântida. Nascido na Cidade do Cabelo (esse é o significado literal do nome Assuramaya), essa personagem lendária tornou-se o maior observador de estrelas do continente perdido, e veio a ser Astrólogo chefe na Atlântida. Daí vem o nome do nosso Assuramaya, que em nada deixou a dever ao original.
Assuramaya não precisa mais observar estrelas já que agora está entre elas. Agora é uma delas. Peço então uma homenagem honrosa a este grande sábio. Conclamo os presentes para celebrar o “Einhariar”.
Como foram os gregos que primeiro falaram de Atlântida e de seus vultos, me despeço do mestre com um até logo em grego:
Gatapulme, Assuramaya.
Por Drustan o Scaldi 20/09/2007

N.R. O escritor Drustan, o Scaldi, é profundo conhecedor da História Celta. É praticante wiccano e escreve neste portal, voluntariamente sobre magia wiccana.

Filosofia

A noite de treinamento fora longa e intensa, chovia finamente e o vento forte trazia uma sensação de frio cortante. Como de costume fomos procurar algo para beber e comer, o local escolhido foi um churrasqueiro de rua na quadra ao lado.

Naquela noite éramos meu Shidoshi Miguel Greg, um antigo companheiro de arte marcial e eu. Era uma época difícil para os três e começamos a analisar a situação sob a ótica de nossas religiões; já que éramos um budista, um hinduísta e eu como o bruxo. Obviamente em dado ponto, a filosofia da nossa arte marcial entrou na roda e trouxe nova ótica para aquilo que percebíamos. Traçamos metas e vimos novamente que fé e arte marcial são grandes caminhos para o soerguimento do ser humano. Foi então que ouvi de meu Sensei a frase que norteia este texto: “Artes Marciais e religião sem filosofia não passam de sentimentalismo”.

Aqueles que acompanham esta coluna talvez se lembrem que sempre traço comparações entre essas duas artes, já que ambas são cabais para aqueles que seguem suas vidas de forma guerreira, por isso não vou me delongar em novas comparações. Muita gente me pergunta por que jamais escrevo sobre mágickas, e outros me criticam dizendo que os textos parecem ser tirados de algum livro de auto-ajuda. Mas esse tipo de gente apenas quer o imediatismo ou “um mercado de classe média” onde se possa comercializar aquilo que nos é ensinado pelos deuses.

Devemos sempre ter em mente que apenas debruçando nosso raciocínio sobre nossos conhecimentos, obteremos algo maior e jamais seremos falsos ou bruxinhos de banca de jornal. Para tanto, os antigos levavam anos estudando as Artes Mágickas, é muito fácil alguém lhe conceder um diploma em alguma coisa e depois lhe dizer que você está apto a mexer com determinada categoria de seres ou energias. Mas onde fica a preparação interior do sacerdote?

Da mesma forma, julgo como de alta importância, a capacidade de discernimento daqueles que participam ativamente de um ritual, saber por que se roda para a direita e não para a esquerda quando o Círculo é fechado no inicio do ritual, é cabal saber a forma trina da Deusa e também sua face oculta. Pode parecer jocoso ou irado, mas bruxo não é cozinheiro para dar receita e nem químico para escrever fórmula.

Se você deseja preparar realmente bem um sacerdote, antes de tudo você precisa preparar-lhe o interior para que receba bem esses conhecimentos tão antigos, importantes e, por isso mesmo, perigosos. Como disse nosso irmão, o Mago Selath: “É preciso amainar a terra antes de atirar-lhe a semente”. O faixa branca bem preparado será indefensável em suas atitudes, o neófito bem preparado será um espírito e um nome imortal, e ambos juntos ou separados, serão grandes homens.

Nossa única e real pretensão, ao longo de tudo o que se lê nessa coluna, é corroborar para que o Ofício não se transforme em chacota, objeto de perseguição ou piada para igrejista rir. E ainda há mais um ponto. Na comunidade de Orkut, Tenho Orgulho de Ser Pagão, há um tópico onde uma irmã fala de uma série de erros cometidos por gente despreparada que por isso mesmo, cometem uma série de erros que inclusive põem e risco as suas vidas. Gente essa, que é descaradamente iludida por aproveitadores e vendilhões que usam a “média” de massa para vender seus cursinhos ou produtos. Isso se dá unicamente por não existir um conhecimento real daquilo em que vivemos; tempos atrás num programa de televisão matinal, vi gente dizendo que a assinatura que termina apontada para baixo, traz negatividade, num outro programa noturno popularesco, alguém dizia que era bruxa wiccana e venerava o demônio.

Bom, o tipo de alfabeto e letra que usamos comumente, hoje em dia, não têm a capacidade de iluminação dos alfabetos antigos, como a Runa escandinava ou o Ogham celta; portanto, pouco importa a direção que a letra toma. Quanto ao demônio... Nós somos de um rito que já estava neste mundo mesmo antes dos judeus, ou dos cristãos que vieram muito depois. O demônio deles só foi criado na era medieval, e ainda por cima usaram a imagem do Deus Cornífero para dar-lhe uma face. Então, podemos dizer que nos ritos antigos a personificação do mal é simplesmente inexistente. Ao menos eu não conheço bruxo ou bruxa que tenha esbarrado com ele pela rua. Francamente, as pessoas que afirmam isso, sequer sabem o motivo real de usarmos roupas negras; e aqueles que crescem sem o devido preparo filosófico, também não.

Há sempre um motivo, sempre um rumo certo; mas sem uma mente iluminada, suficientemente, a estrada sempre termina nos vales escuros da ignorância.

Convido-o, neste momento, a mais uma vez pensar, ou melhor, filosofar sobre a névoa, propriamente dita. O que ela é além de um manto para ocultar do vulgo um local sagrado? O que sente aquele que viaja de barco em seu abraço frio? Quando começar a entender a névoa, você vai notar que só três coisas o impedem de afundar no lago do Ofício: a primeira é o conhecimento, que lhe diz onde a ilha está, a segunda é a fé, que sempre lhe assegura que a ilha continua no mesmo lugar à sua espera, e a terceira é a filosofia, que lhe dá a rota e o porquê de seguir até lá.

Sem esses três instrumentos náuticos, qualquer um se perde e fica à deriva, isso se tiver muita sorte e não se encontrar com as pedras do fundo arenoso e com os monstros que permeiam a vida humana normal. Pois o clérigo sem filosofia é apenas isso, uma pessoa comum, sem senso numa existência comum e perfeitamente mundana.

As palavras gaélicas Wicca e Druida, no fundo, significam a mesma coisa, uma pessoa sábia em seus assuntos, e para os gregos o sábio é quem pensa a vida, e para eles quem pensava a vida eram os filósofos. Não se deixe levar por modismos ou imediatismos, renegue o status, não esteja um Wicca, seja Wicca. Mas para de fato ser algo ou alguém, é necessário ter consciência de si próprio, e isso se adquire unicamente pensando sobre si; descobrindo quem se é, o que o transforma e, principalmente, no que vai se tornar após tal mudança.

Prepare-se! Pois se descobrir, é aprender o caminho dos deuses; aprender o caminho dos deuses é se tornar maior, por isso mesmo com tanto poder em mãos, mesmo que volte atrás, você jamais será a mesma pessoa. Enxergue através da bruma que a vida mundana coloca frente ao seu caminho, desvende as ilusões procurando um porquê de cada coisa ter seu lugar e seu tempo.

Apenas através do seu pensamento você poderá se tornar grande, e ser maior do que essa gente que quer somente o agora, essa gente que não quer que você esteja no futuro do mundo conosco.                                                                  

Fonte:                                                                                      Mabioginon,O Jardim; Epicuro.

N.R. o escritor Drustan, o Scaldi (nome adotado no círculo dos praticantes de magia wiccana) e seus confrades estão revoltados com razão.
A Carta magna brasileira é clara sobre a total liberdade de culto religioso
O Estado brasileiro não têm religião oficial.
A festa de Halowen não faz parte de nossa cultura, mas em nada agride as religiões praticadas no Brasil.
A ignorância no passado já levou ao assassinato de pessoas, cremadas vivas, em Salem, nos Estados Unidos, onde hoje a festa das “bruxas” é quando se oferecem doces às crianças fantasiadas de abóboras e outras figuras exóticas, é parte do folklore do país.

O preconceito e xenofobia são próprios dos ignorantes e podem lavar a situações extremas que podem até fugir ao controle. Recente, Bula do Cardeal Ratzinger.

 

Respiração da Aura

Durante conversas com outros Filid, observo constantemente dúvidas das mais diversas sobre o que normalmente se chama de aura. Por muitas vezes se divulgam autênticas falácias, em outras ocasiões vêem apenas meias verdades, já que são muitos aqueles que desejam entesourar o que sabem sobre o Ofício e suas artes.

De certa forma, os conhecimentos sobre a aura são relativamente novos para os pagãos, já que vêm trazidos dos costumes orientais, onde este tema é comumente falado; está inserido nas artes marciais, na medicina tradicional e, por vezes, se encontram vocábulos nas línguas orientais onde se vê a alusão à aura. Dependendo da cultura, a aura pode ter vários nomes. Ki entre os nipônicos, Chi entre os chineses, às vezes é o Soma dos Hindus indianos e aparece como o Perispírito dos Kardecistas.

Como estudamos na escola, todo o corpo material é carregado de energia, tal “atrito” energético cria um campo que circunda o corpo parecendo dele emanar; assim sendo, tal força é tida como um campo radioativo que tem tendência a reagir e interagir com o que está à sua volta. Uma prova básica disto é que, se fosse o contrário, nada ou ninguém poderia sofrer contaminação de substâncias radioativas como o Césio C-130, que é utilizado em salas de Raios-X, ou dos materiais emanados de reatores atômicos, como o de Chernobyl.

Tudo emana energia em menor e maior grau, de uma forma ou de outra. Por isso, existe a possibilidade constante de se colher vibrações; elas deixam impressões em tudo, mesmo nas paredes de um cômodo em uma residência. Basta notar que em alguns lugares existe uma propensão a nos sentirmos incomodados, como se houvesse um peso a nos oprimir; ou então ficamos estranhamente confortáveis, como se fosse em nossa casa. Com pessoas é igual, algumas, adoramos ao primeiro contato e outras nos despertam asco só de olhar. Isso se dá pelo fator de que toda vibração tem sua freqüência própria, quando as vibrações são muito díspares entram em conflito, mas se forem próximas ou mesmo iguais, provocam o fenômeno da ressonância, é literalmente como na teoria musical.

Quando está em um ser vivo, a aura respira na mesma freqüência que seu possuidor.  Ao expirar, ela se expande, liberando informação, e na inspiração ela se contrai colhendo impressões de tudo e todos à sua volta.   Algumas pessoas têm isso tão desenvolvido, que mais se assemelham a radares. Os corpos somáticos também podem variar seu tipo de pessoa para pessoa.  Alguns são praticamente fechados, outros são abertos e absorsivos. Os mais sensíveis podem até mesmo sentir variações de temperatura e densidade durante operações específicas como uma sessão de Reiki.

Os maiores centros de respiração da aura são os Chakras, que são sete pontos espalhados pelo corpo.
O primeiro está na parte baixa da pélvis, entre o órgão sexual e o ânus; por isso sua função é alimentar a vida no corpo e fazer com que ela se projete pelos órgãos sexuais. O segundo ponto está quatro dedos abaixo do umbigo, na região alta do ventre; como está bem na base da respiração abdominal, tem por atribuição regular a mesma e abastece cada esforço feito pelo corpo. O terceiro ponto está sobre o plexo solar, seu trabalho é transformar tudo o que o corpo absorve, principalmente durante a alimentação; é, o segundo Chakra em utilidade para os Filid, pois é nele que estão depositadas as “energias do fígado”. O quarto está sobre o coração e regula o campo emocional dos seres. O quinto está no pescoço, sobre a laringe, cuida das faculdades comunicativas e por estar no pescoço que une o corpo á cabeça, é o Chakra da transformação do homem; de animal para racional. O sexto é o mais afamado, está sobre a testa, logo acima do fórceps nasal, daí seu nome de terceiro olho, cuida do raciocínio e também das faculdades mágickas da visão, o que também corrobora para seu nome. O sétimo está sobre o centro do crânio na junção de seus ossos, por estar nessa posição é chamado de coronário por estar no lugar de uma coroa, a este Chakra se atribui a inteligência, seus dons e também a ligação do ser com o divino, já que está aberto para o céu.

Todos esses pontos giram em sentido horário e têm uma espécie de descarga negativa na parte anterior do corpo, onde giram em sentido anti-horário. Por serem primariamente ligados á respiração somática, jamais devem ser fechados, obstruídos, invertidos ou drenados; isso significaria literalmente o enfraquecimento da aura de uma pessoa, um campo somático que tem seus pontos invertidos e passa a respirar preferencialmente para dentro, está claramente obsedado; ou melhor, vampirizado.

Quando vampirizada, a pessoa mostra uma aura fraca, que respira basicamente recolhida e comprimida, perde brilho apresentando coloração fosca. Não tem espaço, ocupando uma área que se reduz até atingir no último estado, uma área de apenas dois dedos além do corpo físico. No estágio terminal, o vampirizado, além disso, tudo, mostra uma aura de cor sépia, que é a coloração de fotografias velhas.

Geralmente o desenho de u’a aura é sinuoso e pontiagudo, mas isso varia, pois há um segredo: Sabemos que a Terra também respira e tem variações de horário onde dá lugar á respiração do Céu. De 06 h até 12 h o Céu respira fazendo que a aura esteja cheia de arestas que provocam sua expansão. De 12 h até as 18 h é a vez da Terra e isso dá a aura um contorno mais compacto e com menos arestas, o que a faz guardar o que é emanado da Terra. O Céu respira novamente de 18h até a 00 h e rende o turno para a Terra de 00 h até as 06 h. Assim é todo o dia. O físico brasileiro César Lates, além de provar a existência da partícula do Méson Pesado (ou Méson Pi), também provou que essas partículas tinham maior tendência de caírem do céu em determinados horários, sendo que esses coincidem com as horas de alternância da Respiração Terrestre e da Respiração Celeste. Coincidência?

Logicamente que com tanta movimentação em um momento ou outro, o campo somático é invadido por uma energia intrusa e danosa, e normalmente não conseguimos saber sua origem. Então vamos cuidar de alguns procedimentos de profilaxia para a aura, que devem ser usados, principalmente, por aqueles que absorvem mais do que emitem, os famosos “esponjas”.

O primeiro é bem simples. Sente-se e relaxe, feche os olhos e imagine que seu corpo começou a esquentar absurdamente a partir da linha vertical central. Quando atingir o máximo de temperatura suportável, mentalize que tudo de ruim que está “colado” em você começou a queimar, formando uma fumaça negra, espessa e até mal cheirosa; isso tudo está saindo de você e se evaporando no ar. Ao se sentir mais leve, respire fundo e passe a mentalizar uma nuvem dourada sobre você; e então essa nuvem despeja sua chuva, que é dourada e cai somente sobre seu corpo; absorva ao máximo. Isso será suficiente para livrar-lhe de negatividades externas e até mesmo suas.

Algo um pouco mais forte é praticado pelos Sikis da Índia. Sente-se de pernas cruzadas, feche os olhos, ponha a ponta da língua contra o palato (céu da boca); agora levante os braços na altura dos ombros e dobre os cotovelos em noventa graus. Comece com as mãos abertas e depois as feche, abra novamente mas, ao fechar, coloque o polegar para dentro sob os outros dedos; sincronize os movimentos de mão com uma respiração lenta e profunda. Faça por durante três minutos, será o suficiente para uma limpeza bem feita.

A meditação Zen também é bem útil, principalmente para armazenar forças ou reconstituir trechos da aura que foram danificados por acidentes ou doenças. Basta sentar de pernas cruzadas, fechar os olhos, encostar a ponta da língua no palato e manter a coluna reta. O mudra (posição de mão) é bem simples, coloque sua mão esquerda aberta em seu colo, sobre ela à direita fazendo com que os polegares se toquem. Então respire lentamente usando a barriga, contraia ao expirar e expanda ao inspirar; isso provocará uma respiração profunda e trocará o ar de seus pulmões a cada ciclo. O mais importante porém é limpar a mente por completo, impedindo-a de pensar e se deixando enxergar somente o plano negro á sua frente.

A quarta e última opção é mais radical. Em casas de artigos religiosos ou até mesmo em lojas para produtos de limpeza, se pode conseguir uma substância chamada “anil”.  Pegue uma das esponjas que vem na embalagem e a aperte em uma panela com água, isso fará com que a esponja libere uma substância de cor azul anil, como a que está em nossa bandeira nacional. Feito isso, tome um banho normal; depois use toda a água de anil para se banhar novamente do pescoço para baixo. Não use sabonete e deixe que seu corpo se seque naturalmente, sem toalha. Curiosamente esta mesma água é utilizada na famosa Cerimônia Azul, que tem por função “banir coisas indesejáveis e pesadas” de uma habitação ou mesmo local sagrado.

Agora você já sabe como exatamente trabalha a estrutura de sua aura, e também sabe o que se deve ser feito para mantê-la limpa, protegida e forte. Sabendo dessas coisas, poderá transitar normalmente e á salvo, e tudo o que fizer será imbuído de muita força. Mas não se esqueça: As mariposas nascidas na escuridão, sempre avoejam em busca de uma lâmpada na qual se fixar.

Por: Drustan, o Scaldi

Fontes:

Dogma e Ritual da Alta Magia; Eliphas Leví; Ed: Pensamento; SP; BR; 1990.
Zen A Transmissão Especial; Osho; Ed: Madras; SP; BR; 1999.
Pêndulos Prática em Radiestesia; Píer Campadello; Ed: Madras; SP; BR; 2004.

Mabinogion

“Uma coletânea de manuscritos baseados em eventos históricos do início da Idade Média, mas que podem remontar à Idade do Ferro”.

O livro é originalmente escrito em gaélico, galês, que tem similaridades com os outros gaélicos falados pelo resto da Europa Celta.

Sua primeira tradução em inglês foi feita por Lady Guest, já que essa era grande admiradora da cultura celta por se tratar de uma bruxa do séc. XIX.  Esta tradução foi lida por duas pessoas que hoje nos são muito influentes: Gerald Gardner, o fundador da Wicca e em dupla com o livro escandinavo Kalevala, foi a base para a construção mitológica da série Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien.

O título Mabioginon é de fato um erro de tradução de Lady Guest. A palavra original é Mabinogi (pronúncia: mabinoguí), que significa "da infância/juventude", mas o sufixo "mab" significa conto/história; o que faz com que também se traduza como "Contos para a infância/juventude". O título sugere então, que tais histórias fossem contadas para os infantes e os jovens, para ajudar em sua formação cultural, moral e no caso dos alunos de (1)Fosterage (Colégio Druidico), sua formação acadêmica.

De fato, o Livro Branco de (2)Rhydderch (Llyfr Gwyn Rhydderch-pronúncia: Lúvr Gu_ín Ridêerk) e o Livro Vermelho de (3) Hergest (Llyfr Coch Hergest-pronúncia: Lúvr Cók Rêerguêst), guardam, respectivamente, a primeira e a segunda metade do Mabinogi, mas o livro completo é mais antigo, datando aproximadamente de 1060 a 1200. Se bem que essa é a datação dos escritos, pois seus contos são ainda mais antigos, como se pode ver em seus textos.

Os Ramos do Carvalho.
O livro, na maioria de suas edições, conta com onze contos; os quatro ramos e mais cinco histórias: Peredur Filho de Efrog; O Sonho do Imperador Maxen (aquele do filme Gladiador); Lludd e Llefelys; A Dama do Lago; Geraint Filho de Erbin; Como Culhuch Ganhou Owein e O Sonho de Rhonabwy.

Tradição Oral.
Todas as histórias são visivelmente feitas para performance oral, já que naquela época, a cultura foi sabidamente oral. Até por isso, cada um dos ramos termina com a expressão "Assim termina este ramo do Mabinogi". Tal frase é um recurso para evitar que o contador ou bardo se confundisse e estonteasse a audiência no momento de encadear cada conto, mas isso nos leva para outra questão.
Notamos que os ramos, inicialmente tinham uma ordem para serem contados, o que denota uma ordem cronológica, mas como ninguém sabe a ordem correta, os ramos aparecem hoje em várias ordens, dependendo apenas do gosto do tradutor.

A Época do Rei Arthur
Esse é o motivo pelo qual muita gente não sabe precisar a época de Arthur, já que até o presente, não se aplicou datamento preciso para cada ramo; mas se sabe que a maioria vem da Idade do Ferro (1.200 a.C. até 1.000 d.C.).
Todos os contos têm em comum o fato de narrarem casos ocorridos a pessoas notáveis (muitos, como Lludd, Arawn e Pywil, são deuses) em locais factuais. Através deles vemos nomes, costumes e as lendas do território galês; muitas de suas personagens viajam por todo o território celta e figuram em lendas de vários países.

Taliesin.
A versão da tradução de Lady Guest, conta ainda com a Lenda de Taliesin, que já foi aqui abordada resumidamente em tópico homônimo.

Contos de Cinema.
Infelizmente, para nossa tristeza, confusão dos historiadores e alegria dos católicos, alguns dos contos sofreram alterações (inclusive muito recentes) e são hoje contados com severos erros.
A primeira é sobre O Sonho do Imperador Maxen, que foi adaptada para o cinema e saiu sob o nome de Gladiador. Como a maioria de nós viu o filme, não vou me ocupar com sua história, mas vou resumir a verdadeira.

Aelius Maximus Decimus Meridius, era um minifundiário que nasceu na Espanha dominada por Roma. Tal território era conhecido pelos celtas como Reino de Aragona, e foi de onde saiu a mãe adotiva de Lugh, o deus irlandês que foi adotado por uma herdeira foragida da família Aragona (Aragão e Castella, Aragão, Aragon, Aragonats, Aragorn-Senhor dos Anéis).

Para evitar a falência, possivelmente, Maximus comprou uma patente militar, ingressou nas centúrias romanas e chegou ao cargo de General, então é transferido para guardar as fronteiras romanas na Bretanha Dominada.

Lá chegando, fica conhecido pelo povo por sua opulência, belicosidade e ambição, e seu nome é gaelizado para Maxen..

Depois de alguns anos, morre o imperador Marcus Aurelius, que no filme aparece como sendo um bom governante, mas, na verdade, era um déspota assassino. Na tomada em frente ao Coliseu, o filme mostra uma estátua de Marcus, coberto dos pés à cabeça por um manto; tal estátua existiu, e quando os artesãos cobriam alguém com um manto, era sinal de pessoa impiedosa. Vem para substituí-lo, o filho Commodus, que na verdade, entra para a história como o último imperador, e o que quase recuperou Roma por se preocupar com sua cultura, arte e política. Mas não sem antes fazer os tais 135 dias de jogos no Coloseo, Coliseu.

O ambicioso Maxenvê na frouxidão de Commodusuma brecha, se junta com um príncipe bretão de nome Conan Meriadeg, e sai para a França, a fim de dominar o resto do território livre, engrossar a tropa e dominar Roma. Mas, lá chegando, encontra grossa resistência e é fragorosamente derrotado. Nada de gladiador.

Contos D'um Cretino
Novamente para a nossa tristeza, confusão dos historiadores e alegria dos católicos; há uma intervenção ainda pior.

Na cidade de Troyes, na França do séc. XIII, nasce um literato de nome Chretien, que no nosso caso poderia ser chamado de Chretino di Troyes. Cretino, pois esse homem trabalhou para a igreja sob pagamento, para traduzir e subverter textos antigos em favor desta.

Os “Contos Arthurianos”
Chretien recebeu ordens para traduzir principalmente os Contos Arthurianos de forma que o sincretismo de Arthur fosse ressaltado, e que todos os cavaleiros parecessem cristãos (coisa que não eram, esse foi o primeiro motivo que fissurou o Pacto da Távola).
Com isso, todos os nomes foram trocados para o francês, por exemplo: Nimue, a verdadeira Dama do Lago, virou Vivien; Drystan virou Tristan; Mydir Virou Merlin e teve a vida distorcida; Peredur virou Parcifal, Percival, e por aí vai. Mydir que era nome virou cargo; Morgan, (Morgana) que era uma meia irmã zelosa, enfeada por um incêndio; se torna uma beldade má e incestuosa... Mas o pior é que Lancelot, por ser um tratante francês, vira um herói fiel e galante. Os dois filhos de Artwur, que nascem antes do casamento com Guinevarwn, somem. E a própria Guinevarwn de ruiva e adúltera, se torna branca e cândida.

O Santo Graal
Mas o mais pernicioso, é que Chretino é o inventor do Santo Graal. A palavra graal em francês tem dois significados. O primeiro é um prato de madeira, no qual a pessoa comia à mesa, individualmente. Mas no francês arcaico, graal também significa caldeirão. Mas ele transformou o caldeirão em um cálice de madeira, onde Nazareno teria bebido vinho em sua última refeição, (ou onde o sangue do Nazareno teria sido aparado quando Seu peito foi perfurado pela lança romana, segundo a lei romana, para que o corpo sem vida fosse entregue a José de Arimatéia). E no próprio Mabiogin, há uma descrição de um caldeirão mágicko que ressuscita os mortos, e foi atrás desse exemplar que Mydir, e não Artwurmandou Derfel e não o ex- escudeiro de Lancelot.

Como se vê, a única contribuição de Chretien foi para a “santa igreja.”

Por: Drustan, o Scaldi.

Fontes:

Mabinogion;Davies, Sioned;ed :Oxford University Press; Of; UK,2007.
Em Busca do Santo Graal; National Geographic; EUA; 2005.

Notas do editor.

Fosterage (1) Local para onde as crianças são mandadas e ficam sob a guarda de um  tenant, tutor, ou preceptor para fins de educação.

Os livros (2) branco e (3) vermelho foram encontrados em duas abadias.

As duas abadias são sinalizadas pelos próprios nomes dos livros, ou seja, o Branco está na Abadia de Rhydderch e o Vermelho, na de Hergest.

O texto sinaliza que “o escudeiro” de Lancelot foi quem encontrou o Graal. Há versões que dizem ter sido Peredur e outras dizendo que foi Derfel.

Uma versão mentirosa feita de encomenda para influenciar os católicos, como outras mentiras da “santa igreja” a falsa data do nascimento de Jesus, no dia 25 de dezembro, o culto do domingo e não do santo sábado como está escrito na Bíblia em qualquer das versões, e os “3 Reis Magos”, que na Bíblia são tratados apenas como magos, não sendo dito quantos seriam e, em nenhuma parte dizendo os nomes nem que eram três: tudo mentira.
Outra grave farsa é o “frasco que contém o leite da Virgem Maria”.

É o caso de questionar, D’Us condena ou não a mentira? A “santa igreja” está acima de D’Us nas decisões dos Concílios?

 Sobre Gerald Gardner, fundador da Wicca.

O fundador da Wicca nasceu em Crosby, próximo a Liverpool, na Grã-bretanha.  Era asmático desde criança, por essa razão a sua ama o levou para climas mais quentes, acabando por viver na Ásia, onde Gardner ficou grande parte da sua vida adulta.
Em 1908, era plantador de borracha, primeiro em Borneo e depois na Malásia.
Depois de 1923, ainda na Malásia, exerceu funções como inspetor do governo Em 1936.  Com 52 anos, regressou à Inglaterra. Em 1936 publicou o texto autoritário ''Keris and other Malay Weapons'', baseado na sua pesquisa sobre armas no sul Asiático e práticas de magia.

No seu regresso a Inglaterra em 1936, adotou o naturismo, e aprofundou o seu interesse pelo ocultismo. Foi influenciado por Aleister Crowley.
Como Doreen Valiente, ficou conhecido no movimento pagão moderno, e dizem que era um forte adepto da terapia através do sol.

Gardner publicou dois trabalhos de ficção: ''A Goddess Arrives'' , em 1939 e ''High Magic's Aid'' , em 1949. Estes trabalhos foram seguidos de trabalhos de investigação e, portanto, factuais: “Witchcraft Today” em 1954 e “The Meaning of Witchcraft”,. em 1959.

Casamento e morte
Gerald Gardner foi casado com uma mulher chamada Donna durante 33 anos, mas ela nunca fez parte das atividades neo-pagãs do seu marido.

Em 1964, Gerald Gardner morreu a bordo de um navio que regressava do Líbano, depois de sofrer de um ataque cardíaco.  Foi sepultado na Tunísia.

 

Mistificados pela Bruma
Por Drustan, “o Skaldi”

Há poucos dias, tive um encontro interessante em casa de amigos, todos Filid. Já havíamos marcado o compromisso, mas por algum motivo sempre sofremos com adiamentos. Esperávamos um jovem, que segundo meus amigos, estava um pouco perdido com coisas que vinha descobrindo e isto estava lhe imprimindo uma nova identidade com um forte pendor para os Antigos Costumes.

Depois de alguns minutos, ele chegou e contava a história de um dia conturbado que, novamente, quase o impediu de chegar, mas dessa vez ele veio apesar de todos os contratempos.

Como era um encontro entre bruxos, obviamente, não podíamos deixar de cozinhar e, enquanto os pratos eram feitos, a quatro mãos, eu e o recém-chegado conversávamos, preparando-o para as consultas de oráculo que viriam após o jantar. Aos poucos, fui descobrindo um jovem inocente, amante de histórias em quadrinhos e que desde pequeno divisava vultos de aparência sombria pelo meio da noite e escutava vozes; e como não podia deixar de ser, primeiramente, foi taxado de louco pelos pais e em seguida de endemoniado pelos parentes de vertente neo-pentecostal. Como ocorre a muitos, o jovem resolveu teimar em não reconhecer seus dons até que os mesmos foram bloqueados; com isso, nosso amigo foi “comprimido” na forma de um típico humano normal e católico.

Com o jantar à beira de ser servido, uma das panelas mostrava intenções de estragar com a festa, e o dono da casa nos perguntou o que fazer para salvar o prato que já ia pela brandolina, logo respondi:
- Pegue o trem em Londres, vá até aquela escola de Magia e peça a varinha daquele adolescente cavalgador de vassoura! (risos)
- Pelo visto você detesta a personagem... né?!
- Perguntou o mais jovem do grupo, mostrando que era fã da série.
- Devagar, pois não é bem assim que se toca a harpa, meu amigo.

E dei início a uma explanação, que tentarei repetir aqui.
Desde o início desta década, reparamos que há um estranho fenômeno de mídia, no qual a bruxaria está sempre presente nos meios de entretenimento, de forma lírica e às vezes até cômica. Bruxos adolescentes que se transformam em internos de Fosterages em dimensões mágickas, anões que viajam para destruir anéis em caldeiras de vulcões, bruxas que balançam os narizes para resolver o cotidiano, apresentadoras de programa infantil, que andam em companhia de elementais e outras que mechem o café sem usar as mãos na colher; há toda uma sorte de fantasias que orbitam em torno de um mesmo tema; nós e o Ofício. A cada lançamento de livro ou filme deste tipo, gera-se um frisson que nos coloca novamente sob refletores, e as reações da mídia e do público são as mais diversas.

Num primeiro momento de certa forma, a mídia tenta promover uma “assimilação de contra-cultura”, pasteurizando o material e fazendo com que a sociedade assimile o tema que lhes é mostrado sem o estofo real e de maneira diminuída cria-se uma moda nova para o mercado. Agora “a bola da vez” é a Índia e os ensinamentos vedânticos do hinduísmo.

Num segundo momento, inflamam-se os ânimos entre os fundamentalistas religiosos de outras vertentes, principalmente aqueles de origem judaico-cristã.

Por fim, vê-se nascer uma curiosidade principalmente entre os mais jovens que já têm uma tendência para tal, e aí está o perigo maior, principalmente a médio e longo prazos, em termos de religião e até mesmo para a saúde e a vida dos curiosos. Já que não dispõem de fontes sérias, pois foram desqualificadas ou ocultadas pela mídia no primeiro momento, nasce disso uma tribo de modistas que acabam por denegrir o Ofício com suas idéias errôneas e desempenho risível. São inúmeros os casos de jovens que foram hospitalizados por intoxicação após tentarem aquela receita de revistinha com capa cor de rosa e bonequinhas estilo mangá nas ilustrações. Em São Paulo, ficou famoso entre nós o caso do grupo de primas que quase incendiou a casa dos pais, sendo que estes foram culpar uma File de grande prestígio entre nós pelo simples fato desta ser sua vizinha. Isso sem contar os charlatões que surgem, aos baldes, nos programas femininos matinais proferindo falácias sem fim.

Como se tudo isso não fosse suficiente, há uma ameaça espiritual direta que incide sobre os despreparados. A mistificação, que segundo o dicionário significa “abusar da credulidade, de ludibriar; devanear ou fantasiar”. Exatamente por desconhecer a realidade daquilo com que resolveram lidar, os neófitos são continuamente assediados por coisas que não são o que dizem ser, e isso acontece até mesmo com sacerdotes experientes e chega a se transformar em vampirismo.

Faltando com os principais fundamentos, senão todos, os jovens são abordados por um sem número de entidades, que em sua maioria não passam de sombras mortas com necessidades sórdidas ou até meramente vontade de transformar pessoas em brinquedos para seu divertimento. Desta maneira, é gerada uma relação na qual o incauto é absorvido enquanto pensa estar lidando com espíritos poderosos e sábios, que ao seu passo o fazem cumprir uma série de absurdos e lhes ensinam práticas fantásticas prometendo os maiores resultados. É algo como aqueles charlatões de panfleto que lhe prometem “trazer a pessoa amada em três dias”.

Com isso, os novos crescem, pensando serem sacerdotes magistrais, quando na verdade se transformarem em peões em um xadrez sórdido. Quando dão por si, estão passando por bobos face a pessoas sempre dispostas a censurar, ou pior ainda, atraíram outros para a mesma ilusão e já estão todos à beira de um abismo sem fundo. As correções são difíceis, mas não impossíveis, mas mesmo assim há de antes se desfazer todo um sólido castelo de nuvens antes de começar um trabalho real em prol de quem busca algo além de uma vida material ou feitiçarias egoístas.

Afinal, como o ser humano passa a maior parte de seu tempo envolto em uma floresta de ilusões, é difícil lhe abrir os olhos mesmo que contemos com a vontade desse. Imagine como deve ser difícil acreditar que aquele que lhe assessorou por um longo tempo, e lhe fazia a vez de mestre não passava de um bandido que o enviava em seu lugar na hora de fazer o serviço sujo ou cumprir as penas? Antes de mais nada, esteja o caminho errado ou certo, faz-se mister a desmistificação derrubando os ídolos disformes.

A melhor defesa para quem busca o caminho com sinceridade é a pesquisa árdua e a prece constante e amorosa aos deuses antigos. Já que por desconhecimento, que é comum ao iniciante em qualquer matéria, apenas devemos contar com os augúrios divinos, para que nos ponham em mãos de um bom guia ou então nos façam encontrar material que nos esclareça as dúvidas iniciais.

Acima de tudo, não devemos nos deixar levar pelos apelos modistas causados pela mídia, que torce a imagem ao seu bel prazer, em prol de um melhor apelo comercial para o momento.
                                                     

                                                                                  Por: Drustan, o Skaldi. 

 

(...) “Eu só vim aqui buscando conhecimento,
Coisas que não poderiam me ensinar na escola.(...)
Demônio no profundo azul do mar atrás de mim
Disperso pelo ar você jamais me encontrará
Transformarei sua face em alabastro,
Quando você encontra seu servo ele é seu mestre.
E você estará atado ao meu dedo“

Música: Wrapped Around Your Finger.
Álbum: Sinchronicity.
Banda: The Police.

 

Fontes:

- Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa; Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; Ed: Nova Fronteira; Rj; Br; 1985.
- Livro dos Espíritos; Allan Kardec; ed: Federação espírita do Brasil; Rj; Br.
N.A:
- Fosterage (Gaélico) - Tipo de antigo colégio interno druídico onde se formavam novos sacerdotes.
-File (Gaélico) - Palavra que no francês e português originou a palavra filé, o refinado, o mais fino, nome dado aos sacerdotes  celtas.
- Filid (Gaélico) - Plural de file.

 

Um peso duas medidas

Por Drustan, o Skaldi

Como de costume, cheguei bem cedo ao trabalho e comecei a ler as notícias do dia nos jornais da Internet, mas para minha surpresa, ao abrir a versão eletrônica da BBC Brasil, encontro duas matérias sobre o Ofício; mas de conteúdo bastante díspar.

Na primeira, o político estadunidense Matt Latimer, que foi um dos autores dos discursos de G.W. Bush quando este era presidente do seu país, declara em seu livro que a autora J.K Rowlig (autora da série literária Harry Potter), havia sido indicada para uma comenda, mas fora vetada por vários congressistas por crerem que a moça “incentivava a bruxaria” em seus livros.

A segunda matéria dava conta de que o governo espanhol, na tentativa de trazer as Olimpíadas de 2016 para Madrid, estava organizando uma enorme cerimônia esotérica pública na estação ferroviária de Atocha.

Quando nasci, o artista plástico Andy Warhol, já havia criado a Cultura Pop, e pode se dizer que Rowling é uma de suas descendentes já que escreve livros que são de amplo alcance popular entre o público infanto-juvenil mundial. Sua série é best-seler em vários países do globo e uma febre no cinema de entretenimento. Enfocado pelo Ofício, os livros têm bem pouco da nossa “Ars Antiqua”, mas não se pode negar que fomentaram um grande movimento de leitura em jovens do mundo que desconheciam o que é um livro, que não sabiam como é o prazer de ter uma encadernação entre os dedos e singrar por entre as palavras, criando cenários e feições de personagens na própria mente. Esta é apenas mais uma prova de que o livro é imortal enquanto existir a humanidade.

Mas os congressistas estadunidenses, que vivem bravateando liberdade desde 1776, mostraram-se tão retrógrados quando os padres e senhoras da Associação Católica Autraliana Pelos Bons Costumes, que tencionavam proibir os livros e os filmes no Novíssimo Mundo. Lembro que de certa feita, quando o primeiro filme estreou no Brasil, flagrei um padre comprando o livro numa loja do Centro do Rio, e o mesmo me declarou que não viu maldade ou “feitiçaria” no tomo; tanto que o estava comprando para presentear o sobrinho pelo aniversário do menino. Acreditem, quando assisti ao primeiro filme pela televisão, estava em casa do nosso irmão (1) Selath, e o que vi de correlato ao Ofício, só poderia ser notado por Filid de certa experiência e atenção. Será que então os congressistas estadunidenses, na verdade não passam de um bando hipócritas em pele de W.A.S.P?! Os barões algodoeiros da turma do lençol branco estão novamente no poder?!

Por outro lado vemos uma surpreendente demonstração de liberdade de culto da parte do governo das terras de Aragona. Que de forma ancestral recorrem ao Etéreo para lograr em alguma empresa importante.

O que deixa a nós filid boquiabertos é o fato de que em sua História, a Espanha é o país que fomentou o movimento inquisitório mais impiedoso e sanguinolento em todo o mundo, sendo seguidos de perto pelos Germânicos. Na mesma quinta-feira em que eu lia a matéria original, Madrid reunia quarenta clérigos entre xamãs, monges budistas, brabus hinduístas e até mesmo druads de tradição celta, com fins de propiciar a interferência positiva do Plano Espiritual na busca pela sede Olímpica de 2016. Mais um motivo para nos deixar boquiabertos é que além de público, o culto contava com o consentimento do Rei Juan Carlos, que apesar de católico, como todo bom membro de família real, não deu qualquer declaração contra o ato. Seria um acontecimento para rasgados elogios se a situação na orbi fosse outra.

Na Samoa Colonial pertencente aos Estados-Unidos, ocorreu nova tsunami; Nas Filipinas, a presidenta Glória Arroio viu-se obrigada a fazer o palácio presidencial de abrigo para os desalojados das tempestades (ao povo o que é do povo, meu voto seria seu); quarenta por cento da população mundial não tem água potável; mais de um milhão e trezentas mil pessoas morrerão de fome até 2016... e os quarenta clérigos espanhóis estão preocupados em determinar a sede olímpica?! Mas os países deste mundo mais uma vez mostraram que seu conhecimento de poder não deve ser destinado a balelas. Pois é, Madrid... não deu. 2016 vai ser onde mesmo?!

Mas garanto que se fosse para mudar o destino das pessoas assoladas por uma das tragédias citadas, haveria poder real, e sacerdotes do mundo todo viriam fazer coro, principalmente se fosse para mudar as cabeças no congresso estadunidense.

“Merlin subia o barranco correndo e arfando enquanto gritava: Vencemos! Não tem mágica nenhuma... mágica nenhuma!

Por: Drustan, o Skaldi.

Em 03.03.2009

Livro: Excalibur
Autor: Bernard Cornwell.
Fontes:BBC Brasil

Notas do autor:
(1) Mago Selaht, professor,escritor,jornalista e editor de Magia deste Portal.
W.A.S.P: Do Inglês, a sigla vem de White Anglo Saxon and Protestant, indicando que o bom estadunidense “puro” deve ser branco, de ascendência britânica e de fé protestante”, um preconceito contra a liberdade de crença ou religião”.

Turma do Lençol Branco: Referência pejorativa nos E.U.A aos membros da Klu Klux Klan, que na sua origem foi formada por barões do algodão da zona do Mississipi com intuito claramente racista.

Aragona: Os celtas irlandeses costumavam assim nomear a Espanha, já que as coroações dos seus reis eram feitas naquele país que se encontrava sob o governo das famílias Aragão e Castella.

Drustan, o Skaldi pode ser encontrado agora também no Twitter: http://twitter.com/DrustanoSkaldi

O link da matéria do evento da Espanha.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias
/2009/09/090929_madriolimpiada_ai.shtml

 

Até o Nada

Por: Drustan, o Skaldi. 23.10.2009

No texto anterior, “TORCENDO AS HORAS”, vimos uma avaliação mística do tempo, mas como a intenção é expor a fragilidade do status quo relativo ao conceito espaço/tempo, vamos agora avaliar a fragilidade do que se pensa sobre o espaço, logo, matéria. O texto será propositalmente curto, não só pelo fato de eu não ser um alquimista, um químico ou um físico, mas também por não querer lhes embaralhar a mente com explanações longas e desnecessárias, aquilo que é simples, sempre é o mais certo de acontecer.

“O tempo é a ação da eternidade do universo sobre a matéria”, esteja ela fixa ou móvel em um ambiente que é fixo. Tudo aquilo que, de alguma forma, é visível ao olho humano de forma imediata, mesmo que haja o concurso de aparelhagem, é matéria. Na escola aprendemos que o universo material é dividido em muitas gradações, desde corpos complexos de diferentes naturezas, células, moléculas, átomos, elétrons e daí por diante, até que alcancemos as ciências subatômicas.

Até o presente momento, os físicos vêm tentando fender a matéria em partículas cada vez menores em busca da menor partícula indivisível. Mas quem já leu algo sobre Alquimia sabe que toda a matéria é divisível; então quando os físicos descobrirem o indivisível, já terão abandonado a Física como a conhecemos.

A partir do momento em que se compreende que toda matéria é divisível, também vemos que a mesma é instável e, também, maleável, qual o tempo que as pessoas juram não poder controlar. Pense bem, você promove alterações na matéria diariamente, muda seus estados, formas e até a transforma em coisas completamente diversas de sua natureza inicial. A cozinha é a maior prova disso: no café da manhã, pegamos uma planta que já foi semente, virou arbusto, frutificou e teve seus grãos torrados e transformados em pó. Tal pó é colocado em água quente e se torna líquido e com um sabor diferente do grão in natura, que é algo intragável. Quantas transformações se promovem ao fazermos um simples bolo?

Agora que todos entendemos que a fixidez da matéria é ilusória, sabermos que a relação espaço/tempo não é como nos ensinam normalmente, sabemos plenamente que a falta de rigidez de ambos, nos dá possibilidades de alteração da realidade como a conhecemos, tal informação é principal para que se desenvolva um bom File. Sem acreditar que a realidade é mutável, não nos adianta o caldeirão e o altar; quem pensa o contrário, nem deve se ocupar de conhecer o mundo espiritual. A propósito, quem já pode ler algum escrito kardecista com relatos sobre os Sidhes(1), sabe que lá basta apenas um pensamento para alterar o momento.  Monstros e banquetes surgem em tempo menor do que o piscar de um olho.

Ao começar uma Mágicka, tenha em mente que tudo é possível, basta apenas ter uma intenção forte e acertada, e mensurar a energia e os fatores necessários para manobrar. Agora, você pode, inclusive, acreditar na intervenção direta dos Filid e dos Deuses, já que nada é fixo e tudo pode vir a acontecer. Somente o que é perfeito dispensa aperfeiçoamentos, por tanto, é imutável.

Efetivamente, tudo o que é engendrado é imperfeito e divisível, extensível e redutível; ora, nada disso afeta o perfeito.”

Fonte:
Corpus Hermeticus; Trismegistos, Hermes; Ed: Instituto Michael; Br.

N.R.  (1) Sidhies poderes do universo.

 

Místicos da Pena
Por Drustan o Skaldi

Fins do século XIX e princípio do século XX, o mundo se encontrava em uma espécie de revolução do racional, a ciência convencional evoluía aos saltos com a invenção das máquinas a vapor e em seguida o emprego da eletricidade, enquanto fonte de iluminação pública em Paris. Na verdade, a segunda revolução industrial (1850-1970) está mostrando seus mais novos frutos com os navios metálicos a vapor, Santos Dumont traz o avião, o relógio de pulso e outros tantos benefícios ao mundo. Os bens de consumo começam a ser produzidos em massa e o avanço não pára assim como o tempo.

Simultaneamente a Inglaterra vivia sob o governo da Rainha Vitória (1819-1901) e produzia uma nova leva de gênios literatos, o escocês Robert Louis Balfour Stevenson (1850-1894) nos brinda com A Ilha do Tesouro (1882-1883) e O Estranho Caso do Dr. Jeckill e Sr. Hyde (O Médico e Monstro-1886); Henry Rider Haggard (1856-1925) escreve As Minas do Rei Salomão em 1885; em 1890 o irlandês Oscar O’Flahertie Wills Wilde (1850-1900) lança O Retrato de Dorian Gray; Charles Lutwidge Dodgson (Lewis Carroll 1832-1898) em 1865 publica a história que contou de improviso para a então menina Alice Pleasance Liddell e que veio a ser conhecida como Alice no País das Maravilhas. Há tantos outros que seria uma tarefa hercúlea a tentativa de enumerá-los.

No mesmo período no Breasail (1), em 1836 se inicia o movimento do Romantismo na literatura tendo por expoentes Antônio Gonçalves Dias (1823-1864) e seu Canção do Exílio (1843); Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) nos brinda com seu Navio Negreiro em 1868, Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (1825-1884) escreve O Ermitão de Mumquém (1864), Lendas e Romances (1871) e vai culminar em seu Escrava Isaura (1875). Em 1881, temos três movimentos literários acontecendo simultaneamente, Realismo, Naturalismo e o Parnasianismo.

Os últimos dois parágrafos serviram somente para demonstrar que apesar do racional cientificista, paralelamente o homem buscava, através da cultura, recuperar o homem, o fantástico e mesmo o místico. Por mais preconceito que existisse - ou exista - com as raízes humanas, elas eram avidamente buscadas.

Ainda no período citado, a Europa reeditou outros livros, como por exemplo, O Mabioginon por Lady Charllotte Guest e mais uma vez se viu lançar As Clavículas de Salomão, esses que de românticos tinham pouco ou nada, mas de místicos... muito.

Mas se ouvirmos um pouco da narrativa de alguns dos livros citados, veremos justamente a magia e a bruxaria gritarem através da pena desses doutos. Em O Médico e o Monstro está a face oculta do que apresentamos em contraponto com o que somos. Allan Quartermain, de certa forma, representa o maçom que vai para a África reimplantar os ritos maçônicos nas terras de seu patriarca. No Retrato de Dorian Gray, a personagem é envolta em um feitiço de amor, que é um misto de pacto demoníaco. Nem mesmo nos poemas do Breazail romântico isto está fora de questão, pois na primeira estrofe do 5º canto do Navio Negreiro, o poeta Castro Alves diretamente interroga D’us. O movimento Parnasiano evoca o Parnaso grego que é uma espécie de paraíso divino. Mesmo na efervescência racional se nota o místico, o Ofício que não larga a mão da letra. Talvez tenha sido esta a forma pela qual e mundo espiritual tenha continuado a reclamar os seus, mesmo que a pena do Druida tenha sido trocada pela pena do contista (o que para mim não tem muita diferença). William Butler Yeats (1865-1939) não poderia ter sido menos direto em sua Canção Delirante de Aengus, onde ele conta o encontro de um homem e de uma fada. Não adianta fugir, como já ouvimos diversas vezes de diversas fontes: “A natureza sempre encontra um meio.”

Hoje a página perdeu um certo espaço para a tela da televisão, mas aí brotam seriados de televisão como Brimstone (1998-1999), Millenium (1996-1999) e Sobrenatural (2005- ). Tudo isso menciona o místico e dá audiência elevada, pois o homem ainda está dando voltas em torno de si.

 

“Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.”

Autor: W. B. Yeats
Poema: A Canção Delirante de Aengus (1899).

Fontes:

O Retrato de Dorian Gray; Wilde, Oscar; L&PM Pocket; RS; Br; 2001.
Drácula; Bram; Stoker L&PM Pocket; RS; Br; 1998.
Clavícula de Salomão; Ed. Pallas; RJ; Br; 2004.
Mabinogion; Davies, Sioned; Oxford University Press; Of; UK; 2007.

N.R (1) Nome do Brasil em Gaelico
Apesar de os livros didáticos e o senso comum estabelecerem uma relação direta entre o nome do país e o da árvore, abundante no território descoberto pelo Almirante Pedro Alvares Cabral, a origem etimológica da palavra Brasil é misteriosa repleta de ressonâncias.
Há mais de 20 interpretações sobre a origem do étimo e as discussões parecem longe do fim. O certo é que a palavra é muito mais antiga do que o costume de se utilizar o “pau-de-tinta” para colorir os tecidos ou para arcos de violino.
A lenda e a cartografia antigas assinalavam, em meio às névoas do Mar Tenebroso (nome do oceano Atlântico), a existência de uma ilha mítica chamada Hy Brazil.
Do francês “brésil” que, por sua vez, é originário do toscano “verzino”? como era denominada, na Itália, a madeira usada na tinturaria. E correto também afirmar que o “Brasil” advém do celta “bress”, origem do inglês “to bless” (abençoar), expressão que batizou a “Ilha da Bem-Aventurança”, Hy Brazil.
Seria obra do acaso a coincidência entre o vocábulo “bresail” (terra abençoada) e a palavra “Brasil”?  O que fez com que surgisse a confusão da qual resultou a “certeza” de que do nome da madeira nascera o nome do país.
Na Lenda e na Cartografia Antigas, segundo estudo de Gustavo Barroso, lançado em 1941, os homens letrados do século 16 não duvidavam que o nome Brasil provinha da ilha lendária. “Prevaleceu, porém, a opinião do vulgo, já que eram simples marinheiros aqueles que traficavam a madeira rubra”.
Se o pau-brasil pode não ter dado seu nome ao país, foi com certeza ele que deu nome a seu povo: eram chamados de “brasileiros” aqueles que traficavam o “pau-tinta”. Se prevalecessem as regras gramaticais, os nativos do Brasil deveriam se chamar brasilienses.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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